domingo, 31 de maio de 2009

Hekas Hekas Este Bebeloi

Todas as manhãs eu mato uma garota em mim. Se eu não a matasse ela morreria do mesmo jeito, mas é a sensação que eu busco, não de perda, mas de capacidade.
Todas as tardes eu ultrapasso a fronteira de mim mesma, por mim mesma, em mim mesma.
Todas as noites eu me deito comigo mesma, não importa se algumas vezs eu me veja em outro corpo, ou me chame por outro nome, me deito por mim mesma, para mim mesma, comigo mesma ou com outros.
Todos as semanas eu esqueço de contar os meses, e todos os meses eu esqueço de situar os anos, eu nem lembro quanto dura cada um, com excessão das semanas, mas não sei quando elas acabam ou terminam. Agora não da pra esquecer o que acontece comigo, quando eu acabo ou começo algo, isso sim tem importancia, onde eu me situo, e se estou bem situada em mim mesma, por mim mesma, para mim mesma.

I
O resto é você, o luto interminável por seus amores que não te pertencem, e a derrota constante em suas batalhas sem sentido.

II
A gosma e as folhas secas, a falta de habilidade e a confusão de uma lesma que acredita ser uma borboleta. Ah, e também seu espelho fosco que almeja refletir o meu brilho. Você é modesta, eu sou excessiva e transbordante e muitas. Você é metade, eu sou toda. Você é amada por piedade, eu por paixão. Você é a ferrugem, e eu o ouro, você o vidro e eu o diamante, você a lesma, e eu a lagarta. Você vai engordar mais, eu vou voar. :)

sábado, 9 de maio de 2009

Só sei que nada sei... sabendo.

...como pode um ser apresentar padrões comportamentais que ultrapassam em propósito e efeicácia sua capacidade cerebral?

como pode uma borboleta mimetizar os olhos de uma ave de rapina em suas próprias asas de modo a intimidar prodadores? como pode o mesmo uma rã em suas costas? como pode tudo na natureza ser tão lógico e perfeito e único ao mesmo tempo? se isto não for deus, então eu não sei o que é isto, nem o que deus é.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Violino de Elias

Extraído do livro "Elija's Violin & Other Jewish Fairy Tales - Selected and Retold by Howard Schwartz - Illustrated by Linda Heller", e traduzido por mim. Espero que adorem, risos.

Era uma vez um rei que tinha três filhas. E ele as amava muito, mas um dia ele teve que deixá-las para ir à guerra. Antes de partir ele falou com suas filhas e disse: “Se eu for vitorioso nesta guerra, eu trarei a cada uma de vocês um presente. Digam-me, o que vocês gostariam?” A mais velha falou e disse: “Eu gostaria de um diamante na forma de uma estrela”. E a segunda filha disse: “Eu gostaria de um vestido tecido em ouro puro.” Mas a mais nova disse: “Eu apenas desejo que você venha para casa a salvo da guerra.” O rei ficou feliz em ouvir isto, e disse: “Obrigado, filha, pelo seu bom desejo. Mas você deve me pedir para trazê-la algo, como suas irmãs fizeram. Pense no que irá pedir por três dias, e então antes que eu parta conte-me o que deseja.”
Então a filha mais nova estava sentada sozinha em uma rocha próxima ao lago fora do palácio, quando apareceu diante dela uma velha mulher, que perguntou a ela: “O que há de errado, criança?” E ela respondeu: “Eu não sei qual presente pedir a meu pai, o rei.” A velha disse: “Você deve pedir ao seu pai o Violino de Elias.” Então a princesa concordou que seria esta sua demanda.
No terceiro dia o rei disse a sua filha: “Qual presente você decidiu?” E a princesa respondeu: “Eu gostaria que me trouxesse o Violino de Elias.” O rei concordou e partiu à guerra.
Então o rei levou suas tropas à vitória em cada batalha, e após seu triunfo ele procurou e encontrou os presentes para suas duas filhas mais velhas, o diamante em forma de estrela e o vestido dourado, mas não pode achar o Violino de Elias em todo lugar. O rei perguntou a seus generais se eles sabiam onde ele poderia ser encontrado, mas nenhum deles havia ouvido falar em qualquer dos países que haviam combatido. E perguntou a seus sábios, mas nenhum deles havia lido dele em qualquer livro. E ele perguntou a seus adivinhos, mas nenhum deles pode encontrá-lo nas estrelas. Então o navio do rei partiu, e viajou até que chegasse à terra. O rei ordenou seu time para ancorar ali, para ver se o Violino de Elias poderia ser encontrado naquele lugar. E desta maneira ele embarcou em uma longa busca, que o levou aos quatro cantos do mundo. Após muitas pesquisas e tribulações, ele chegou até um velho homem que vivia em uma caverna, e o velho disse: “O Violino de Elias está na possessão do rei deste país.” Ele também disse que o rei tinha uma filha aprisionada em pedra e quem quer que libertasse sua filha da pedra seria ricamente recompensado. Então o velho deu ao rei três longos fios de cabelo e disse: “Estes três fios são do arco do Violino de Elias. Queime-os quando você estiver na presença da princesa.”
O rei agradeceu ao velho, e tomou os três fios do arco do Violino de Elias, e colocou-os a salvo. Então ele perguntou ao velho o que teria que lhe dar em retorno. E o velho disse: “haverá um dia quando você me retribuirá plenamente, pois sua filha libertará melodias aprisionadas.” E o rei maravilhou-se com isto, e disse: “Diga-me, velho homem, qual é o seu nome?” O velho respondeu: “Meu nome é Elias.” E então o velho retornou às sombras da caverna, e o rei partiu para resgatar a princesa que estava aprisionada na pedra. Quando o rei aproximou-se do palácio onde a princesa de pedra vivia, ele advertiu seus generais e sábios e adivinhos, que ele preferia proceder sozinho, e que eles deveriam acampar ali e esperar por ele. E quando ele chegou aos portões do palácio e anunciou que seu propósito era libertar a princesa aprisionada, ele foi dado a uma audiência com o rei e a rainha de uma vez. Pois eles haviam deixado ordens para que se alguém se oferecesse para libertá-la nenhum seria recusado, mas este alguém que falhasse seria morto. Naquele mesmo dia o rei visitante foi levado até a presença da princesa.
E foi um grande choque para ele ver a princesa, pois ela parecia estar viva e morta ao mesmo tempo, como se ela fosse uma escultura viva. Mas muito maior foi sua surpresa quando ela começou a falar – pois o encantamento sob o qual ela havia caído, permitia-a o poder da fala mas nenhum outro. Enquanto a princesa estava falando, era como se ela estivesse viva. Mas quando ela ficava em silencio, era como se ela tivesse se tornado pedra por inteiro. Ele não pode agüentar seu silencio, e então perguntou-a: “Diga-me, como aconteceu que você tornara-se em pedra?”
A princesa respondeu: “Um dia eu estava caminhando pelo palácio, e cheguei a uma escadaria que nunca havia sabido da existência antes, e eu subi até chegar em uma sala onde havia um espelho com uma moldura dourada. Conforme eu permaneci diante dele, minha imagem refletida veio a fora do vidro e forçou-me a ficar em seu lugar la dentro. E desde então eu encontro-me tornada em pedra, com apenas meu poder de falar restando. Nenhum soube como me libertar. Desde então há noticias de que alguém que se parece exatamente como eu, e clama ser eu, é vista no reino, mas some como uma sombra se alguém se aproxima demais.” E então a princesa ficou em silencio, e era o silencio de pedra.
O rei lembrou-se dos fios do arco do Violino de Elias que o velho havia lhe dado, e pegou-os e colocou-os no fogo o suficiente para manter a sala aquecida. Então a frieza da sala pareceu dissolver-se, e ao mesmo tempo a princesa petrificada tornara-se carne e sangue novamente. E o rei que a havia libertado disse a ela: “Agora que você foi liberta deste encanto, sua imagem refletida certamente retornou ao seu lugar no espelho. Para mente-la lá você deve vendar-se e pegar uma pedra e quebrar o vidro. Desta maneira sua imagem refletida permanecerá neste mundo de reflexões, e não tomará seu lugar neste mundo de novo.” A princesa prometeu que faria isto, e fez antes que o dia terminasse. Seu pai, o rei, estava tão grato que contou ao rei que havia quebrado o encanto que este poderia obter qualquer presente de sua escolha. Nem o fez recusar o Violino de Elias, pois este ele pediu como sua recompensa.
Agora que o rei havia reunido os presentes para todas as três de suas filhas, ele viajou com seus soldados direto para casa. E por que os ventos estavam com eles, isto levou apenas sete dias, e quando o rei chegou deu os presentes às suas filhas. As duas primeiras tomaram seus presentes e imediatamente foram prová-los, mas a mais nova abraçou seu pai primeiramente, e então levou o violino ao seu quarto. E assim foi como a princesa que era a filha mais nova do rei veio a possuir o Violino de Elias.
Então logo que a princesa abriu a caixa do violino, o que ela encontrou? Um pequeno, perfeitamente entalhado que havia sido preservado por muitos séculos, e próximo a ele um aro. E quando ela encostou o arco nas cordas, uma clara melodia apareceu, fluentemente. E enquanto ela tocava o violino, parecia que o violino estava tocando a si mesmo, como se tivesse muitas melodias estocadas, que procuravam emergir de dentro, e mesmo antes de ela terminar de tocar o violino apareceu diante dela um lindo jovem, que perguntou a ela: “Porque você me trouxe a este lugar?”
A princesa estava maravilhada ao vê-lo, e disse: “Mas como você entrou neste quarto?” Ele mostrou-a a janela pela qual ele havia entrado. Então a princesa perguntou: “Mas de onde você veio?” A que o jovem respondeu: “De muito longe.” E a princesa perguntou: “E então como você chegou a este lugar?” O jovem respondeu: “A musica do violino me trouxe até aqui.” Nem a princesa o perguntou mais do que aquilo, pois ela entendeu de uma vez que o violino que ela havia tocado era encantado, e que ela e o príncipe, pois ele era um príncipe, haviam sido unidos através de sua mágica.
Depois daquilo, a princesa levaria o Violino de Elias onde quer que ela sentisse falta do príncipe, e toda vez que ela o tocasse, o príncipe retornaria assim que as melodias flutuasse para fora através da janela. Ao menos antes que eles trocassem alianças e prometessem serem noivos.
Então aconteceu, após algum tempo ter passado, que a irmã mais velha da princesa ouviu ela falando com o príncipe em seu quarto. Ela logo foi até a segunda irmã, e disse: “Alguém está visitando nossa irmã em seu quarto.” Elas decidiram procurar no quarto para ver o que poderiam encontrar, então elas persuadiram a princesa mais jovem para ir tomar banho com elas. Quando elas chegaram lá, a mais velha disse que havia esquecido seu sabonete, e partiu para encontrá-lo. Mas invés disso ela foi até o quarto de sua irmã e lá começou a procurar. Quando ela encontrou o anel do príncipe ela o pegou e quebrou a janela através da qual o príncipe entrava no quarto. E quando ela viu o estojo do violino, ela o abriu e começou a tocar, mas a melodia que emergiu foi uma obscura, cheia de pesar. E assim que a musica preencheu a atmosfera, o príncipe foi obrigado a aparecer. Ele quis entrar pela janela quebrada, mas se feriu com os cacos de vidro e foi forçado a retornar. Quando a princesa mais jovem retornou do banho, ela pode sentir qe algo acontecera em seu quarto, mas ela não pode saber o que era. Então ela pegou o Violino de Elias e começou a tocar, mas desta vez o príncipe não apareceu. Então ela viu que a janela estava quebrada, e que haviam três gotas de sangue na cortina. Quando ela reconheceu que suas irmãs poderiam ter descoberto seu segredo, e feito mal ao príncipe, a princesa ficou muito triste e deixou o palácio para sentar na pedra perto do lago. Enquanto ela estava sentada, a velha mulher apareceu, e perguntou a ela o que havia acontecido. A princesa contou a ela tudo o que havia ocorrido, e a velha disse: “Finja-se de doente, então o doutor ordenará que ninguém seja admitido em seu quarto até que você esteja melhor. Enquanto isso, você deve partir para encontrar o príncipe que está ferido, pois apenas você pode curá-lo. Para fazer isto você deve arrancar três cordas do arco do Violino de Elias, e levá-las com você. Então você deve queimá-las quando estiver na presença do príncipe.” A princesa fez como a velha disse, e o doutor ordenou que ninguém fosse admitido em seu quarto. Ela então partiu em uma busca para encontrar o príncipe ferido, para que ela pudesse curá-lo.
E aconteceu que a princesa andou e andou por todo o reino e a floresta à sua volta, até que ela ficou cansada e sentou para descansar sob uma antiga árvore. Ela estava tão cansada que acabou dormindo. Mas não muito após fechar seus olhos ela descobriu que entendia a fala dos pombos que se equilibravam nos ramos sobre ela. Quando ela abriu seus olhos, a fala deles soava apenas como a dos pássaros, mas quando ela fechou seus olhos mais uma vez, a linguagem dos pombos era clara para ela, e ela os ouviu dizer: “O príncipe foi ferido, e é impossível encontrar o caminho até seu palácio sem um mapa. E onde um mapa pode ser encontrado? Somente nas folhas desta árvore.”
Então a princesa levantou-se de uma só vez, e puxou uma das folhas da árvore. E quando olhou para ela, leu-a como um mapa. Ela viu onde estava na floresta, e o caminho que deveria tomar para emergir daquele labirinto, e como ela poderia encontrar o palácio onde o príncipe ferido aguardava para ser curado. Após isto ela seguiu o mapa diretamente para aquele reino. Lá ela se disfarçou como um homem, e apresentou-se como um doutor diante do rei. O rei advertiu-a que trinta e nove doutores haviam previamente tentado curar o príncipe, e que todos haviam falhado e sido mortos. O destino deste doutor seria o mesmo dos outros se ele não for bem sucedido.
A princesa disfarçada concordou com aqueles termos, mas requereu que ela fosse deixada a sós com o príncipe. Tão logo ela adentrou o quarto do príncipe e o avistou adormecido em sua cama, ela foi vencida pela emoção e quis abraçá-lo. Mas, lembrando de seu propósito, ela colocou as cordas do arco do Violino de Elias nas chamas do braseiro, e tão logo elas começaram a queimar, as feridas do príncipe se curaram, e ele abriu seus olhos e viu a princesa, que tinha despido sua fantasia. Então ela chamou o rei e a rainha, que estavam estáticos por perceberem que o príncipe havia se recuperado, e eles concordaram que o príncipe e a princesa deveriam ficar noivos. E foi assim que eles vieram a se casar e viverem juntos em grande prosperidade, paz, e virtude por todos os dias de suas vidas, e muitos foram os tempos em que as melodias do Violino de Elias foram ouvidas se espalhando sobre a terra.


Fonte: Egito
Tradição Oral

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Conto de Fado

O pecado deles é aprisionar o anjo, deixando-o perecer. E eles acham que isso garantirá um ao outro. Mas o anjo que perece fortalece sua ira, e escapa. Arromba os portões da fortaleza da morada do afeto deles, e cambaleante tenta encontrar um pico propício para alçar novos vôos, de telhado em telhado. Eles então percebem que o anjo se liberta e tem medo. Temem que o anjo caia e se espatife ao chão. Então eles unem esforços como nunca antes para capturarem-no e prenderem-no novamente. E feito dois gatos safados eles sobem no muro antigo construído por eles mesmos antes que a lembrança pudesse recordar. Pequeninos eles se dependuram no muro, e o muro desaba, esmagando-os. O muro tornara-se um único tijolo, e eles dois pombos. Então a mãe morena de um deles se desespera. Então a mãe loira de outro deles age.

O amor deles é uma enorme borboleta azul com corpo felino, e corteja-os firmemente, sem-vergonha e impúdica e descarada. Bate as asas sob o calor do sol criando ventos que os conduzem a caminhos que se cruzam, e prostra-se galante refletindo a luz que permite enxergar um no outro aquilo que desejam em si mesmos.

A lembrança dele é um baile suntuoso, onde ela dançou brincando e venceu de verdade. E ela foi a lua vestida de azul real, alva e luxuriante, com a máscara de um leão. A queixa dela é um telefone que liga o céu e o inferno, desmentindo e justificando o leão sem máscara.

Ela vai caminhar pelas ruas do mercado, e procurará o tempo que reluz, e não encontrará um que ressoe com aquele que ela procura. Ela vai procurar a lição da história não vivida.

Ele vai viver o aprendizado na história que jamais procurou.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Nebulosidade

Estou aprendendo a não fluir, estou aprendendo a não chorar, a sorrir mesmo quando estiver triste, a me esconder de mim mesma.

Quero aprender a controlar minhas vontades como controlo minha fome, pra deixar ele de lado e me colocar no centro novamente. Eu sou minha mãe e minha filha, e tenho que aprender a me amar e nutrir antes de amar outra pessoa, pra não ficar fraca se não me sentir amada por essa pessoa um dia, ou dois, ou três...

Eu sei que vou superar a perda, porque ela me permitirá conquistar um pedaço de mim mesma que eu desconheço, mas sei que necessito. Confesso que eu quero tê-lo comigo, mas o orgulho não aceita ser ferido, e não terei como amante nem como amigo.

Mas eu também vou, apesar da realidade cortante, ter um pensamento constante, de no destino ser confiante.

Vou deixar nas mãos do D'us que eu não conheço, o que o meu coração guarda com apreço.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O Calor que Brilha no Escuro

A luz apagada e o brilhar da ousadia
O abandono da roupa e o revestir da fantasia
Lado a lado a respiração se ouvia
O prazer secreto oculto dos olhos do dia

Devolvi-me aos teus braços
Eu presa em teus laços
Ambicionando o abraço
Que flui sem embaraço

Sobre o meu corpo o teu
E o meu corpo todo seu
No encontro do desejo e do breu
Prazer oculto envolveu

Minha boca deleitava
A delícia que ornava
Do teu membro que ostentava
O poder que me alinhava

Mas o desejo que é alimentado
Não é tão facilmente saciado
Como é fomentado
O apetite alvoroçado

E o modo como sua língua minhas curvas percorria
Exacerbando a alegria
Do corpo que explode e extasia
Ardendo na noite mais fria

Segura minhas ancas como só você sabe
E guia o meu prazer com rédeas de ouro
Cavalga os meus sentidos até a distância do infinito
E traz o néctar mais profundo para brindar o nosso amor

Luxuriante e fecundo
O fundir que nos conecta num segundo
E penetra o aconchego rotundo
Entre o gozo que nos arrebata do mundo

segunda-feira, 16 de março de 2009

Virtude, Justiça, e Gratidão

É preciso olhar com os olhos de uma criança e perceber as coisas boas que o Senhor nos proporciona, e saber que quando não as enxergamos é porque estamos cansados e não procuramos a fonte da força que é o Altíssimo. As coisas que o Senhor nos reservou a nós justos são grandiosas e capazes de nos suprir e garantir que a fé construa a realidade perfeita, que é o reflexo de seu Reino na carne.

O Senhor é justo, e os virtuosos são gratos por isto. Porque Ele nos faz capazes e pensantes para sermos capazes de cultivar tudo aquilo que necessitamos e colher, e assim nunca haverá tempo de fraqueza nem fome, porque se a terra não da os frutos, nós podemos cultiva-los, podemos aprender a nos guiar pela criação, e criar. Nós somos a imagem e semelhança daquele que é a Mente Perfeita que só projeta perfeição.

Não projetemos n'Ele limites ou modéstia, porque isso são reflexos de nossas inseguranças quando estamos cansados.

Sejamos fortes, porque temos força, sejamos amáveis, porque une e fortalece ainda mais, sejamos virtuosos porque somos imagem e semelhança d'Ele.

Sempre há a redenção de nós mesmos através da consciencia divina que habita em nós, cujo despertar é a unção crística d'Ele para conosco enquanto seus filhos, coroa de sua criação.

Se pecado é restrição, e pecado aprisiona, sejamos livres. Se a alegria restringe, então que ela seja trabalhada para ser verdadeira, pois a alegria liberta, e alegre é aquele que é virtuoso, pois ao seu lado é o favorecimento do Senhor em seu julgamento.

Sejamos gratos por tudo isto, e pacientes, porque a paciencia é a arte do sábio, que sabe esperar o tempo certo para plantar e para colher as coisas boas que o Senhor nos permite cultivar.

Amém.
LML

sábado, 14 de março de 2009

Vivisecção

Eu fecho os olhos para o dia claro do corpo, e os abro para a noite escura da alma, e então toda sorte de atrocidades e viceras e nojos me é revelada, para que eu compreenda:


A obra é a essência do artista, ou o artista é essencialmente uma obra de arte?

Deus é o potencial criativo livre da realidade física e da realidade emocional do Homem. O Homem cria seres animados, as máquinas.
A ave voa, mas será que ela observa a paisagem?
O Homem é o único animal capaz de experimentar a beleza por prazer, livre de motivações instintivas ou de sobrevivência. A não ser que seja instintivo do Homem fazê-lo, e se isso não é coisa de animais, é coisa de Deuses.
Por ser um potencia manifesta a um nível além das limitações físicas biológicas e orgânicas, a Mente Criativa no Homem é Deus, e tudo pode sobrepujar. O Homem é frágil, mais suscetível ao clima e mais facilmente agredido por seu ambiente do que os animais, mas mesmo assim ele povoa todos os cantos do planeta. O Homem não tem asas, mas voa; não tem guelras mas mergulha, ET Cetera.

O que torna tudo isso possível é a Fé Verdadeira. Que consiste em acreditar na possibilidade daquilo que se almeja por prazer mais que por necessidade, e acreditar sem limites, sem se deixar dominar pelo medo ou pela dureza da realidade concreta, porque não importa quão dura for essa realidade, a matéria prima para todas as grandes realizações que a podem tornar mais flexível e prazerosa são provenientes dela.

Deus é o Homem liberto e transcedido de sua realidade animal. O Diabo é o homem preso e limitado pela mesma.

Mas e quanto ao Espírito, à Alma?
O espírito é o sopro, o ânimo, a espectativa, e depende do físico para se manter. A Alma é a personalidade emocional/sentimental do corpo animado (dotado de Espírito).

Mas o Intelecto é a razão das coisas serem como são. A Alma é o motivo, e o Espírito é o impulso.
O Intelecto possibilita a sustentabilidade das coisas, e sem Ele nada seria passível de realização bem-sucedida. Se não houvesse Inteligência no processo de Criação, se ouvesse apenas emoção, nada seria tão milimetricamente perfeito, e organizado, e calculável. E essa inteligência primordial e incorpórea e inanimada, é Deus, e criou o Homem só pra poder comtemplar a si mesma em suas criações, e poder deleitar-se nelas. Deus é a experiência do prazer sublime, não por simples Instinto de Sobrevivência, mas por Amor.

Concluo que, a Inteligencia Emocional e o Raciocínio Lógico são pares em importância. Mas não em questão da ordem que elas precisam ocorrer. Se a Inteligencia Emocional mantém as coisas criadas em Equilibrio, o Raciocínio Lógico é necessário para organizar e combinar os elementos brutos a fim de possibilitar a consciencia ter uma casa, uma casa de espelhos onde são refletidos e multiplicados graficamente os potenciais no desenrolar dos acontecimentos, suas proporção e noção de harmonia. Portanto, se Deus fosse passional antes de ser lógico, ele não Existiria. Portanto nada tenho que temer. Deus esteve no Inferno antes de mim e mesmo assim a tudo projetou e foi bem-sucedido. E os Homens tem o Diabo no Céu de suas vidas, e estão vivendo e se superando. Eu já venci em Deus, e ele há de vencer em Mim.

Escrito por mim.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Ordálio

Quanto mais preciosas as pessoas
Mais severo é o processo de lapidação das mesmas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fatalidade

D'us me fez amável e amorosa
D'us fez o amor para curar
D'us fez o homem para machucar

D'us me fez forte
Para resistir à dor
E aguentar a alegria

D'us me fez sensível
Para engolir o choro
E exaltar o sentimento

D'us me fez mortal
Para sofrer as delícias do viver
E temer a morte

D'us me fez assim mal feita
Para ser bondosa
E amar os que não são

E o que fiz eu, deste D'us Supremo
Para compreender seus desígnios de tal maneira
Que o sofrimento seja a polpa dos frutos que eu deleito?

Que fiz eu antes de nascer
Que possa ser lembrado e concertado
Que possa mudar o rumo da morte?

Que fiz eu
Senão ser feita
Imperfeita?

Se alguém ama a perfeição
Ama então o desconhecido
E conhece quem não ama

Mas eu amo o que conheço com perfeição
Eu amo os excessos e as faltas
Amo desenfreada e loucamente e sangrante

Amo feito o D'us
Que mesmo imperfeita
Me manteve como um potencial de perfeição até o fim dos seus planos, e até o início dos meus.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Percurso

O meu corpo que caminha
Este corpo que se deita
Este corpo mesmo quando se cansa
Quer ser percorrido, quando encontra o seu

O meu sentido que explode
Nste corpo que pulsa
Este corpo quando se acende
Esquenta até se fundir, quando encontra o seu

O meu corpo material
Este atestado físico de limitações carnais
Esta sombra certeira que convida
Pode brilhar e vislumbrar a infinitude de possibilidades, quando encontra o seu

O meu desejo secreto
Nesta mente que voa
Esta vontade vociferante nos lábios fechados da inocênciaa
Denuncia a si mesma sua vontade de conhecer o pecado que liberta, quando pensa em você

Na luz
A percepção se aguça em rendimento ao prazer
E até mesmo no escuro
Tateia a paixão escaldante, quando te sente

E o percurso do prazer é guiado pelas suas mãos douradas
Como se enxergassem as rédeas invisíveis da voracidade que espreita em meu olhar
Que devora o tempo na viajem para o sonho que desperta onde a realidade se alimenta feito um néctar que escorre pela paisagem dos nossos corpos se encaixando
Com a fome de mil leões e o calor de mil sóis

A força dos continentes se abraçando
A determinação dos mares
O equílibrio das estações
Tudo isso eu aprecio com a intensidade das estrelas explodindo no espaço, por estar ao seu lado

sábado, 31 de janeiro de 2009

Sophisticaction

O mundo bagunçado e quase limpo permite que as pessoas sejam menos exigentes consigo mesmas, já que não é preciso esforço algum para olhar a volta das mesmas e apontar ou criar um problema a outrem que seja maior que os seus próprios. O mundo é caótico e sempre tem novidades que são mais do mesmo, e iludem muito bem.

Podem me incriminar, mas eu acredito que o mundo vem caminhando para um rumo de simplicidade extrema e super valorização do essencial, que pode incomodar algumas pessoas, principalmente aquelas que gostam de problemas (não os delas, mas de causá-los aos outros).

Agora imaginemos um mundo limpo e organizado, um mundo monótono talvez a primeira vista, mas com pessoas práticas e vivazes. Um mundo enredado num sistema que integre cada um e não castre a noção de individualidade através da capacidade de desenvolver-se plenamente dentro de suas próprias aptidões. Um mundo onde a ciência seja livre e a expêriencia surreal não seja prioridade de quem não quer, mas sim uma escolha dos que querem.

Nota-se uma neutralização do feminino, e uma feminização do masculino, no que diz respeito à evolução dos padrões lançados por uma elite de pessoas brilhantes, cujos trabalhos são capazes de manipular a forma como as pessoas se apresentam. Seja em suas roupas, suas edificações, seus automóveis, seu lazer, seus valores, suas imagens, etc. O design limpo e harmonico e minimalista figura como uma solução à complexidade da mente humana em querer expressar-se cada vez de maneira mais eficaz e direta.

Keep Going World!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sintetização da Feiúra (da Beleza Sintética)

"...feiúra é a provocação e projeção de fantasias inconscientes que alteram o sentido da experiência estética, de modo que as qualidades formais da experiência - suas forma, textura, e cor - tornam-se o que experienciamos como sendo fontes das sensações mais perturbadoras e repulsivas."

"...a feiúra pode proporcionar para o psicoanalista e o artista uma oportunidade: ele ou ela confronta a feiúra, e, através do processo criativo e/ou psicanalítico, dá forma e perfeição para a desintegração e desordem. Desta maneira, a feiúra finalmente sucumbe à beleza."
(trechos do livro Aesthetic Experience - Beauty, Creativity, And the Search for the Ideal; de George Hagman)



Entendendo o que é feio, compreendemos o que a beleza não é.
E beleza não é fantasia, é natureza;
E beleza não é excesso, é harmonia;
E beleza não é confronto, é conforto;
E beleza não é busca, é imanência;
E beleza não é pecado, é santidade.

Artifícios podem ser belos, mas não são suficientes para embelezar, eles complementam, mas não transformam nem justificam. Se precisamos fantasiar algo, é porque esse algo não nos satisfaz por si só, porque não encaramos a realidade (natureza) como perfeita (harmonia) e confrontamos o exterior (desconforto) por não estarmos sintonizados com a beleza do mundo que há dentro de nós (imanência) com o mundo que nós estamos dentro. Com esta noção o sábio reconhece a santidade e o imundo acusa o pecado.

Entretanto, pode-se confundir o que é artifialmente atrativo (por conta de excesso, embriaguez dos sentidos, etc) com a beleza real (aquela que proporciona a experiencia estética sem perturbação ou culpa próprios). Se isto ocorre, as sensações proporcionadas pela apreciação da mesma (experiencia estética), de completude e liberdade, nos fará sentir imperfeitos (incompletos) e cativos (privados de liberdade).

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-