segunda-feira, 13 de abril de 2009

Conto de Fado

O pecado deles é aprisionar o anjo, deixando-o perecer. E eles acham que isso garantirá um ao outro. Mas o anjo que perece fortalece sua ira, e escapa. Arromba os portões da fortaleza da morada do afeto deles, e cambaleante tenta encontrar um pico propício para alçar novos vôos, de telhado em telhado. Eles então percebem que o anjo se liberta e tem medo. Temem que o anjo caia e se espatife ao chão. Então eles unem esforços como nunca antes para capturarem-no e prenderem-no novamente. E feito dois gatos safados eles sobem no muro antigo construído por eles mesmos antes que a lembrança pudesse recordar. Pequeninos eles se dependuram no muro, e o muro desaba, esmagando-os. O muro tornara-se um único tijolo, e eles dois pombos. Então a mãe morena de um deles se desespera. Então a mãe loira de outro deles age.

O amor deles é uma enorme borboleta azul com corpo felino, e corteja-os firmemente, sem-vergonha e impúdica e descarada. Bate as asas sob o calor do sol criando ventos que os conduzem a caminhos que se cruzam, e prostra-se galante refletindo a luz que permite enxergar um no outro aquilo que desejam em si mesmos.

A lembrança dele é um baile suntuoso, onde ela dançou brincando e venceu de verdade. E ela foi a lua vestida de azul real, alva e luxuriante, com a máscara de um leão. A queixa dela é um telefone que liga o céu e o inferno, desmentindo e justificando o leão sem máscara.

Ela vai caminhar pelas ruas do mercado, e procurará o tempo que reluz, e não encontrará um que ressoe com aquele que ela procura. Ela vai procurar a lição da história não vivida.

Ele vai viver o aprendizado na história que jamais procurou.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Nebulosidade

Estou aprendendo a não fluir, estou aprendendo a não chorar, a sorrir mesmo quando estiver triste, a me esconder de mim mesma.

Quero aprender a controlar minhas vontades como controlo minha fome, pra deixar ele de lado e me colocar no centro novamente. Eu sou minha mãe e minha filha, e tenho que aprender a me amar e nutrir antes de amar outra pessoa, pra não ficar fraca se não me sentir amada por essa pessoa um dia, ou dois, ou três...

Eu sei que vou superar a perda, porque ela me permitirá conquistar um pedaço de mim mesma que eu desconheço, mas sei que necessito. Confesso que eu quero tê-lo comigo, mas o orgulho não aceita ser ferido, e não terei como amante nem como amigo.

Mas eu também vou, apesar da realidade cortante, ter um pensamento constante, de no destino ser confiante.

Vou deixar nas mãos do D'us que eu não conheço, o que o meu coração guarda com apreço.

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-