domingo, 31 de maio de 2009

Hekas Hekas Este Bebeloi

Todas as manhãs eu mato uma garota em mim. Se eu não a matasse ela morreria do mesmo jeito, mas é a sensação que eu busco, não de perda, mas de capacidade.
Todas as tardes eu ultrapasso a fronteira de mim mesma, por mim mesma, em mim mesma.
Todas as noites eu me deito comigo mesma, não importa se algumas vezs eu me veja em outro corpo, ou me chame por outro nome, me deito por mim mesma, para mim mesma, comigo mesma ou com outros.
Todos as semanas eu esqueço de contar os meses, e todos os meses eu esqueço de situar os anos, eu nem lembro quanto dura cada um, com excessão das semanas, mas não sei quando elas acabam ou terminam. Agora não da pra esquecer o que acontece comigo, quando eu acabo ou começo algo, isso sim tem importancia, onde eu me situo, e se estou bem situada em mim mesma, por mim mesma, para mim mesma.

I
O resto é você, o luto interminável por seus amores que não te pertencem, e a derrota constante em suas batalhas sem sentido.

II
A gosma e as folhas secas, a falta de habilidade e a confusão de uma lesma que acredita ser uma borboleta. Ah, e também seu espelho fosco que almeja refletir o meu brilho. Você é modesta, eu sou excessiva e transbordante e muitas. Você é metade, eu sou toda. Você é amada por piedade, eu por paixão. Você é a ferrugem, e eu o ouro, você o vidro e eu o diamante, você a lesma, e eu a lagarta. Você vai engordar mais, eu vou voar. :)

sábado, 9 de maio de 2009

Só sei que nada sei... sabendo.

...como pode um ser apresentar padrões comportamentais que ultrapassam em propósito e efeicácia sua capacidade cerebral?

como pode uma borboleta mimetizar os olhos de uma ave de rapina em suas próprias asas de modo a intimidar prodadores? como pode o mesmo uma rã em suas costas? como pode tudo na natureza ser tão lógico e perfeito e único ao mesmo tempo? se isto não for deus, então eu não sei o que é isto, nem o que deus é.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Violino de Elias

Extraído do livro "Elija's Violin & Other Jewish Fairy Tales - Selected and Retold by Howard Schwartz - Illustrated by Linda Heller", e traduzido por mim. Espero que adorem, risos.

Era uma vez um rei que tinha três filhas. E ele as amava muito, mas um dia ele teve que deixá-las para ir à guerra. Antes de partir ele falou com suas filhas e disse: “Se eu for vitorioso nesta guerra, eu trarei a cada uma de vocês um presente. Digam-me, o que vocês gostariam?” A mais velha falou e disse: “Eu gostaria de um diamante na forma de uma estrela”. E a segunda filha disse: “Eu gostaria de um vestido tecido em ouro puro.” Mas a mais nova disse: “Eu apenas desejo que você venha para casa a salvo da guerra.” O rei ficou feliz em ouvir isto, e disse: “Obrigado, filha, pelo seu bom desejo. Mas você deve me pedir para trazê-la algo, como suas irmãs fizeram. Pense no que irá pedir por três dias, e então antes que eu parta conte-me o que deseja.”
Então a filha mais nova estava sentada sozinha em uma rocha próxima ao lago fora do palácio, quando apareceu diante dela uma velha mulher, que perguntou a ela: “O que há de errado, criança?” E ela respondeu: “Eu não sei qual presente pedir a meu pai, o rei.” A velha disse: “Você deve pedir ao seu pai o Violino de Elias.” Então a princesa concordou que seria esta sua demanda.
No terceiro dia o rei disse a sua filha: “Qual presente você decidiu?” E a princesa respondeu: “Eu gostaria que me trouxesse o Violino de Elias.” O rei concordou e partiu à guerra.
Então o rei levou suas tropas à vitória em cada batalha, e após seu triunfo ele procurou e encontrou os presentes para suas duas filhas mais velhas, o diamante em forma de estrela e o vestido dourado, mas não pode achar o Violino de Elias em todo lugar. O rei perguntou a seus generais se eles sabiam onde ele poderia ser encontrado, mas nenhum deles havia ouvido falar em qualquer dos países que haviam combatido. E perguntou a seus sábios, mas nenhum deles havia lido dele em qualquer livro. E ele perguntou a seus adivinhos, mas nenhum deles pode encontrá-lo nas estrelas. Então o navio do rei partiu, e viajou até que chegasse à terra. O rei ordenou seu time para ancorar ali, para ver se o Violino de Elias poderia ser encontrado naquele lugar. E desta maneira ele embarcou em uma longa busca, que o levou aos quatro cantos do mundo. Após muitas pesquisas e tribulações, ele chegou até um velho homem que vivia em uma caverna, e o velho disse: “O Violino de Elias está na possessão do rei deste país.” Ele também disse que o rei tinha uma filha aprisionada em pedra e quem quer que libertasse sua filha da pedra seria ricamente recompensado. Então o velho deu ao rei três longos fios de cabelo e disse: “Estes três fios são do arco do Violino de Elias. Queime-os quando você estiver na presença da princesa.”
O rei agradeceu ao velho, e tomou os três fios do arco do Violino de Elias, e colocou-os a salvo. Então ele perguntou ao velho o que teria que lhe dar em retorno. E o velho disse: “haverá um dia quando você me retribuirá plenamente, pois sua filha libertará melodias aprisionadas.” E o rei maravilhou-se com isto, e disse: “Diga-me, velho homem, qual é o seu nome?” O velho respondeu: “Meu nome é Elias.” E então o velho retornou às sombras da caverna, e o rei partiu para resgatar a princesa que estava aprisionada na pedra. Quando o rei aproximou-se do palácio onde a princesa de pedra vivia, ele advertiu seus generais e sábios e adivinhos, que ele preferia proceder sozinho, e que eles deveriam acampar ali e esperar por ele. E quando ele chegou aos portões do palácio e anunciou que seu propósito era libertar a princesa aprisionada, ele foi dado a uma audiência com o rei e a rainha de uma vez. Pois eles haviam deixado ordens para que se alguém se oferecesse para libertá-la nenhum seria recusado, mas este alguém que falhasse seria morto. Naquele mesmo dia o rei visitante foi levado até a presença da princesa.
E foi um grande choque para ele ver a princesa, pois ela parecia estar viva e morta ao mesmo tempo, como se ela fosse uma escultura viva. Mas muito maior foi sua surpresa quando ela começou a falar – pois o encantamento sob o qual ela havia caído, permitia-a o poder da fala mas nenhum outro. Enquanto a princesa estava falando, era como se ela estivesse viva. Mas quando ela ficava em silencio, era como se ela tivesse se tornado pedra por inteiro. Ele não pode agüentar seu silencio, e então perguntou-a: “Diga-me, como aconteceu que você tornara-se em pedra?”
A princesa respondeu: “Um dia eu estava caminhando pelo palácio, e cheguei a uma escadaria que nunca havia sabido da existência antes, e eu subi até chegar em uma sala onde havia um espelho com uma moldura dourada. Conforme eu permaneci diante dele, minha imagem refletida veio a fora do vidro e forçou-me a ficar em seu lugar la dentro. E desde então eu encontro-me tornada em pedra, com apenas meu poder de falar restando. Nenhum soube como me libertar. Desde então há noticias de que alguém que se parece exatamente como eu, e clama ser eu, é vista no reino, mas some como uma sombra se alguém se aproxima demais.” E então a princesa ficou em silencio, e era o silencio de pedra.
O rei lembrou-se dos fios do arco do Violino de Elias que o velho havia lhe dado, e pegou-os e colocou-os no fogo o suficiente para manter a sala aquecida. Então a frieza da sala pareceu dissolver-se, e ao mesmo tempo a princesa petrificada tornara-se carne e sangue novamente. E o rei que a havia libertado disse a ela: “Agora que você foi liberta deste encanto, sua imagem refletida certamente retornou ao seu lugar no espelho. Para mente-la lá você deve vendar-se e pegar uma pedra e quebrar o vidro. Desta maneira sua imagem refletida permanecerá neste mundo de reflexões, e não tomará seu lugar neste mundo de novo.” A princesa prometeu que faria isto, e fez antes que o dia terminasse. Seu pai, o rei, estava tão grato que contou ao rei que havia quebrado o encanto que este poderia obter qualquer presente de sua escolha. Nem o fez recusar o Violino de Elias, pois este ele pediu como sua recompensa.
Agora que o rei havia reunido os presentes para todas as três de suas filhas, ele viajou com seus soldados direto para casa. E por que os ventos estavam com eles, isto levou apenas sete dias, e quando o rei chegou deu os presentes às suas filhas. As duas primeiras tomaram seus presentes e imediatamente foram prová-los, mas a mais nova abraçou seu pai primeiramente, e então levou o violino ao seu quarto. E assim foi como a princesa que era a filha mais nova do rei veio a possuir o Violino de Elias.
Então logo que a princesa abriu a caixa do violino, o que ela encontrou? Um pequeno, perfeitamente entalhado que havia sido preservado por muitos séculos, e próximo a ele um aro. E quando ela encostou o arco nas cordas, uma clara melodia apareceu, fluentemente. E enquanto ela tocava o violino, parecia que o violino estava tocando a si mesmo, como se tivesse muitas melodias estocadas, que procuravam emergir de dentro, e mesmo antes de ela terminar de tocar o violino apareceu diante dela um lindo jovem, que perguntou a ela: “Porque você me trouxe a este lugar?”
A princesa estava maravilhada ao vê-lo, e disse: “Mas como você entrou neste quarto?” Ele mostrou-a a janela pela qual ele havia entrado. Então a princesa perguntou: “Mas de onde você veio?” A que o jovem respondeu: “De muito longe.” E a princesa perguntou: “E então como você chegou a este lugar?” O jovem respondeu: “A musica do violino me trouxe até aqui.” Nem a princesa o perguntou mais do que aquilo, pois ela entendeu de uma vez que o violino que ela havia tocado era encantado, e que ela e o príncipe, pois ele era um príncipe, haviam sido unidos através de sua mágica.
Depois daquilo, a princesa levaria o Violino de Elias onde quer que ela sentisse falta do príncipe, e toda vez que ela o tocasse, o príncipe retornaria assim que as melodias flutuasse para fora através da janela. Ao menos antes que eles trocassem alianças e prometessem serem noivos.
Então aconteceu, após algum tempo ter passado, que a irmã mais velha da princesa ouviu ela falando com o príncipe em seu quarto. Ela logo foi até a segunda irmã, e disse: “Alguém está visitando nossa irmã em seu quarto.” Elas decidiram procurar no quarto para ver o que poderiam encontrar, então elas persuadiram a princesa mais jovem para ir tomar banho com elas. Quando elas chegaram lá, a mais velha disse que havia esquecido seu sabonete, e partiu para encontrá-lo. Mas invés disso ela foi até o quarto de sua irmã e lá começou a procurar. Quando ela encontrou o anel do príncipe ela o pegou e quebrou a janela através da qual o príncipe entrava no quarto. E quando ela viu o estojo do violino, ela o abriu e começou a tocar, mas a melodia que emergiu foi uma obscura, cheia de pesar. E assim que a musica preencheu a atmosfera, o príncipe foi obrigado a aparecer. Ele quis entrar pela janela quebrada, mas se feriu com os cacos de vidro e foi forçado a retornar. Quando a princesa mais jovem retornou do banho, ela pode sentir qe algo acontecera em seu quarto, mas ela não pode saber o que era. Então ela pegou o Violino de Elias e começou a tocar, mas desta vez o príncipe não apareceu. Então ela viu que a janela estava quebrada, e que haviam três gotas de sangue na cortina. Quando ela reconheceu que suas irmãs poderiam ter descoberto seu segredo, e feito mal ao príncipe, a princesa ficou muito triste e deixou o palácio para sentar na pedra perto do lago. Enquanto ela estava sentada, a velha mulher apareceu, e perguntou a ela o que havia acontecido. A princesa contou a ela tudo o que havia ocorrido, e a velha disse: “Finja-se de doente, então o doutor ordenará que ninguém seja admitido em seu quarto até que você esteja melhor. Enquanto isso, você deve partir para encontrar o príncipe que está ferido, pois apenas você pode curá-lo. Para fazer isto você deve arrancar três cordas do arco do Violino de Elias, e levá-las com você. Então você deve queimá-las quando estiver na presença do príncipe.” A princesa fez como a velha disse, e o doutor ordenou que ninguém fosse admitido em seu quarto. Ela então partiu em uma busca para encontrar o príncipe ferido, para que ela pudesse curá-lo.
E aconteceu que a princesa andou e andou por todo o reino e a floresta à sua volta, até que ela ficou cansada e sentou para descansar sob uma antiga árvore. Ela estava tão cansada que acabou dormindo. Mas não muito após fechar seus olhos ela descobriu que entendia a fala dos pombos que se equilibravam nos ramos sobre ela. Quando ela abriu seus olhos, a fala deles soava apenas como a dos pássaros, mas quando ela fechou seus olhos mais uma vez, a linguagem dos pombos era clara para ela, e ela os ouviu dizer: “O príncipe foi ferido, e é impossível encontrar o caminho até seu palácio sem um mapa. E onde um mapa pode ser encontrado? Somente nas folhas desta árvore.”
Então a princesa levantou-se de uma só vez, e puxou uma das folhas da árvore. E quando olhou para ela, leu-a como um mapa. Ela viu onde estava na floresta, e o caminho que deveria tomar para emergir daquele labirinto, e como ela poderia encontrar o palácio onde o príncipe ferido aguardava para ser curado. Após isto ela seguiu o mapa diretamente para aquele reino. Lá ela se disfarçou como um homem, e apresentou-se como um doutor diante do rei. O rei advertiu-a que trinta e nove doutores haviam previamente tentado curar o príncipe, e que todos haviam falhado e sido mortos. O destino deste doutor seria o mesmo dos outros se ele não for bem sucedido.
A princesa disfarçada concordou com aqueles termos, mas requereu que ela fosse deixada a sós com o príncipe. Tão logo ela adentrou o quarto do príncipe e o avistou adormecido em sua cama, ela foi vencida pela emoção e quis abraçá-lo. Mas, lembrando de seu propósito, ela colocou as cordas do arco do Violino de Elias nas chamas do braseiro, e tão logo elas começaram a queimar, as feridas do príncipe se curaram, e ele abriu seus olhos e viu a princesa, que tinha despido sua fantasia. Então ela chamou o rei e a rainha, que estavam estáticos por perceberem que o príncipe havia se recuperado, e eles concordaram que o príncipe e a princesa deveriam ficar noivos. E foi assim que eles vieram a se casar e viverem juntos em grande prosperidade, paz, e virtude por todos os dias de suas vidas, e muitos foram os tempos em que as melodias do Violino de Elias foram ouvidas se espalhando sobre a terra.


Fonte: Egito
Tradição Oral

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-