quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Arte do Reino de Ife

Obras de Arte provenientes do Reino de Ife, que floresceu entre os séculos 12 e 15 onde se encontra a atual Nigeria, que forçaram o Ocidente rever suas atitudes e pontos de vista acerca da Arte Africana.

O antropologo aventureiro alemão Leo Frobenius tomou conhecimento sobre um certo reino mitico de Ife, e decidiu no ano 1908 ir até ele, mas somente em 1910 que o antropólogo chegou em Ifé, e neste mesmo ano as famosas esculturas realmente vieram a luz. Em tres semanas de escavações no bosque sagrado ele econtrou enterradas esculturas de terracota (argila cozida em forno).

-Terracotas de Ile Ife


Juntamente com estes exemplares de terracot
a ele encontrou o que viria a ser o primeiro dos muitos outros exemplares de bronze. Era a cabeça de Olokun, o Rei do Mar, que estava sob a posse de uma pessoa da cidade. Ela era tão linda e sofisticada que Frobenius pensou ser impossivel ela ter origem africana, devido a mentalidade racista de sua epoca, e ele pensou que fosse de Origem Grega ou Indo-Européia. E por causa do fato dos Ioorúba terem uma deidade do mar ele identificou o Reino de Ife como sendo possivelmente o Reino perdido de Atlântida.


-Cabeça de Obalufon e cabeça de Olokun



O que chamou mais a atenção foi o incrível realismo que concedia aos exemplares uma vivacidade que não estava presente nas obras da Europa na mesma epoca.











-Exemplo de Arte medieval Europeia do mesmo periodo, escultura de Richard Segundo.


Ele chegou a publicar essas ideias racistas e eurocentricas no "The Illustrated London News", em 1910, sob o titulo "Misteriosas Cabeças de Bronze de Ife: Arte Africana Digna de ser classificada com os objetos de Arte da Italia e da Grecia". Ideias essas que mais tarde foram descartadas como hipotese devido a outras descobertas de exemplares de bronze mais antigos escavados em 1939, esses do seculo 10, provando que era uma tradição africana autonoma.

Descobriu-se depois que alguns desses exemplares eram feitos quase unicamente de cobre puro, os europeus não sabiam como fundir cobre dessa forma nesta epoca.

Foi este um período dourado na cultura de Ifé, interrompido pela realidade de escravidâo e dos conflitos entre as diferentes etnias e reinos africanos, e depois continuada pela escravidão além do continente (a diáspora africana). Devido a esses lamentáveis acontecimentos da época, o que seria feito em seguida pelos artistas de Ife se essas catastrofes humanas não tivessem ocorrido, não sabemos.

O povo de Ife consiste em uma das etnias mais populosas da Africa Ocidental, os Iorúba. Os mesmos que trouxeram ao nosso Brasil o culto e a cultura relacionada aos Orixas.

Muitas pessoas pensam que a Africa não tem Historia nem grandeza, alem da Egípcia e da Núbia. Estas obras de arte nos mostram que ha mil anos a Africa contava com uma importante e sofisticada cultura urbana, as pessoas nao viviam apenas em vilarejos mas sim em grandes centros comerciais e urbanos. Comerciavam atravessando o Saara para chegar ao mediterraneo. A Africa forma uma grande parte do nosso mundo e tem feito parte de sua Historia, embora muitos nao queiram que todos tenham consciencia disso. A Africa não foi e nem e apenas escravidão e miseria, ela foi e tem sido realeza, nobreza, desenvolvimento, pra quem sabe e quer focar a parte certa da coisa, rs.

E não
temos apenas esse exemplo de Ife para atestar isso de uma vez por todas, temos a cultura Nok, o Reino do Zimbabue, e muitos outros.



Mais Arte de Ife

























domingo, 26 de dezembro de 2010

Aleatorio






Manipulação que fiz de uma fotografia da escultura sem titulo de Amy Podmore.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A Invencibilidade da Vida

Como poderiamos melhor caracterizar a natureza da nossa biosfera, como Gaia ou como Medeia?


Estes dois termos foram utilizados por duas correntes de pensamento diferentes. A corrente de Gaia possui uma visão de que a vida se desenvolve de modo a se auto-preservar, enquanto a de Medeia afirma que historicamente a vida aprensentou uma tendencia auto-destruir.

Eu particularmente caracterizaria a natureza da biosfera como ambivalente. Ela pode ser observada sob uma lente maternal, mas possui um lado feroz.

Acredito e entendo que essa minha visão faça sentido apenas se partirmos do ponto de que o conceito de vida não pode ser compreendido separada ou fragmentadamente. Vida seria o conjunto interdependente que compoe o todo dentro do sistema, sem uma forma ser
essencialmente mais importante que outra.

Ao meu ver o aspecto Medeia não anula o aspecto Gaia, ja que por mais catastroficos que possam ser, ou que foram, os acontecimentos que levaram a grandes extinções, a vida não se extinguiu. Não importa se pareça injusto sob um ponto de vista antropocentrico que nossa especie seja extinta em aparente detrimento de uma outra menos complexa, e o mesmo com relação ao que ja ocorreu ao longo da historia da vida no nosso planeta.

Agora vou divagar um pouco sobre conceitos sobre os quais eu não possuo uma compreenção verdadeira, apenas ideias...

Os outros planetas teluricos onde as temperaturas são muito quentes ou muito frias, ou onde o ambiente seja inospito para a vida. Nestes planetas, poderia a atividade vulcanica ser entendida como um processo dinamico de vida/animação?

Poderiam esses planetas ser considerados entes vivos/animados, como fora o nosso proprio em estagios precedentes?

Se sim, poderia a vida como a conhecemos ou como ocorre atualmente em nosso planeta ser entendida como uma continuação dessa atividade?

Um dia eu imaginei que as formas de existencia na Terra eram desdobramentos, galhos, que se estendiam desde o periodo em que Ela era apenas o nucleo, a semente. E que nossa peregrinação para alem da atmosfera era como uma especie de polinização.

Se observarmos um pouco, podemos perceber que todas estorias e mitos sobre seres que vieram do espaço, foram como profecias dos nossos antepassados cumpridas por ninguem menos que nós mesmos, seus descendentes. Poderia a evolução da vida ser uma profecia da Terra? Se sim, quem poderia ler essa estoria, esse mito? Onde senão na propria aparencia de tudo, nos fosseis, nas rochas, e nos seres vivos ele estaria registrado? Quando poderiamos entender sua linguagem senão a partir do momento em que fosse reconhecida nossa origem fisica e terrena? Porque enquanto acreditarmos que somos filhos de um plano improvavel, jamais reconheceremos os sinais da natureza como endereçados a nós, e continuaremos procurando sinais de outro mundo, cuja linguagem não pode ser reconhecida, gerando confusão, e verdades relativas que não dizem nada sobre a realidade factual das coisas.

Pode aquele que diz o mundo ser um lugar ruim se importar com a vida?

Aqui fica claro o perigo daqueles cujas estorias falam sobre destruição e danação eternas, o homem realiza o que ele acredita. Que eles se autodestruam, mas a vida vai continuar. Historicamente foi isso que pôde ser observado.


A Terra e arvore da vida eterna, qual a diferença? Se um deus, ou uma autoridade escondeu ela de nos, ele escondeu apenas a noção, e não o objeto. Possamos acordar para este fato enquanto podemos. Eu sou vida, continuidade de vida, e espalho meu legado. E você? De que lado eu poderia livre e conscientemente ficar, do conhecimento da vida ou refem da improbabilidade da morte, do anti/sobrenatural?

Viagens e mais viagens mentais, que motivam as perguntas que formulei acima.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Inspirito de Gratidão

O gosto pela experiencia estetica provoca e incentiva o cultivo de habitos comportamentais que permitem a perpetuação e/ou reprodução do que for tido como belo.

O
padrão de beleza plastico motiva a esterilidade, enquanto o organico motiva a fartura. Assim, para mim, Viver plenamente e fazer Arte são sinonimos.

Feliz Solsticio!

Por esses dias quando a luz do sol permanece por mais tempo na duração dos dias, que eu não resista em deixar queimar e virar cinzas todos os materiais de pensamento e ação que ja foram aproveitados, e tambem que eu não sombreie demasiadamente aquilo que precisa maturar ate o Outono.

Sou gra
ta a luz e ao calor e ao fogo por tudo o que brilhou, confortou, reluziu e pelo que foi consumido e morto.

Que o poder do Rei da quen
tura capaz de provocar queimaduras e fazer definhar seja sempre reconhecido por mim, quaisquer sejam as nuances em que ele seja apresentado. Que eu não o subestime jamais.


Ax
é!


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Créditos a Astrologia

O que motivou o Homem a investigar a natureza tem sido a base de todo o conhecimento que visa lançar luz aos aspectos determinantes das causas das coisas, e os processos por detras delas que permitem um resultado final observavel que possui sobre nossa especie um tipo de poder capaz de inspirar não somente medo e desejo de controle, mas tambem fascinio e admiração, que motivam a busca pela compreenção e despertam um sentimento de unidade com tudo, capaz de nos fazer sentir em casa nesse mundo, e vivenciarmos a paz existencial.

A um nivel social, o Homem deve ter se questionado o porque de algumas personalidades serem mais brandas como a primavera, e outras mais austeras como o inverno, et cetera.

Quando a observação do firmamento e das estações foram sendo melhor contabilizadas pelo Homem, provavelmete neste momento foram delineados os primeiros pontos e traços que formam o conhecimento astrologico. E por ele nascer desse sentimento ou impulso eu o mantenho em posição de grande estima.

Existem descobertas que conflitam com alguns conceitos astrologicos. Por exemplo as diferenças climaticas entre os hemisferios, a condição polar, a noção heliocentrica, a distoância entre o zodiaco virtual e o real/sideral, e talvez alguns outros que não recordo agora. Mas no minimo duas caracteristicas em comum podem ser observadas nessas problematicas: a universalização descontextual (tão glorificada no mundo moderno), e (!) a separação dos campos simbolico/caracteristico/artistico e cientifico.

Sera possivel que a astrologia seja dotada de uma significancia real nas suas categorizações e definições? Pode ser, afinal nada impede a possibilidade de que seus idealizadores tenham catalogado e organizado o conhecimento baseando-se na observação e associação de "coincidencias" celestes e sazonais e certos tipos de personalidade, ou num nivel mais basico a influencia das estações sobre a vida (biologicamente) em si, o que pode ser observado de forma mais dramatica nas plantas.

O que de qualquer forma afirma a ligação e integração do Homem com o meio. Por isso que eu ainda confio na astrologia, não porque obedeço ou sou vitima de algum poder supostamente sobrenatural ou superstições, mas porque eu vislumbro uma aura de dignidade na obra, o que confirmaria a nobreza dos ancestrais que foram seus autores, comprometidos com o saber, e não com a dominação.

domingo, 19 de dezembro de 2010

19 de Des-embrio de 2010


Hoje a morte adquiriu uma significancia que compreendeu o sentimento de perda ou saudade como eu não me lembro de ter experimentado antes (não com relação a seres da minha especie).

A pessoa que morreu não participou de mais de um mes do meu dia a dia, mas a convicção de suas palavras claras e iluminadas com ação e coragem ainda rasgam a cacofonia com a ferocidade da tempestade, a tempestade que regia a cabeça dela.

Patricia vai deixar saudade.

Na mesma esquina em que ela mostrava as marcas da sobrevivencia apos socorrer um desconhecido, como uma marginal entorpecida capaz de ensinar como nenhuma sobria professora poderia. Uma mãe e uma filha vão sentir muito a sua falta, todos dizem... mas eu tambem, eu tambem.

E nessa mesma esquina eu contemplei o semblante das pessoas, sem compreender, como um animal que se olha no espelho pela primeira vez, o desconhecido bradou forte um vento que chicoteou minhas pernas, e meus joelhos se dobraram e eu cai... sem saber o que acontecia, nem como, nem porque. Apenas agora eu começo a saber, obrigada, Morte!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Crítica ao Criacionismo/Sobrenaturalismo

Quando se fala em Criacionismo geralmente os defensores não conseguem admitir que tudo o que existe hoje tenha surgido do nada. Na verdade o nada não existe, e não pode existir. Elas certamente se esqueceram da impactante frase de Lavoisier que ouvimos nas aulas de Ciencias do primário sobre a célebre lei da conservação de matéria (não é uma Teoria, é uma LEI) : "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Não duvido que eles utilizem idealistica, apaixonada e frequentemente a ridícula e debochada versão moderna: "nada se cria tudo se copia". Risos

Eu não sou o tipo de pessoa que lê obras extensas de autores clássicos, não consigo. Gosto de ter acesso à certo conceito depois sintetizá-lo de acordo com a minha compreensão e numa direção não tendenciosa para o lado de qualquer coisa que não seja plausível. Isso me conforta.

Por essa minha característica, não sei se alguem já discursou sobre a Teoria do Caos como alternativa a esse nada imaginário e inconcebívelnvol. É impossível que a natureza (physis, ou seja qualquer coisa que exista) tenha surgido do nada simplesmente porque o nada não é uma realidade, é um conceito. Não importando como quer que tenha ocorrido esse 'surgimento'.

É muito mais plausível pensar que ela surgiu/distinguiu-se de um todo denso e desorganizado, muito denso e uniforme, um caos. Dentro desse caos uniforme de matéria de algum estado pouco volátil em algum lugar uma fração dessa matéria teve um comportamento estranho. Isso é a causa de tudo o que veio depois, e o único motivo disso acontecer é acidental, passível a qualquer coisa que exista (tudo).

Não consigo vislumbrar nem de leve a possibilidade de se afirmar no estágio de compreensão dos processos naturais que 'alguem' além da própria natureza (mesmo que em outro estado) a tenha causado.

Sabemos por meios demonstrativos (método científico) como a chuva acontece e quais os processos envolvidos, de interação de diferentes manifestações materiais, transcedendo seus estados por exemplo, o que nos permite uma visão além da que seria intuida pelos nossos ancestrais utilizando-se apenas da observação simples desse femomeno. Qualquer um pode saber que os fenomenos naturais não são mandados por uma entidade à parte da natureza, divina ou sobrenatural, e que nosso céu é limitado e além dele há espaço, e não há consciencias em moldes humanos e moralistas lá em cima comandando tudo, os acontecimentos na natureza não seguem uma regra que pareça privilegiar os crentes ou filhos de um desses seres, tudo está sujeito aos acidentes.

De fato não sabemos com certeza, por não temros conseguido demonstrar, a partir do que a natureza veio a ser. Mas sabemos quando e como a idéia de divindade surgiu e como se desenvolveu em diferentes culturas.

Se essas idéias fossem derivadas do contato com alguma divindade com atributos como por exemplo o da onisciencia, suas revelações acerca da natureza estariam repletas de verdades que seriam confirmadas pelo método cientifico. Seria possível também, por exemplo, desenvolver tecnologias utilizando-se de conhecimentos revelados pela religião ou experiencia espiritual. Mas tudo o que se pode aproveitar dela é o que seria possível observando a natureza simplesmente como uma criança sem nenhum maquinário. O que é muito e tão valioso quanto as descobertas científicas, por ser verdadeiro.

Se um artefato é físico, isso não faz do artesão uma entidade extra física, muito pelo contrário. Nenhum Criacionista vê dificuldade em admitir um como criador do outro sem atribuir alguma virtude sobrenatural ao criador. A não ser que a mente seja entendida como algo sobre natural, o que eu classifico como espiritual, mas ela é fruto da atividade cerebral, logo possui originalmente uma causa física.

Embora a mente seja capaz de conceber idéias que desafiem as leis físicas (conhecidas ou não), ela não pode realizar nada quebrando uma dessas leis, logo ela não é superior ou independente ou separada ou divina ou santa.

Porque é facil reconhecer o artefato e o artesão como autores reais? Porque são conhecidos. Se alguém encontra um artefato inexplicável já vai tender a atribuir o mesmo a alguma cultura alienígena, por exemplo. O que não faz sentido, é menosprezar a criatividade de outrem só porque a própria não concebeu algo parecido.

Apesar de nos encontrarmos culturalmente num estágio de entendimento acerca das leis e processos dos fenomenos que "regem" tudo na natureza, muitas pessoas tendem a atribuir o que não se pode identificar uma causa (anonimato) à algo extra físico. Da mesma maneira como fariam os humanos que não tinham acesso de recursos tecnologicos nem investigavam o mundo de maneira cientifica.

Sem contar que a natureza não foi nem é uma obra acabada, ela surgiu (se diferenciou), em um estágio e foi evoluindo até o presente como a conhecemos.

A maior prova de que não há nada nela que não seja dela, ou não seja ela própria, é demonstrada pelo FATO de que tudo e todos estão sujeitos às suas leis, que não são leis divinas e muito menos morais.

E assim seguem os criacionistas se utilizando de benefícios possíveis por causa da biologia moderna, e recursos tecnológicos desenvolvidos a partir do conhecimento científico em geral. Um peso, duas medidas. "Deus me livre"!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Homenagem ao Desconhecido


Antes de dormir a curiosidade inquietante me fez cometer uma atrocidade
Contrair os musculos desejando sentir a furia dos animais abatidos

E um sonho me mostrou um dia vindouro onde o mistério no passado era posto à luz
Onde eu completava ano e chovia dentro de casa

Pedi benção aos mais velhos
Os mais velhos me advertiram apontando para um jovem: o mais velho aqui é ele

Esta fúria conduz o misterioso que marcha imbatível até o lugar na floresta de onde ele partiu agilmente e adentrou o meu corpo incrédulo
Onde ele subitamente abate sua caça usando o vento como arma

Perguntaram qual o nome do mais velho
E ele respondeu pela minha boca: antes que eu recebesse um nome compreendido pelo branco eu tirei minha própria vida

Ele come cachorro e é feroz
Ele salta sobre seu próprio corpo robusto

Ele se enraivece quando incompreendido e se ajoelha
Ajoelhado ele fecha os punhos e gira o corpo bravamente

Ele percebe uma barreira e com violência se choca contra ela
Enquanto contempla calmamente a lua cheia e a constelação em forma de trapézio embaixo

Ele grita e ele é infantil
Ele só vai embora quando a coruja empoleira-se no alto da árvore mais alta da floresta

Relutante ele deixa o corpo
A mente incrédula se maravilha e não deixa ele sumir da memória

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

All for One

(Fotografias de Hans Silvester, arte corporal de membros de tribos etíopes do Vale do Rio Omo)


Um poema anonimo que conheci através do trabalho do projeto musical Qntal. O dialeto é uma espécie de inglês arcaico, penso eu. Coloquei entre parenteses a forma como seria escrito em inglês moderno.

Pode ser ouvido aqui: http://www.youtube.com/watch?v=EIC7YV_a4Oo

I must go walk the woods so wild,
and wander here and there
in dred and dedly fere (in dread an deadly fear),
for where I trusted, I am begild,
and all for one.

Thus am I banisshed from by blis (Thus am I banished from by bliss)
by craft and false pretens (by craft and false pretense),
fautles without offens (faultless without ofense),
as of return no certen is (as of return no certain is),
and all for fere of one.

The ronning stremes shall be my drinke (The running streams shall be my drink),
acorns schall be my fode (acorns shall be my food),
nothing may do me good,
but when your bewty I do think (but when your beauty I do think),
and all for love of one.

Chamada

A madrugada traz o silencio
O silencio traz o vento

O vento traz a chuva lá fora
Que traz o arrepio aqui dentro

O arrepio atraz dos olhos
Que vêem vulto e brilho

A chuva me arrepia como se eu fosse de metal
O gosto de ferro no sangue faz um sentido ressonante, desconhecido e fatal

Não sei quanto tempo tenho até que ele
Chegue

Mas sinto se aproximando
Com a água que arrepia

Como a ave que arrepia
Como a ave que corteja e canta

E pia

O inescravizável que corre na floresta
E mata o alimento com um vento afiado

Está correndo na minha frente
Na visão da minha mente

No ermo agora
Em algum lugar lá fora, talvez

Eu o sinta na pele mais uma vez

Ameaça um arrepio
Mais forte, porém arredio

Quando algo abala a sanidade
Algum testemunho de injustiça ou crueldade

Assovia na flauta de meus ossos
A canção do sangue nosso

Se conheces minha mente como desejo conhecer a sua
Vista novamente minha carne nua

Me tenha como o lugar
Onde gosta de habitar

Desafiaste minha convicção
Desafio-te agora então

Tira uma vez mais meu chão
Concede-me uma vez mais tua visão

Mostraste como sacia tua fome
Agora fala-me teu nome

Para que eu possa lhe chamar para festejar comigo
Seja meu unico e derradeiro e presente amigo

Entre meus tropeços
Arrebata meus passos

E faz do que era um acidente entre espaços
O início de uma dança latente que firme nossos laços

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Burn & Bury

A maioria das pessoas modernas possui uma idéia interessante e/ou aceitável e saudável sobre o que poderia ser uma consciencia imanente na natureza, ou até mesmo uma causa consciente para a ocorrencia dessa natureza (criacionismo). O problema surge quando se tenta associá-la ao deus de Abraão. Simplesmente como tentar atribuí-la a qualquer outra entidade que fora primordialmente concebida de conceitos que não suportam esta idéia.

Muitas vezes quando presenciei pessoas que migravam de algum sistema de crença estático, e consequentemente limitado e ultrapassado , para outro, elas traziam consigo a ética do sistema anterior tentando aplicá-la no novo solo que poderia lhes render liberdade e realização maiores.

Não que exista um problema em éticas, mas algumas são fundamentadas em valores distorcidos ou como eu gosto de dizer "anti-naturais".

Lembro-me que um dia, lendo a bíblia eu me deparei com um trecho que encheu meu coração de ódio. Nele dizia para cortar os bosques sagrados dedicados à Asherah. Um ato ritual repleto de bom gosto e permeado de consciencia ambiental sendo condenado porque o deus não aceita que outros sejam cultuados, bastante nobre da parte de uma figura que pretende ser soberana...

Então eu penso e me questiono, porque eu tenho esses sentimentos, essa visão das coisas? Porque desde criança eu sentia como se não pertencesse a este mundo e me escondia por longos periodos acreditando que meus parentes de outro lugar me levariam de volta para morar com eles? Será que isso é só reflexo das condições biológicas e ambientais adversas nas quais eu nasci e me desenvolvi? Pode ser. Mas o rumo da evolução das coisas que foram fomentadas pelas adversidade fora ditado pela minha própria natureza animal, que ama a vida e as belezas do meu planeta.

Mas o ódio que me incendiou fertilizou o solo, e no lugar de uma estrutura queimada eu me tornei a obra de restauração, a essência sobressaiu-se, e como filha direta da terra a memória dourada dos filhos de outrora fora perpetuada em mim.

Prefiro entender assim, com beleza. Porque talvez se eu não tivesse esse gosto pelo bom gosto eu seria só mais uma pessoa com boca suja e sentimento de vazio, e pobre por ter de viver sob uma custódia de um deus pai que promove o desequilíbrio e condena a minha natureza, eu seria uma obra pecaminosa enquanto ser feminino e transgressor envolta por um tecido de vergonha. Mas eu sou rica, minha boca vomita pedras preciosas feito a boca da filha de Olokun, e os meus sentimentos transbordam feito as marés, e minhas máscaras prodigiosas denunciam a minha face orgulhosa de artista.

Axé!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um Lamento de Hygieia/Hígia/Híja/Figlia/Filha

O fato de algo ser aceito ou não, não faz dele inexistente. Aquilo renegado à margem da sociedade tende a se desenvolver de maneira perigosa em uma direção destrutiva. Tanto no sentido de frustração individual do renegado quanto no de injustiça daquele que renega, alimenando um ciclo de ódio e ignorãncia e desarmonia. A partir disso, aquilo que seria um meio ou um sistema elaborado para permitir o pleno desenvolvimento de seus integrantes torna-se um palácio cujos alicerces renegados à sua margem tornam-se grades transformando-o numa prisão onde os prisioneiros tornam-se vítimas criminosas.

Ao meu ver o Cristianismo (e outras religiões Abraamicas) foi o marco mais importante a partir do qual a parte do mundo por ele dominada foi se tornando um exemplo vívido e moribundo desse processo doentio de super valorização do anti-natural (sobre-natural).

A natureza, no sentido de organico, é por si própria livre de moralidades e valores, portanto os conceitos que possuem importancia num contexto cultural são desenvolvidos segundo nosso instinto de sobrevivencia. A sociedade é nada mais que um coletivo de animais humanos, cujas leis e regras servem para o bem do grupo, visando o pleno desenvolvimento do mesmo enquanto espécie. Natural que possua interesses como preservação, e perpetuação de hábitos que facilitem a vida e o convívio.

O problema das filosofias regentes dos valores sociais modernos é que eles buscam expressar e atingir um ideal anti-natural. Assim, qualquer manifestação que possa ser julgada como errada por causa da frustração e/ou obsessao de algum grupo de desaque (não imporando se chegou a esse lugar por meios sujos, ja que o povo não tem mais memória nem ancestralidade) vai se tornar algo a ser perseguido. Como por exemplo as práticas sexuais, e por conseguinte as manifestações de genero, e udo aquilo que é tão gostoso e natural e dadivoso da vida vai ser denominado ruim e renegado à solos ruins, ruim se tornará.

Algo que eu observo como a raiz da falta de conscientização ambiental na nossa espécie é justamente este pensamento do homem como algo especial e à parte da natureza. Como se nossa origem e nosso destino fosse outra realidade, sobre-natural. Ora, e que filhos de deuses tão mal educados são esses, que podem viajar causando destruição? Que importa, o pai deles queimará todo o lixo no final.

A natureza não é uma arquiteta, ela é mais parecida com uma artista. Nela surgem e se desenvolvem anatomias distintas, não importa se tentem classifica-las em um mesmo grupo, sempre há uma característica imcomparável e inigualável que impedirá a padronização completa dos seres.

Então é sábio dizer: a maneira natural/organica das coisas, ou as coisas de modo como são na natureza, fogem do modo cognitivo humano. Não precisamos recorrer à uma divindade qualquer para atribuir isso, a não ser que reconheçamos essa divindade como uma tentativa de humanizar ou personificar a natureza.

Se as culturas tradicionais do mundo antigo buscavam socializar as diferentes manifestações de personalidades e modos, a sociedade moderna do mundo novo busca marginalizar tudo o que não pode ser comercializado massivamente.

O que encontrou a busca do mundo antigo? E o que encontra a do mundo novo?

O que o amor pela natureza gerou, e o que o ódio pela mesma gera?

A sinceridade é a face dos resultados.

A serpente da medicina tornou-se a serpente do pecado, o conhecimento é maldito.
A saúde é um problema, o fim é uma solução.

Salud! Salud por los Antiguos, para nosotros, sus hijos!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Primeiro Cientista

Alagemo, o camaleão, foi o inspetor da criação de Obatalá, o Mundo. O camaleão se locomove como alguém que está pisando em uma terra virgem, talvez ainda barrenta, um terreno desconhecido. Um passo de cada vez, cautelozamente, observando todas as direções ao seu redor.

E seu mimetismo parece como um registro de tudo o que ele percebe, como faria um exímio inspetor.

A concha, na cultura Iorubá é usada em um dos meios de comunicação entre os mundos, o popularmente conhecido Jogo de Búzios, ou Eerindiloogun. E esta representada na foto particulamente me faz vizualizar um desenrolar como se o camaleão a fosse utilizá-la para se comunicar com o criador que delegara a ele a missão de inspecionar sua criação, relatando-lhe suas descobertas.

O proprio formato da concha sugere uma difusão de som crescente e com alto potencial de expansão, espiral. E se utilizada como instrumento de sopro (como a Sanka dos Hindus), como em muitas culturas ao redor do mundo, o comunicador poderia compor melodias para realizar sua missão, tornando-se assim num artista, alguem que comunica beleza.

Talvez esse seja o verdadeiro papel da ciência, ao contrário do que os neo-ateus costumam fazer, espalhando desordem e gerando atrito. E se não for, pelo menos indica que eu estou no caminho certo ao procurar no passado o modo de ver e viver o mundo. De uma forma mais prazerosa e digna e respeitosa, que garante harmonia, plenitude e sustentabilidade!

E neste mundo, in illo tempore, originalmente a ciencia e a arte/espiritualidade caminharam de mãos dadas... quem diria, hein? Hehehe


Abaixo está um vídeo de alguém que teve a brilhante ideia de mixar frases inspiradoras de cientistas modernos em rearranjá-las em forma de musica. O projeto chama-se Symphony of Science. Há algum tempo, num dia em que havia procurado sem sucesso alguma coisa sublime relacionada às descobertas e à visão científica moderna, encontrei esses vídeos acidentalmente depois procurando outra coisa. Muito legal, e atual...

A gente ainda tem jeito! rs \o/

http://www.youtube.com/watch?v=J0cCbdUUKSk

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poeminha Objetivo (milagre) rs

Fazer o bem, ou Dizer o bem (dizer é um feito, não subestimo o poder da palavra)
Nunca é Demais
Nunca é Tarde
Nunca é Cedo
Demais

Contanto que não seja demasiadamente, rs

Dizer o mal, quando não é solicito, é sempre Demais
É sempre Cedo
É sempre Tarde
Demais

Então confidenciar mal, mau, e fraquesas
É o que chamam reciprocidade
O significado de quando perguntamos a quem nos importa:
Tudo bem?
Prontos para ouvir o que for dito
Esperando sempre o melhor

Agora afirmar bem, bom, e forças
É o que chamam de amor
O significado de quando dizemos:
Eu te amo!
Sem esperar nada em troca
Atestando o melhor que o amor pode fazer em nós, nos sentir satisfeitos e contentes com algo imaterial, com um sentimento

Mais Reflexões Holofóticas de Eu

Estava postando mais no outro blog (alemdosveus.blogspot.com), mais racionalmente... mas hoje acordei emocional, acordei "do mar".

Há alguns dias eu fiquei triste quando aconteceu uma coisa que eu tinha maldito que estava com saudade. Alguem mexeu comigo na rua.
Me deixei tomar pelo fogo, tremi, esquentei... mas só agora há luz. Talvez tenha sido uma espécie de fogo negro que em mim queimara.
O sonho da lâmina de Iansãn despertou nesse dia, como profecia.
Mas foi bom, agora vou registrar aqui algumas mudas que germinaram num solo insultado e de exílio, o solo do qual o barro da minha carne deve ter sido coletado.


Oxalá molda os corpos que os homens chamam defeituosos no extase de sua embriaguez. Estes corpos estranhos à familiaridade do cumprimento normal do destino que escolhemos. Mas eu vislumbro isso como uma marca abençoada e maldita, como a de Caim na bíblia.
Então eu lembro de um proverbio que queria dizer mais ou menos o seguinte: Oxalá molda os corpos como bem entende, caçoar deles é questionar sua sapiencia.

Boa sorte a quem assim fizer.

Outras vezes lembro de uma outra estória, onde Angra Mainyu cria o pavão (uma obra bela e benéfica) para provar a seu irmão gemeo Ahura Mazda que a maldade dele é fruto da própria escolha (será que queria dizer que era uma maldade JUSTA/consciente, assim como a da bruxa, a de Exu, a de Lamashtu, etc?).

E essa maldade justificada, ou justificante, eu reconheço na minha natureza, Onde a expressão do meu genero conflita com a condição do meu sexo. Eu também reconheço no "mau" julgamento ou na "maldição" dos outros sobre mim, eles me edificam tanto quanto minha especialidade/estranhesa. A maldição é então benção. O defeito é então engenhosidade.

E pensando bem, todos são especiais, diferentes, e tortos em padrões unicos... na natureza não existe padronização plástica de igualdade de formas, isso é ideal artificial e impossivel, deus me livre.
Uns mais outros menos, quem é menos torto é menos amaldiçoado, quem é mais é mais abençoado, rs.


Axé!


Letra de Lethean River, da banda Tristania (quando era boa, rs =P)

Rise my clandestines, thy secrecies invoked
Streams of argentine across eyelids are drawn
Rise upon the tide, my castaway's outworn
Fall from distant worlds and redeyed skies above
Gesture of an argentine moisture
like snow upon the riverine
Gesture of an argentine moisture
so sore upon congeal skin
Ardency of life forsakened
time will gather the source of thy secrecies
Ardency of life forsakened
in swarthy hours thou ponder still
Invoke thy aeons in a dream
entrancing sleep
profound and prolix
Estranged to life's utility
Bequest thy endurance in the times of
lethargic
Lead me down in wailing hours
to the riverside
Reveal to me thy secrecies
hidden in the wan deep of thy infinite mourning
Lethean river carry me beneath thy riverine

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-