quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sempre Rainha do Sempre-Aquela que cavalga com a fúria insaciável de muitas irmãs

Quando não havia nobre como Tu
Eu velejei guiado pelos ventos da loucura
Mas encontrei uma linda ilha
E lá o indomável se fortificara
E nada havia sido imposto à seu tempo
Naquele lugar que não estava em lugar nenhum
Sangue algum alimentara a Luz
Prisma algum
Entretanto o verde era palpável na infinitude alva daquele luar
O verde que eu refleti
Numa mácula que desvelou paisagens sangrentas
Fragmentando e fragmentando
Seu espelho Terrível
Porém adorável
Então tudo que se formou de Ti era branco
Mais que a neve nas montanhas
Mais que toda luz que qualquer olho contempla
Mas Tu multiplicas
E sem parar goteja um áureo liquido
Que sussurra ao sensível o caminhar declinante de todos os homens
Eles oram a Ti
E a outros
Mas tua ilusão é tudo o que há
Tua ilusão de cores e sombras de cores
E virginal como uma pomba
Tu caíste assim
Feito o pássaro no mercado
Manchado numa sina de assassínio libertino
Mas eu Te libertei aos Céus
Antes que a fome de baixo viesse devorando
Então Tu te revelou à multidão
Abissínia e implacável e implacável
Mas eles prostram-se
Eles almejam serem querubim
Embora Teu atar avermelhado envergonhe as mulheres
E ferva o sangue dos homens
Ainda assim minha odiada
Quem ousa descer como Tu?
Quem dentre toda a pronuncia de Teus lábios ousa declamar dores contra Ti?
Mesmo assim Tu choras e cala-te em segredo
Quando a minha face se volta para a mascara de luz pendente em Teu peito
Quando a fartura das terras inomináveis transborda
Tu encaras a Escuridão em êxtase lamentante
Porque meu dedo aponta para seu lábio
Mas foge
Foge!
Eu apago esse fogo e me vou
Eu sempre o apago
Conforme eu cresço e me descubro em Ti
Em minha jornada
Circulando no mesmo ponto
E excedo neste dom desapegado
E em todos
Eu sempre reascendo nesta arte prodigiosa
Pois o pronunciar da tua boca nenhuma mulher maldita pode maldizer
Pois não há nos Céus outra igual a Ti
Tampouco nos Infernos
Que não seja de Ti e Tu mesma
Soberana como tu!


(12 de agosto de 2006)

Ecos do canto das sereias

Esta ferida que eu contemplo agora
Com o esconder da chuva sobre o oceano
E no acolher delicado da nevoa na madrugada

Esta me levando para as preciosidades da terra úmida
Delimitadas por estrelas silenciosas
Das mais profundas riquezas por entre a queda do sangue verdejante

Mas mingua e a cá está
A tristeza que impulsiona o morrer nestas garras que desesperadamente arranham o luar
Campos evanescentes no redor da cratera onde o magno-cão escondeu os ossos

Oh bruma do tempo
A necromancia que o crepúsculo glorifica
É o que estamos a declamar agora

E vibra como a víbora
O vôo esperto no deserto
De areias móveis que se esgueiram sobre as dolorosas cicatrizes que não ousamos descobrir...

... Em nós!


(19 de fevereiro de 2006)

Amor

O músico não quebra sua melodia onde uma dançarina atrasar o passo
O escultor não alcança a beleza na brutalidade da rocha
O pássaro não se sacrifica e confina para os ovos inanimados
A maré não aguça o refletir do luar
Nem mesmo os anjos se distanciam do alcance mudo da voz de seu senhor
Até o mais tímido seixo que se arredonda no tempo que não quer passar sucumbe ao sonhar da água
Entretanto há o corte que é seco
Ele odeia e corrompe
Este verter seco de inexistência e infidelidade
Este corte é cego
E nada diz
Pois é também surdo
Morto para sempre
Não-parido
Mas a ave continua
E sua prole é crescente como o respeitoso curvar das ondas
Da mais alta à mais modesta
Há o luar que derrama o sol na dança dos anos
Também o austero e o divino
Ou mesmo o cantar dos homens para alcançar as alturas
Ecoando num vôo de paixões mil
Nada disso seria possível
Se não houver testemunho de amor ali


(08 de setembro de 2006)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Lágrima

Saudade do contorno do braço, do abraço
Saudade do aconchego, do amasso

O traçado do compasso
Do encontro no alcance do laço

E no esperar da manhã que não mais chega
Entre a tarde sozinha e a noite cega

Tateando a teia
Com a boca que não ateia

O fogo do desencontro
Que arde em estorvo

Não é mais forte
Que a lágrima que abandona o corpo

Furor, Fulgor... Ora et Labora, L'aur'ora, Fulgora!

O ofício da minha liberdade agride, e transgride os limites dos pensamentos alheios, e os limites dos pensamentos alheios me fazem transcender os limites dos meus próprios pensamentos sobre mim mesma.

O meu corpo denuncia o prazer, como o das mulheres o esconde. A minha mente esconde a dor, como a dos homens a projeta.

A poça negra da qual eu surjo alva, e a luz dourada na qual eu evanesço obscurecida... o mistério no Nome do próprio Sol, para triunfar.

O desejo dos opressores, e a vontade dos oprimidos encerrados em meus sangue e carne... o desvelar da Sombra da própria Lua, para garantir.

Talvez eu seja um manuscrito, leia-me em silêncio.

domingo, 9 de novembro de 2008

O Conto do Garoto e seu Tutor

É dito que o vizir Badr al-Din, governador do Iêmen, tinha um irmão mais novo cuja beleza era tão imcomparável que tanto homens quanto mulheres paravam para olhar quando ele passava para banhar seus olhos em sua aparência encantadora. O vizir, temendo que alguma aventura precipitada viria a um ser tão amável, mateve-o longe dos olhos dos homens, e o privou de ter amigos de sua própria idade. Não querendo manda-lo à escola com outros garotos, onde ele não poderia ser vigiado de perto, convidou um venerável e piedoso homem, que era conhecido por seu modo casto, para vir e ensinar-lo em casa, e deu-lhe moradia próxima à porta de sua própria mansão.


O velho homem veio todos os dias, e passou muitas horas com seu aluno. Não demorou muito tempo até que a beleza e a sedução do jovem tivesse seu efeito usual; depois de algumas semanas, o homem estava tão violentamente apaixonado por seu jovem pupilo que ele ouviu todas as aves de sua juventude cantando novamente em sua alma, e conforme elas cantavam algo nele que há muito dormia despertou. Sabendo nenhuma outra maneira de dominar seus sentimentos ele abriu seu coração para o jovem, e disse-lhe que não podia mais viver sem ele.


"Infelizmente", disse o jovem, que estava profundamente tocado pela emoção do seu professor, "minhas mãos estão atadas, e cada minuto do meu tempo é supervisionado pelo meu irmão." O homem suspirou e disse: "Como eu espero passar uma longa noite sozinho com você!" "Você pode muito bem dizer," replicou o outro, "Se meus dias estão tão bem guardados, como você acha que é a noite?" "Eu sei, eu sei," disse o homem, "mas a minha varanda está próxima a sua; deve ser fácil subir em silencio de sua janela até meu terraço quando seu irmão está dormindo. Eu posso encontrá-lo lá e ajudá-lo a ir para o outro lado do muro até o meu terraço. Lá ninguém pode nos espionar."


O jovem gostou da idéia. Ele agiu como se pretendesse dormir aquela noite mas tão logo seu irmão o vizir se retirou ele subiu até o terraço onde o velho homem esperava por ele. O astuto homem o pegou pela mão ao longo do muro até seu terraço, onde bandejas de frutas e copos cheios de vinho foram postos para o prazer de ambos. Eles sentaram-se ao luar sobre um tapete branco, e começaram a beber e cantar juntos, inspirados pela noite clara e pelos raios suaves das estrelas iluminando-os em êxtase. À medida que o tempo foi passando, assim, tão rápido, o vizir Badr al-Din acordou de repente e tinha em mente checar seu jovem irmão, e ficou fortemente surpreendido por não encontrá-lo no seu quarto. Após procurar por toda a casa ele foi para o terraço e, aproximando-se do muro viu seu irmão e o velho homem sentados lado a lado com taças de vinho em suas mãos.


Como que por sorte, o homem havia notado a aproximação do vizir e, sendo dotado de um humor sagaz ele interrompeu a canção que estava cantando e tão sabiamente improvisou uma estrofe sem nunca pular uma batida:
"Sua boca agraciou a taça com o sua salivaantes que encontrasse a minha minha,E o enrubescer da sua bochecha suavizou um poucoo vermelho da vinha ..."


e prosseguiu ininterruptamente sem gaguejar:
"Seu excelente irmão, Lua Cheia de Cuidado, ninguém pode duvidar , mas chamo-te “o doce”, Lua Cheia de Beleza, sereno e a brilhar.”


Quando o vizir Badr al-Din ouviu esta delicada alusão, sendo um homem discreto e muito galante, e nem tendo visto nada impróprio entre os dois, ele se retirou dizendo a si mesmo: "Como Deus.∕ Allah vive, não vou perturbar a festividade deles." Assim, o casal continuou sua festa em perfeita felicidade.

Autor: Abu Nuwas


(Retold after the translation of Richard F. Burton, Heritage Press, New York, 1934, who based his work on a collection of tales that are at least a thousand years old.∕ Re-contado após a tradução de Richard F. Burton, Heritage Press, Nova York, 1934, que baseia seu trabalho em uma coleção de contos que têm pelo menos mil anos.)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O Enforcado

Não podem sorrir as flores
Nem perdurar as dores

Nem beleza há sem amores
Aquém da delícia em seus sabores

Somente um sacrifício há de aplacar
A ferocidade do sonho ao despertar

Entre os ramos do campo guarnecido
A foice mata para alimentar o enfraquecido

Desejo o encontrar do alvorecer
Em meu corpo para corroer

A morte entre as sementes do amanhã
Tão linda a vida e tão vã.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Crítica Social - Por Favor Não Me Aceite!

O texto que postarei abaixo é um trecho do artigo na wikipedia sobre a Filosofia da Pederastia Grega (http://en.wikipedia.org/wiki/Philosophy_of_Greek_pederasty), e demonstra o porque não é de se espantar o o fato de a sociedade atual condenar e definir como fraqueza de caráter tudo aquilo que os sábios de outrora tanto estimavam no contexto da expressão do amor erótico.

Críticas Éticas
As formas que a pederastia possuiu variavam de uma cidade para outra, e eram sujeitas a avaliação e comparação. Por exemplo, o personagem de Pausânias no Simpósio de Platão postula que a construção ideal de relações eróticas entre homens e meninos é o meio termo entre os dois extremos de, por um lado, terras estrangeiras onde essas relações forem proibidas por completo e, por outro lado , cidades tais como Elis e Boeotia, onde os homens são trabalhadores não qualificados no discurso e os meninos estão autorizados a ceder acriticamente. Esse meio terreno, reivindicado por Pausânias como sendo Atenas e Esparta, é aquele onde os homens são bem versados na arte da retórica e os rapazes reagem criticamente a respeito de seus pretendentes, escolhendo apenas o mais persuasivo. Assim, Platão faz uma relação entre os sistemas políticos, expressão erótica, sofisticação intelectual como refletidos na arte da conversação.
(Nota: Pausânias associa especificamente o melhor tipo de amor pederasta com a arte da conversação. Pausânias salienta que, no interior (Elis e Boetia), onde os homens não são sabidos na fala (mê sophoi legein), espera-se dos rapazes para cederem sem argumentos (logoi) para persuadi-los (peithein); uma situação que considera repreensível . Ele lembra que o déspota, por outro lado, despreza pederastia porque não tem utilização na filosofia, nem, podemos fazer de conta, para a persuasão. É apenas na sociedade Ateniense (e Espartana?) que persuasão e argumentação são cruciais para as relações eróticas (ou, mais precisamente, para relações eróticas entre os homens livres). " David Allan Gilbert, "Plato's Ideal Art of Rhetoric, an Interpretation of Phaedrus 270B-272B"; Unpublished doctoral dissertation, 2002; p187)
Relacionamentos masculinos foram representados em formas complexas, algumas honrosas e outras desonrosas. Mas para a grande maioria dos historiadores antigos um homem que não tenha tido um jovem como amante apresentou uma deficiência de caráter. Platão estava entre aqueles que manifestavam-se contra a decadência em que a tradicional pederastia ateniense estava se afundando. Em suas primeiras obras (o Simpósio ou em Phaedrus) ele não questiona os princípios da pederastia, e afirma, referindo-se a relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo:
Eu não conheço nenhuma bênção maior para um jovem que está começando na vida do que um amante virtuoso, ou para um amante do que um jovem amável. A princípio, devo dizer, nem parentes, nem honra, nem riqueza, nem nenhum motivo é capaz de implantar tão bem como o amor. Do que eu estou falando? Do senso de honra e de desonra, sem o qual nem os Estados, nem os indivíduos fariam qualquer bom ou grande trabalho ... E se houvesse apenas uma maneira de construção, que um Estado ou um exército fosse constituído por amantes e seus amores, eles seriam os melhores governadores de sua própria cidade, abstendo-se de toda desonra e emulando um no outro a honra; e é um pouco exagerado dizer que, quando lutam pelo lado uns dos outros, embora meramente com seus punhos, eles vão conquistar o mundo. (Platão, Phaedrus no Simpósio)
e novamente,
[...] geralmente em países que estão sujeitos à bárbaros, o costume é tido como sendo desonroso; amor por jovens compartilha a má reputação com a filosofia e a nudez esportiva, porque são hostis à tirania; pois os interesses dos governantes requerem que seus subordinados sejam pobres de espírito, e que não deve haver um forte vínculo de amizade ou de sociedade entre eles, que o amor, acima de todos os outros motivos, é igualmente inspirador, como nossos tiranos atenienses aprenderam por experiência; pois o amor de Aristogíton e a constância de Harmódio tinham uma força que destituía seus poderes. (Platão, Simpósio; 182c)

Solidão - O Solidificar da Ilusão

É uma ilusão imposta, e só se torna real quando aceitamos tal imposição. Que nos afeta de modo a esquecermos o real sentido da natureza da busca por si mesmo, no todo. O unico rumo real é o viver, o ser... e existir é ter consciencia d que se está seguindo tal rumo, pura e simplesmente, mesmo q nao se saiba para onde ("conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo").

sábado, 1 de novembro de 2008

Amor Divino

Nos preencheu quando doamos, quando doemos.
Nos quis mesmo quando não queriamos.
Nos libertou na proteção infalível conferida um para com o outro.
Nos rubicou os rostos quando recebemo-nos um no outro, pelo desvelar da jóia escondida um do outro.
Nos enfraqueceu na guerra, e nos aperfeiçoou na paz.
Nos tornou completos por compartilhar.
E tornou ser quando acabou, só pra sermos n'Ele novamente, e novamente.
O Amor Divino nos tornou gratificados quando sacrificamos a fortaleza um do outro, um no outro, e um para o outro.

Estética - A Simetria Prazerosa da Dor

*Nota minha: Antes de ler o texto é preciso ter em mente que "gay" como uma identidade sexual é um desenvolvimento recente, emergido apenas no século 20, e a idéia atual do que significa "ser" gay ou homossexual é amplamente influenciada pelo recente ativismo gay e a emergência de direitos gays no cenário cultural. Na antiguidade grega não havia esta identidade gay - nem a hetero - e eles não dividiam sua sexualidade em hetero e homo. Suas paixões eram parte de sua expressão erótica como seres sexuais. Eles não consideravam seu amor por garotos como gay ou homossexual, como separado de outras expressões sexuais, e o valor do relacionamento não era julgado pelo genero da pessoa que alguém amava, mas por seus resultados.


BELEZA CLÁSSICA
(Extraído do livro: The Seduction of the Mediterranean: Writing, Art and the Homosexual Fantasy. by Robert Aldrich; traduzido por mim)


Pinturas e estatuas gregas às vezes apresentam retratos de indivíduos realistas ou pouco atrativos, mas mais freqüentemente apresentam tipos ideais, destacando as características tidas como mais atrativas. Portanto estatuas do adulto Apollo ou do adolescente Ganymede, universalmente aclamados como belos espécimes masculinos, dão uma boa idéia das noções Gregas de beleza masculina. De acordo com Dover, no período clássico o macho clássico era um homem jovem marcado por “ombros amplos, peito profundo, grandes músculos acima dos quadris, uma cintura fina, nádegas projetadas e coxas e panturrilhas sólidas’. O rosto constituía ‘testa de altura moderada e um nariz reto, com o lábio inferior tendendo a ser cheio mas não largo, o queixo bastante profundo e arredondado e olho determinado... mas de tamanho normal’. Um jovem gracioso era retratado como imberbe, enquanto um homem adulto geralmente portava barba – presença de pêlos faciais e corporais eram marca de maturidade física e virilidade, embora cabelo no corpo em excesso, como comum em sátiros indicavam luxúria desenfreada. Uma cabeleira leonina era característica particular de homens bonitos. Os gregos também eram atraídos por coxas sólidas e belos olhos, assim como pela pele bronzeada em exercícios ao ar livre.
Artistas retratavam a genitália sem constrangimento. A nudez das estatuas e pinturas gregas permitiram artistas retratarem os contornos do corpo humano. Isto também reflete a aceitação da nudez na vida grega. Gregos exercitavam-se nus em ginásios e ficavam despidos em casas de banho. As mulheres na arte grega, pelo menos aquelas de boa moral (exceto no caso de deusas), cobriam seus seios e genitais. Homens jovens por contraste usualmente tinham o tronco nu e usavam apenas uma simples capa, quando muito, perto de suas partes medianas; os homens idosos, porém, foram mais modestamente vestidos. Alguns homens aparecem com o pênis flácido, outros com pênis ereto. Sátiros são quase sempre itifálicos. A arte grega, segundo Dover, era extremamente interessada nos genitais – os gregos consideraram o pênis um órgão genital e uma arma em reserva – mas não eram obcecados com tamanho. Os gregos preferiam genitais pequenos, pelo menos na arte; se um jovem ou menino tivesse um pênis apontado e reto simbolizava sua aptidão masculina para tornar-se um guerreiro; deveria ser minimamente evidenciada a diferença entre o macho imaturo e o macho adulto e assimilava-se isto ao contraste entre macho e fêmea; um pênis pequeno... é um indicio de modéstia e subordinação, uma abjuração da iniciativa ou rivalidade sexual’. Retratos idealizados de machos com pequenos genitais e ausência de pêlo corporal eram uma tentativa de ‘rejuvenescer’ homens e fazê-los conformes com a beleza dos efebos que os gregos canonizaram. O homem adulto grego ideal, porém, seria um guerreiro e atleta, e o modelo ‘clássico’ mostrando homens bem musculosos (embora sem a exagerada musculatura dos “fisiculturistas”).
Os gestos dos homens gregos, e os objetos que aparecem nas representações dos mesmos, indicavam virilidade. Alguns carregam lanças ou armas similares; outros seguram equipamentos esportivos. Muitas imagens mostram homens realizando o que os gregos consideravam recreações tipicamente masculinas, como beber ou banquetear. Abundam imagens de erastes/amantes muitas vezes dando um presente, tipicamente um galo, uma lebre ou outro animal, ao seu eromenos/amado. A maneira na qual um homem andava também foi investida com significância como um código de virilidade, e o homem ideal possuía um andar leonino: ‘Ele cujos pés e mãos movem-se em harmonia com todo o resto de sua pessoa, que se move para frente com os ombros calma e cuidadosamente controlados, com seu pescoço inclinado, mas ligeiramente – ele é aquele que os homens chamam corajoso e generoso, pois dele é o andar do leão.’
No entanto, a arte grega incluía retratos que variavam do ideal viril. Artistas não desprezavam temas andróginos, e existem imagens de pessoas com características femininas e masculinas combinadas, e também de hermafroditas. A figura andrógina, a meia distancia entre macho e fêmea, como o adolescente a meio caminho entre criança e homem, era dotada de um fascínio para os gregos e não era menos investida com sensualidade do que as figuras mais definidas de homens ou mulheres adultos. Os gregos até tinham idéias bem desenvolvidas sobre quais características físicas marcavam o homem afeminado ou a pessoa andrógina. De acordo com Adamantios: 'Você pode reconhecê-lo por seu olhar provocativamente ‘derretido’ e pelo rápido movimento de seus olhos intensamente concentrados. Sua testa é tensa enquanto suas sobrancelha e face movem-se constantemente. Sua cabeça é inclinada para o lado, suas nádegas não ficam imóveis, seus braços sem músculos nunca permanecem em uma posição. Ele anda afetadamente com pequenos passos saltados, seus joelhos batem um no outro. Ele tem as mãos com as palmas para frente. Ele tem um olhar inconstante, e sua voz é fina, emotiva, cativante∕apelativa, languida.’ Tais estereótipos, de uma forma estranha, foram aplicados a todos homossexuais nos séculos posteriores. Protótipos gregos definiram visões ocidentais futuras sobre o que era belo e viril e, em contrapartida, o que era pouco atraente e fraco; na arte e na escrita, os gregos legaram para o mundo ocidental um modelo de beleza – dizer que alguém é belo como um deus grego é uma alusão, inconsciente ou intencional, à estética grega.

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-