segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Uma Prece Silenciosa em Movimento

Nada muda, as coisas evoluem dentro de sua própria 'espécie', conforme o 'ambiente'...

Nada muda, a realidade continua sendo o que é percebido...

Nada muda, a vida é uma maldição linda, finamente entoada por um deus esquecido, que é o espelho onde tudo reflete sem saber, sendo...

Nada muda, nessa vida maldita você é uma benção profunda, que tece o rumo das estrelas com uma agulha de paixão, no manto do próprio universo...

Possam os nossos passos se reencontrarem no caminho, onde borra com sangue as pegadas, enterra as sandálias...

Nada muda, nada vai mudar o que aconteceu, nada vai mudar quando acontecer, só quero que aconteça melhor daqui pra frente, vou me empenhar nisso, em ser uma pessoa melhor, e talvez o deus esquecido entoa uma maldição doce pra eu viver com você, mais doce que a polpa do fruto proíbido, mais perpétuo que sua amarga semente.

sábado, 23 de agosto de 2008

Cifra

Fragmentos de uma resposta jamais enviada à uma carta jamais recebida, ou vice-versa:

"... Sinto-me frágil e debilitada, e tropecei em minhas próprias pernas, fantásmagóricamente posicionadas sobre as pegadas do passado, minhas, de quando outrora ousei trilhar estes caminhos do coração.
Entretanto há diferenças: eu erro diferente, as coisas me acertam de modo diferente.
O espelho invertido desafiando os reflexos de tudo.
Onde eu sou não há molduras, tudo é escuridão, exceto esta fresta em que reflito, e sou refletida...
Sinto a profundeza rugindo desse abismo que une e separa... Sobre o qual são erguidas pontes que não se é possivel atravessar.
Então eu sou feito a seda, e água clara...
Vinho claro, uvas verdes, e pérolas.
Mas sou na sombra do púrpura, e talvez até cinza,
Sou uma gota de sangue, e a vida que deseja acontecer eternamente, fisicamente, pelo amor de um pombo, caindo nos céus de antigamente, não tão perfeita...
... apenas pelo preço de sê-lo."


fim.

Maat

No meio da aparente confusão, meus sentidos são como um tato certeiro.

Deveria me sentir mal mas sinto-me bem, deveria estar triste mas estou enérgica, equilíbrio e verdade, justiça e ação, exigências.

Frieza como um luar de prata banhando minha carne, e meu plácido espirito expandindo sua luminosidade, a placenta da glória e o parto da vitória. Onde havia uma forca e uma pergaminho, há agora uma balança e uma pena.

Compartilhar a loucura pela metade é um egoísmo da própria ilusão, eu quero o segredo distante ou a revelação que aproxima, em liberdade para ser pleno, mas não outros...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

letra minuscula

eu sou um livro em branco, onde as paisagens imprimem o ideal do descrente
e as luzes da cidade apodrecendo entre essa gente

a bailarina não chora sobre o pó que perseguia
e a secura na noite é pior que a do dia

a lucidez delirando na malicia da criança
pisoteia a bailarina com sua dança, matança

e no apontar da sombra em segredo
o diabo ronda gargalhando e sem medo

começo sentir a dor distante
pra ver se tomo algum rumo mais distante.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Humidity

Caçado pelos ventos
Aterrorizado por seus uivos
Na curvatura das asas metálicas da noite

Erigido na firmeza do altar
Para que fosse distribuído
O rubicar que faz a luz estremecer

Pudera o teu poder ser igualmente ditribuído
Não fosse os reis que maravillham-se com o poder do teu verdejar
Que prende esta virtude para a ruína dos filhos do Céu e da Terra

Deixa que a gazela afogue a leoa
Deixa que o deserto afogue o sol
Deixa que a carne afogue o espírito

Para que este embebedar que embriaga o multiverso
Com o esplendor que emana de toda criatura à sobra de seu criador
Possa sempre garantir o despertar

Com o poder de teu cajado
A corajem que estilhaça o espelho da Senhora
E desperta o sonho em pedaços

A fração de verdade que encabeça o início da batalha
Para que os despertos possam semear-te no solo de glória
Perpétuamente e reluzente entre a haste de ontem e a lâmina do amanhã, agora.

domingo, 17 de agosto de 2008

Abraço

Soninho, vigília, tinta molhada, esperma.

Queria estar sob o sol agora, com você.

Mas eu te sinto dentro de mim, e não quero dividir.

E a musica dos pássaros no jardim deixa a tinta que colore o céu molhada,

E sua revoada de anoitecer a faz despencar sobre nós o prazer,

Por amor, ao amor.

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-