sábado, 29 de janeiro de 2011

Adoro

http://www.youtube.com/watch?v=ly2Kx-GFAw4

O fu ruru
Ele é a brisa refrescante

O rere
Ele, o benevolente

O yi rara
Ele dificilmente se aborrece

Baba ke yen Ewulejigbo
Pai pelo qual temos carinho e é o Senhor de Ejigbô

N'ile Ifon
Na Terra de Ifon

Mojuba Baba

Eu saúdo Pai

Ejigbo rere mojuba o
Na Boa Terra de Ejigbô eu o saúdo

Oluaiye
Ele é o Dono da Vida

E mayo
Vocês têm que se alegrar

E mayo
Vocês têm que se alegrar

O wa re se
Pelas coisas boas que ele nos faz


E mayo b'elese kan, Baba
Vocês têm quese alegrar, mesmo se o pai o fez com uma perna só


E mayo
Vocês têm que se alegrar

O wa re se
Pelas coisas boas que ele nos faz

E mayo b'alapa kan, Baba
Vocês têm quese alegrar, mesmo se o pai o fez com um braço só

E mayo
Vocês têm que se alegrar

O wa re se
Pelas coisas boas que ele nos faz

E mayo b'oloju kan, Baba
Vocês têm quese alegrar, mesmo se o pai o fez com um olho só

E mayo
Vocês têm que se alegrar

O wa re se
Pelas coisas boas que ele nos faz

E mayo b'eleti kan, Baba
Vocês têm quese alegrar, mesmo se o pai o fez com uma orelha só


E mayo
Vocês têm que se alegrar

O wa re se
Pelas coisas boas que ele nos faz

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Talvez o mar não seja o pranto da tartaruga


O que foi que eu fiz

Eu sei, agora,

Que não sei ser feliz

Dentro e fora

Só e em companhia

De manhã e à noite

Ao mesmo tempo

Se eu vejo o desenho das asas abertas

Eu gosto

E sinto falta

Do desenho das asas fechadas

E nesse misto de angústia e contentamento

Eu aprendo a voar

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Natureza Mágica ou Magica na Natureza

Cultura, excenlência, caráter, identidade, valores, ética, estética, costumes em geral.

Se tudo isso é possível com a ilusão (percepção sensorial) da presença e/ou realidade do sobrenatural, é também possível/realizável com a realidade da ausência desse sobrenatural. Realidade seria definida por: verificação lógica/racional daquilo que se percebe com os sentidos, utilizando-se de recursos/tecnologia que vão além da capacidade deles.

Deuses existem? Sim. Mas deuses pré-existem (a humanidade, ou aos cultuadores)? Deuses são cultura, são idéias que evoluem, e quando não... ficam ultrapassadas.

Na presente era de esclarecimento científico, a magia, o espiritual, ainda é possível, e bem passível.

Vou tomar como exemplo a agricultura. A agricultura sempre foi praticada e sua eficácia era observada e reconhecida (talvez não fosse dada continuidade sem essa parte prática), mesmo sendo misteriosa, sem conhecer o processo da germinação. E da mesma forma nós praticamos cultos e magia sem entender os mecanismos internos ainda, como no caso da agricultura isso não invalida a prática nem anula a possibilidade dos efeitos.

Não se trata apenas de pensamento direcionado ou acaso/acidente, mas sim de prática e conhecimento, cultivo.

Magia, religião, culto, eles são tecnologia, oculta talvez, mental. Pensamentos não são sobrenaturais, são virtuais, e não possuem origem extra-física.

Nosso conhecimento da mente é bem limitado, e do universo também. Muita coisa não deve nem pode ser descartada simplesmente porque era relacionada ao sobrenatural em outra época passada. Se assim fosse descartaríamos tudo que conhecemos.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Agbigbo


Certa vez em um sonho eu vi essa cabeça de pássaro em um corpo de humano numa pintura rupestre, mas um velho me dizia pra nunca mais chamar aquele possuidor dessa silhueta, que quando chegasse a hora ele me chamaria.

Fiquei super intrigada, mas na epoca não tinha conhecimento suficiente e não pude identificar a espécie da ave, nem o significado do sonho que me impressionara muito.

Alguns anos depois, em 2010, sonhei com uma cabeça de ave estranhamente familiar numa escultura e na base da escultura estava cravado um nome que não conseguia me lembrar bem, algo como arayvan, araynan, anrayan. Curiosamente foi o unico sonho em preto e branco que eu lembro. Quando acordei não conseguia tirar aquela imagem da cabeça, e me questionava porque era tão familiar e impactante.

Fui me lembrando do outro sonho anterior, e pra conferir fui ver um desenho que havia feito na epoca num caderno, e lá estava aquela cabeça de ave com crista de plumas como um elmo.

Motivada pela minha curiosidade felina (risos), pesquisei pelo nome e possiveis variantes e nada, imagens e mais imagens sobre aves com crista e nada, até o dia que sem querer vi uma imagem desta ave chamada Poupa! Fiquei tão feliz, finalmente algo concreto pra me aquietar a mente.

Comecei então a pesquisar sobre ela e seu significado cultural relacionado ao contexto do sonho... Após algumas viagens incertas, reuni umas informações que se formaram como um quebra-cabeças na minha mente.


Àgbìgbò-níwòrán
Agbigbo
àgbìgbò nọ̀wọ̀ràn
àgbìgbò nìwòn
Ogbibgo
Ogbigbonihanran

"Agbegbo Yanranyanran", essa variante que bate com o nome do sonho é do livro Ifa divination: communication between gods and men in West Africa, de Willliam Bascon , na parte sobre o odu oyecumeji. Yanran yanran significa brilhante em Iorubá. No livro esse termo é traduzido como 'galinha' "bom-bom", yanran-yanran significando bom duas vezes, excelencia. Explica em uma nota que o termo yanran yanran "representa o som produzido por um tijolo que foi assado corretamente quanto é testado pelo toque; significa "bom" ou "dentro do padrão exigido".

Há uma outra citação, no mesmo livro, no odu ofun owonrin: "... a ave ogbigbo carrega carrego de Orixá, e não o coloca no chão". Nas notas a ave é referida como uma especie de ave não identificada com longo bico curvado. Pelo que entendi o carrego/encargo que ela carrega referido como sendo de Orixa é relativo ao Grande Orixá (Orisanla, Obatala), e não genericamente como relativo a qualquer Irunmole. Orisa nla, o dono do barro e responsavel por moldar as criaturas do mesmo, a ave como encarregada dele justifica a relação com a inspeção do tijolo (tambem feito de barro) e o paralelo traçado anteriormente.

A ave faz o trabalho de testar se as coisas estão conforme com o propósito de que foram criadas, se estão seguindo o destino, se ela denuncia para algum agente que tomará providencias boas ou ruins dependendo do que ela observar, ela pode muito bem ser identificada com o propósito de um ente que inspeciona a criação, como Iya mi, Egungun, Eshu...

O papel de inspetor, ou melhor, de testador também pode ser reconhecido numa estória onde figura uma ave com o nome de eiye-igbo, tambem chamada na narrativa de aranran (yanran?). Ela rapta o bebê de uma mulher que o deposita sob uma arvore para colher lenha, então a mulher pede seu filho de volta, a ave manda toda sorte de riquezas no lugar do bebê mas a mãe insatisfeita continua pedindo por seu filho até que a ave finalmente o devolve. A mulher volta da floresta com as suas riquezas, e com seu fillho. Depois uma outra mulher tenta usar o bebe para obter as riquezas, mas a ave não o devolve, nem da riquezas materiais. Um claro indicativo de que a ave reconhece a verdadeira intenção, o verdadeiro caráter dos seres, além do que aparentam na superfície.

A poupa bica a madeira para extrair vermes, e o proprio som que ela emite é parecido com o de algo que bate sob alguma superfície, uma porta por exemplo.

Em Iorubá, 'aran' significa verme, e 'aniyan' significa anciedade, ou cuidado, 'aranniyan' poderia significar algo como 'que cuida ou se preocupa com vermes'.

Agbagba significa banana, e pode ser usado pra descrever algo com pintas, talvez porque a banana madura fique com pintinhas. Agbatoju significa encarregado de alguem. Agbeni, quem exalta ou ajuda alguem. Agberaga, quem exalta a si proprio. Ogbifo, um intérprete. Ogbogbo, uma marreta (talvez alusão à ferramenta ou ser que inspeciona o cozimento do barro[?]).

Alguns dizem que agbigbo carrega o carrego de maldade em sua cabeça, eu digo que carrega o carrego que deve carregar, apenas.

Pode ser que esse quebra-cabeça ao ir se completando mais forme uma imagem distinta da que eu percebo agora, o tempo dirá.

Agbe, agbi, significam ave. Igbo pode significar bosque, floresta, uma assembléia de sacerdotes, reunião sacrificial, atenção, confiança, obediencia. Agbigbo, ave da floresta, ave obediente, ave de confiança...

Pra mim significa ave de mistério.



Capacete Iorubá similar aos utilizados durante o festival Gelede, aparentemente retrata uma poupa. Pra mim uma evidencia da presença e importância dessa ave na cultura Iorubá que valida o direcionamento da minha interpretação dessa ave. Ja que muitas vezes o termo Agbigbo Niwonran é traduzido como Calao em vez de Poupa, é possível que se refira a ambas espécies em regiões diferentes, já que possuem caracteristicas semelhantes, embora bem diferentes em forma e cor.





(fotografia de Zahoor Salmi)

domingo, 16 de janeiro de 2011

16 de Janeiro de 2010


Os desejos têm efeito na fala
A fala tem efeito no ato

De tanto querer orei
De tanto orar pratiquei

De um material maleavel moldei
Uma cabeça

Entoando na mente uma canção relembrada
Carinhosamente guardada (Baba bi a bi Etu)

Uma homenagem foi se mostrando ali
Como deve ser em cada re-começo, a Eshu

A calma estranha na turbulencia da manhã
O contentamento sem a concretização da maldade

Foram seguidos por uma festa
Que foi seguida pela presença de uma ilustre persona

Ela chamou mais atenção por seu tamanho
Pouco mais avantajado

Ela me fez querer saber
E eu soube da fonte antiga

A aranha tece como mágica
Misteriosamente

E como magica a aparente fragilidade de sua teia, de seu trabalho
É mais forte que ela propria, embora mais sinistra e imponente

E que venha a umidade ou o calor
Que venham ameaças aladas ou dotadas de qualquer atributo que pareça vantajoso

O trabalho e o mistério
Confirmam a garantia de sucesso

Pra quem a aranha visita
Ou seria pra que a recebe bem? risos

Espero que minha recepção tenha sido bem vista
Por seus muitos olhos :P

Axé!

*Ofun*

sábado, 15 de janeiro de 2011

Chamada

A madrugada traz o silencio
O silencio traz o vento

O vento traz a chuva lá fora
Que traz o arrepio aqui dentro

O arrepio atraz dos olhos
Que vêem vulto e brilho...

~*~

A chuva me arrepia como se eu fosse de metal
O gosto de ferro no sangue faz um sentido ressonante, desconhecido e fatal

Não sei quanto tempo tenho até que ele ou ela
Chegue

Mas sinto se aproximando
Com a água que arrepia

Como a ave que rodopia
A ave que corteja e canta

E pia

O jamais-escravizado que corre na floresta
E mata o alimento com um vento afiado

Está correndo na minha frente
Na visão da minha mente

No ermo agora
Em algum lugar lá fora, talvez

Eu o sinta na pele mais uma vez

Ameaça um arrepio
Mais forte, porém arredio

Quando algo abala a sanidade
Algum testemunho de injustiça ou crueldade

Assovia na flauta de meus ossos
A canção do sangue nosso

Se conheces minha mente como desejo conhecer a sua
Vista novamente minha carne nua

Me tenha como o lugar
Onde gosta de habitar

Desafiaste minha convicção
Desafio-te agora então

Tira uma vez mais meu chão
Concede-me uma vez mais tua visão

Mostraste como sacia tua fome
Agora fala-me teu nome

E eu lhe chamarei para festejar comigo
Estranho familiar Amigo

Entre meus tropeços
Arrebata meus passos

E faz do que era um acidente
O despertar de uma dança latente

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sem Título, não precisa o post é só um título

Quem não chorou pela destruição causada pelo consumo desenfreado e inconsequente dos recursos naturais
Agora chora pelas inundações

Agora agradecem a um deus por estarem vivos
Vão ser inconsequentes assim lá na igreja que não foi milagrosamente salva

TSC

13 de Janeiro de 2011

(Foto: Menino Himba)



Hoje sonhei com crianças de novo
Acordei e ganhei balas de coco...

Ofereci algumas e acendi uma chama
Para lembrar meu espirito de criança que o mundo é bom

Minha vó que não liga ou desaprova essas coisas
Achou uma chupeta na bolsa

E ficou perplexa junto comigo
Bendita é a criança que a deixou cair ali

Eu fui um elo de resistencia
E agora a ligação começa provar sua força
Axé!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Grande mesquinha e mediocre Mídia




A Mídia é como um Coliseu
Com uma diferença
Sem libertação por força, ou honra
É um Coliseu onde pessoas cegas, insensiveis, imploram para entrar
E permanecer




(Foto: Aesthethic Meat Front)

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-