quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Atualização do Adendo em 'Caçando a Lua'

Post Original: Aqui

No site oficial do Ooni de Ife há uma página sobre o Obalufe (link) (mesmo que Oruntó Olufé) na qual consta uma lista com os nomes próprios de cada um dos awon Obalufé até o presente, nesta lista o primeiro nome é Ajagusi, o mesmo do pai de Eyinlé!

Gbogbo odó kêkêkê ti nbé ninu igbô Ajagusi wón gbãrijó, won fi Ábatán jóba ninu omi
Todos os regatos da floresta de Ajagusi reúnem-se, e tornam Abatan o rei das águas
(Orin Eyinlé, Tradition and Creativity in Tribal Art, de Daniel P. Biebuyck)

Em The history of the Yorubas : from the earliest times to the beginning of the British Protectorate, do Samuel Johnson, consta o seguinte, sobre os Orilé, algo como totems:
Agbó (carneiro) totem de Ajagusi, pai de Erinlé...

Jójó bi agbo
Altivo como o carneiro
(Oriki Logun, Verger, Notas)

Link

Carnação

Era no meio da estrada quando percebi
Que ao controle do corpo fez dormir

Era no meio da noite quando vi
De olho bem colado a visão

Era no meio do mato quando aprendi
De toda minha vida a maior lição

Era lindo eu bem me lembro quando vivi
Com meu deus acordado em mim

A lua clara soberana sob o trapézio de quatro estrelas
Quando quer que mirasse com a face acima era impossível não vê-las

Ladeando as encostas rochosas onde dracenas vistosas
Erguiam-se majestosas

Quando se exaltava
Sobre sua própria estatura num só giro saltava

Quando irritado ajoelhava-se e de punhos cerrados cavava fundo
Pra se refugiar no próprio ventre do mundo

Ele quem com os cães luta
Diverte-se, labuta

Para dormir em mim
Despertou no vôo dum mocho cor-marfim

No caminho de volta foi madeira
Que ganhou vida e fugiu ligeira

Ele que me fez acordada sonhar
Agora me faz sonhando despertar

Sacrifício de Feijões Frescos, Virtudes do.

Rápidamente germinará a semente de feijão
Com sua fibra Logun faz uma corda
Rápido como o crescimento do feijoeiro
Com a corda Logun impede o avanço da adversidade

Certo como isso se fará
Que eu não me acomode quando o inimigo for impedido
Certo feito o resultado e rápido feito a semente
Que meu crescimento siga adiante

Axé!

Bi orukó pé o, orukó mó o / Se pelo nome o chamamos, pelo nome o conhecemos

O jé orukó bi Shópónna
Shoro pe on Shópónna e énia hun
Ele tem um nome como Shapanã
É difícil alguém mau chamar-se Shapanã
(Oriki Logun, Verger, Notas)
Bába ni olôógún témi o
Óbaluwayê olôóogún témi o
O Pai é meu feiticeiro
Óbaluayê é meu feiticeiro
(Orin Óbaluayê, Sikiru Salami, Cânticos)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Egbé Eyinlé louvando

LINDO E ARREPIANTE, http://www.youtube.com/watch?v=HVZQ1mDh4Ko

Ser estranha (queer)

pra mim eu sou normal.

todo ser humano deveria ser deslumbrante, todo ser humano deveria se olhar no espelho e se achar fenomenal, um tesão, todo ser humano deveria pensar no mundo como um lugar lindo pra ser lindo, pra ser selvagem, forte, intenso, como um cavalo indomado!

eu acho estranho as pessoas acharem que ser bonito é ser normal, é ser pequeno.

eu sou grande, eu sinto grande!

mesmo quando me sinto pequena, sinto grandemente!

eu acho estranho gente que fofoca, e acha que ta prestando serviço comunitário, eu acho estranho homem que casa e sai com viado na rua, eu acho estranho tentar ser normal, pq NORMAL É SÓ UM NOME, NÃO UMA REALIDADE!

eu acho estranho as pessoas serem domesticadas, eu acho estranho as pessoas terem medo do grandioso! eu acho estranho as pessoas terem medo do profundo, do intenso, do belo!

eu acho estranho, muito estranho, me acharem estranha! HAHAHAHAHA

TOSÓBRIA!

Escrita livre, prece

forte a cortina
forte a mão

forte o brilho
forte o chão

foge chão
foge não

foge mato
foge azul

foge força
vem correr

dentro aqui
onde sou

Logun é Deus!

O leopardo crava as suas presas na artéria da prisão
E me liberta

Eu vi o grande compasso ficar pequeno
Agora Tu me alcance, sem barreiras

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ori mi / Meu Ser


Agradeço à minha Origem
Fonte de águas profundas
Que obstáculo algum ampara

Minha consciência, a ti sou grata
Vós que no além escolheste o mais brilhante destino
Denso, precioso, ainda alevino

A ti louvo na manhã
Pois teu acento coroa meu levantar
Tu que bem desperta se faz digna da eternidade receber

domingo, 29 de janeiro de 2012

Caçando a Lua – Um vislumbre do conceito lunar sob a ótica Iorúba no contexto da caça (do guerreiro-caçador Logunedé)

Ou: Porque é difícil (mas não impossível) acertar sobre a intangibilidade - já que brilhante e sob o sol o leopardo é difícil de se ver, imaginemos à noite. E se o leopardo veste a pele que desejar (dourada ou negra), mais difícil ainda. E se o leopardo é na verdade um caçador que se transforma no que quiser...

~*~

Ologun di óshupa

Da oun ti o maa dá kin ri ó
Ologun transformou-se em lua
Transforme-se no que desejar para que eu possa vê-lo
(Sikiru Salami, Cânticos dos Orixás na África)

O caçador é o desbravador do desconhecido, que penetra no reino dos animais selvagens para garantir a subsistência de seu povo. Lá ele descobre lugares propícios ao estabelecimento de novas habitações. Explorando o terreno do desconhecido ele conhece não apenas os animais, mas também as plantas tornando-se assim o médico por excelência.

Como a lua, da perspectiva terrestre, desaparece na escuridão celeste, também o caçador da perspectiva dos não-caçadores desaparece em meio ao solo inabitado. Como a lua volta a brilhar trazendo a benesse da luz, igualmente retorna o caçador trazendo a benesse do alimento. (O mesmo aplica-se à relação entre o agricultor ou coletor de vegetais e o sol. etc)

Do próprio ponto de vista do caçador em relação a sua atividade de caça a lua é importante. O caçador prefere o escuro para caçar, segundo Daniel Peters em seu Yoruba and her cultural beliefs, , ele (o caçador) começa sua incursão na floresta entre o primeiro e ultimo dias do quarto crescente porque o tempo de escuridão da noite é maior, e que nos periodos logo antes e após a lua cheia o caçador cessa suas atividades. Num contexto geral a lua também mede a duração dos meses, e cada mês é nomeado oshu-"nome", ou lua-tal.

Na cultura Ioruba a lua é também símbolo de majestade e sobressalência porque ela é vista sobressaindo-se entre as estrelas. Talvez exista relação a este conceito na própria nomenclatura que ela recebe (oshú, oshúpá) já que a mesma palavra para lua e relevo é empregada, com diferença apenas na entonação. Quando um novo rei é coroado é comumente dito “oshú tuntun le / há uma nova lua”.

Logun é a lua por causa de tudo isso, mas também porque a lua é mutante. Logun é o ’xamã’ que se transforma em animais, e transforma-se em animais porque compartilha o mesmo domínio destes, é detentor do conhecimento da natureza desconhecida do aldeão, do urbano.

Logun transforma-se no que lhe aprouver, sem perder sua identidade, pois seus próprios devotos cantam “transforme-se no que quiser para que eu possa vê-lo”, mesmo transmorfo eles o reconhecem, sua identidade única se sobressai à sua múltipla forma. Identidade esta que, para aquele que falha em compreender o intangível, permanecerá um mistério.

A ri gbamu ojiji
Ókanshosho Órunmila a wa kan má dahun
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
(Verger, Notas)


Ashé!


ADENDO
:

Segundo a obra Itan Ido Ijebu, escrita pelo Dr. Badejo Oluremi Adebonojo, o seguinte é narrado sobre a cidade de Ife-Ijebu:
A História dessa cidade tem sido escassa pois foi ritualmente decretado, nos idos tempos de sua fundação, que a história da cidade não deveria ser contada. Entretando por volta de 1920-21, durante a controvérsia entre o Chefe Jewo Oropoo e o Ajalorun daquela época, bem como o atrito posterior de 1932 entre Balufo e o então Ajalorun, um pouco da história da cidade foi esclarecida.

Ekun Tete foi o primeiro Rei de Ife-Ijebu. Ele era conhecidamente um adorador assíduo dos deuses tradicionais, sendo o cabeça dos “agbohun ona-orun” em Ile-Ife. Antes que ele abandonasse a cidade por conta de seus hábitos religiosos, foi ele quem requeriu que Balufo Ijaogun fizesse um sacrifício para “Aija ni orun”. E assim Ekun Tete tornou-se Ajalorun, e recebendo assim o louvor poético (oriki) de: “Ajalorun Ekuntete”. Este foi o Balufoo cujo nome foi mudado para “Orunto Olufe” de Ilê-Ife pelo qual ele é conhecido até os dias de hoje. Foi durante o reinado de Awujale Oba Mooyegeso (1710-1725) que Ajalorun chegou em solo Ijebu. Entretanto,em 1937,durante o conflito entre Remo e Ijebu-Ode, o então Ajalorun, Oba Olugbofega, foi citado por ter afirmado que o Ajalorun era o substituto de Oduduwa de Ilê-Ife e também que ele viera a terras Ijebu antes de Obanta. Após Olugbofega, Asani Mabadeje tornou-se o Ajalorun em 1943. E foi durante o reinado de Oba Asani Mabadeje que as ambiciosas afirmações do Ajalorun foram reprimidas.

Se em Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns (Verger), temos:
Orunto Olufe gerou Logunedé

E se o Orunto Olufe fora Ajalorun, no Yoruba Myths de Uli Beier temos o segunte:
...Ajalorun é quem gerou a lua...

No site oficial do Ooni de Ife há uma página sobre o Obalufe (link) (mesmo que Oruntó Olufé) na qual consta uma lista com os nomes próprios de cada um dos awon Obalufé até o presente, nesta lista o primeiro nome é Ajagusi, o mesmo do pai de Eyinlé!

Gbogbo odó kêkêkê ti nbé ninu igbô Ajagusi wón gbãrijó, won fi Ábatán jóba ninu omi
Todos os regatos da floresta de Ajagusi reúnem-se, e tornam Abatan o rei das águas
(Orin Eyinlé, Tradition and Creativity in Tribal Art, de Daniel P. Biebuyck)

Em The history of the Yorubas : from the earliest times to the beginning of the British Protectorate, do Samuel Johnson, consta o seguinte, sobre os Orilé, algo como totems:
Agbó (carneiro) totem de Ajagusi, pai de Erinlé...

Jójó bi agbo
Altivo como o carneiro
(Oriki Logun, Verger, Notas)

E o cerco se fecha.

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-