sexta-feira, 29 de abril de 2011

Prece de Espécie (e Especialidade)


Que as minhas motiv-ações não sejam apenas belas
Mas impressionantes, admiráveis, e temíveis

O belo é agradável, porém apenas beleza não garante perseverança
O domesticado é desejável, porém facilmente transponível e subjugável

Que eu não seja como o gado que é afagado e depois esfaqueado
Que eu seja como a onça, cuja pelagem é insígnia de poder e força, além da beleza

Oh meu deus leo-fardado
Que eu não esqueça as habilidades da minha raça de gente, nem negligencie os presentes da minha espécie de bicho

Meu deus que faz o corte e faz o ceifar
Que eu seja paciente

O tecelão da aldeia, que realiza as vestimentas que as pessoas vestem
O tecelão da floresta, que tece o ninho para seus filhos com as folhas de palmeira desfiadas que tu veste

Se excelencia compreendesse supremacia de espécie
Não teriam os homens direito algum sobre a terra

Assim sendo, pai
Que seja vívida em minha memória

A lembrança de minha mãe, e Terra
Que ao maravilhar com o céu Tu me lembre da maravilha sobre a qual me sustento

Porque se eu esquecer da realidade de que sou irmão dos filhos da terra
Eu vou mal-dizer aquilo que me sustenta e capacita a existência

Sem essa lembrança, eu veria o nidifício da ave
E a maravilha seria motivo de insegurança

Sem a preservação da herança
Injustiça tomaria o lugar da perseverança

Destruição impediria o desfrute da bonança
E tropeçar seria suficiente pra arruinar a dança

Que o homem não desafie o raio se tiver sucesso em seu rebanho
Porque os antílopes não tem pastor nem cerca além de Tuas feras e prosperam

Que o raio destrua a cerca daquele que não lembra que a mãe de tudo é Ela
E que o raio destrua o pastor que não deixa o rebanho se lembrar

Humildade diferente de Cristandade

O cristão observa o Mundo, e o que não cabe na sua visão anti-naturalista é motivo para obra de mudança

O humilde observa a Natureza, e o que não reconhece em sua visão de familiaridades é razão para reconhecer a surpreendente maravilhosidade do seu mundo

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Pensamentos sobre Modernidade

a sociedade em geral quer que todos acreditem que há algo errado na forma que eles são (talvez pra incentivar o consumo de produtos que possam torná-los em qualquer outra coisa). não importa a sua origem: se você é pálida, então você precisa ficar bronzeada, se você é negro, então precisa ficar mais claro, se você é normal precisa ousar, se você é exótico precisa se enquadrar. lábios, cabelo, corpo, cor, rotule isto e pessoas de todas as formas, tamanhos, e cores parecerão querer o que eles não são. não importa o quanto custe até mesmo à própria saúde. eu me amo porque projeto-me confiantemente da maneira que eu sou, e desta forma defino meu próprio caminho para manter e alcançar a perfeição da minha própria forma, cor, essência, e natureza íntimos.a beleza é um dom. as pessoas belas inspiram, a um nível humano, os artistas e poetas a produzirem belas obras. mas falo da beleza de caráter, que inspira a auto estima pelo simples fato de se sentir bem consigo mesmo.a classificação do que é belo e prazeroso, seja para os olhos, os ouvidos, o paladar, às emoções, faz parte da história do homem. recursos e mais recursos emergem a cada dia para aproximar as pessoas da realização dos sonhos de quem quer que seja, menos o da real natureza delas próprias. mas o resultado de tanto esforço é realmente belo? ou a beleza perdeu seu sentido e se transformou numa produção em série daquilo que antes era raro?* será que as pessoas precisam querer ter o dom da beleza fabricada em detrimento de outros dons que se exercidos por que realmente tem aptidão os tornaria igualmente belos em outros aspectos? será que vale a pena parecer bonito fisicamente e ser oco por dentro? e qual o problema em não ser o exemplo de beleza física mas o ser enquanto ser humano, qual o problema em ser admirado pelo que você é e faz, por acaso só vale ser admirado pelo que você parece?! e quanto a admirar a si próprio sinceramente pelo que você é, não conta?os padrões estão firmados, a projeção não mais precisa levar-te aonde você se sente confortável, precisa apenas levar-lhe a qualquer lugar acima de qualquer pessoa que esteja ao seu lado.o resultado de tudo isso? pergunte a si próprio quando estiver na frente do espelho e responda a si olhando nos olhos, como o seu mais antigo amante...e a resposta virá, como um beijo apaixonado ou um tapa inconformado, como uma voz suave ou um brado violento, só vai depender de como você se encara.


*esta frase eu copiei de um blog q saiu do ar, fazia parte de uma postagem sobre o livro 'the persian boy' e glamurização/plasificação da beleza, inspirada nela pensei essas ideias.

(Entendimentos que Tive) Na Natureza da Espiritualidade I e II

Parte I


A base das grandes religiões organizadas, notadamente aquelas monoteístas e de origem universalista e proselitista parece ser fundamentada numa crença irracional, num medo do desconhecido, e num sentimento de inferioridade que é utilizado também por interesses políticos de uma classe superior para com os subordinados fiéis.

Entretanto, existem crenças, que poderiam ser chamadas de animistas ou xamânicas, que não se enquadram nesse quadro obscuro das grandes religiões.

Um fetiche, ou objeto de culto de uma dessas formas básicas de espiritualidade, trata-se de uma obra de arte que contem elementos comuns e desejáveis ao dia a dia de um ser da nossa espécie. É muito simples.

As praticas direcionadas ao fetiche são baseadas em um raciocínio bastante lógico, simpático, que visa atrair um espírito, espírito este capaz de propiciar algo, um facilitador das ações daquele que o cultua para que suas ações possam ser cumpridas. O fetiche funciona também como um ídolo, uma fonte de inspiração. A um nível em que ele é homenageado ou entendido como um ancestral, isto declara aquele descendente como possuidor das qualidades virtuais que vislumbra no fetiche.

Espírito, sopro, ânimo.

A crença em um ente cuja materialidade ou existência é menos densa do que o nosso estado me parece fruto da nossa capacidade teatral. Nós sentimos o vento, e pensamos voar, assim o vento nos inspira a ser capazes de fazer o que as aves fazem, com intenções bem próprias. Este processo poderia ser entendido como a ação espiritual do vento (espiritual = inspiradora; espírito = ânimo).

Não é preciso afirmar nada para validar a “prática espiritual”, nenhuma verdade cega, muito menos uma crença irracional. Esta prática, este culto/cultivo, de veneração ou recorrência a ícones fantásticos me parece apenas a manifestação arcaica da aptidão artística e teatral (capaz de mimetizar o que intuímos ser o sentimento de algo exterior) da nossa espécie.

A ciência não explicou todos os processos que não podemos ver, e nós não identificamos todos estes processos, nem os percebemos de alguma forma. Mas alguns desses processos ainda racionalmente inexplicáveis podem muito bem ser reais, e naturais, fenômenos incompreensíveis gerados pelo cultivo das práticas artísticas/espirtuais.

Genes, árvore genealógica da vida, evolução das espécies, nada disso parece entrar em conflito com essas idéias espirituais animistas. O reconhecimento de que tudo está conectado, de que dentro de nós e de tudo existe uma memória ancestral que pode ser acessada intencionalmente, etc.

Talvez porque essas crenças/práticas sejam mais ou menos sinceras e naturais a ponto de tratar-se de uma expressão genuína do comportamento da nossa espécie de interagir com o meio de uma forma criativa e sentimental.

Assim, a lógica por detrás dessas práticas é bem coerente: espírito = sentimento, ânimo, tudo que aumenta ou influencia o animo pode ser entendido como produto da ação ou interação entre um animo e o próprio ânimo (relação espiritual); memória, artefato, verso, rima, ritmo, imagem, elemento = tudo o que evoca a sensação de um estado de humor sobre o animo; culto, cultivo, cultura, rito = tudo o que se pensa atrair determinado espírito, gosto, som, cor.

Para a eficácia dessas praticas não é necessário acreditar que o espírito de alguém sobrevive depois que o corpo fica sem espírito (sopro, ânimo), mas apenas ser capaz de sentir o estado de espírito provocado pelo falecido através da participação de algum rito que desencadearia na memória do celebrante a sensação da presença do memorando.

Desta forma a espiritualidade pura e simples parece ir direto na direção da ciência, acessa a memória atávica e afirma a conexão entre tudo.


Parte II


A entendida espiritualidade como fruto da cultura humana afirma que toda concepção espiritual é gerada a partir da percepção sensorial.

Diferentemente da ciência que visa a estrutura da matéria, a espiritualidade foca a superfície da mesma com uma aspiração transcendental, poética e extática da experiência estética. Embora existam manifestações pseudo-cientificas sob égides míticas (religiosidade, a adesão às idéias que foram concebidas através da experiência espiritual de outrem), elas são sempre baseadas em algo revelado pela experiência extático-poética, e, portanto limitadas à capacidade perceptiva daquele que a vivenciou. E as próprias justificativas pseudo-científicas estarão sempre fadadas a ser derrubadas em alguma outra época onde a ciência disponha de tecnologia superior capaz de penetrar mais fundo nas estruturas do mundo material.

Tudo isso só invalida a espiritualidade a partir de onde se afirme que ela seja oriunda de algum plano sobrenatural, caso contrario isso a classifica como mais uma faceta do comportamento humano na esfera racionalista e também na recreativa (que visam compreender e transcender as experiências, respectivamente).

Assim, todo simbolismo e símbolo, são sempre elaborados e estabelecidos por nós para serem reconhecidos e inspiradores para ninguém mais e ninguém menos que nós mesmos que os concebemos.

Alguns conceitos comumente associados ou vistos como provenientes da religiosidade, como as noções de belo e horrendo, e a moral, são igualmente fruto dos sentidos e sentimentos daquilo e para com aquilo que consideramos prazeroso e desejável. Bem como daquilo que coopera com um meio de manter a saúde e o bem estar (higiene, propriamente). A religiosidade foi como um rio que propiciou a continuidade desses conceitos, como peixes mutantes, durante muito tempo.

Desta forma, existe uma distinção considerável entre verdade e realidade. Verdade é percepção e saber, ilusões sensoriais; realidade independe de percepção ou afirmação senci-consciente.

História (bem como Arqueo/Antropologia pré-histórica), pura e simples, serve como um indicativo bastante justo dessa linha de desenvolvimento dessa aptidão espiritual, e nos mostra de maneira consideravelmente clara a evolução desta, e tudo o mais que a envolve como praticas e idéias, nos diferentes estágios evolutivos de nossa própria trajetória cultural.

Oitavo Sentido

Se o sexto sentido é uma intuição, então declaro: o sétimo é a combinação dos seis.

O sentido do paladar é atiçado pela fome
A fome é despertada pelo aroma
O olfato é aproximado pelo som
A audição é surpreendida pela visão
O olhar é alcance que o toque almeja
A mão é guiada pela intuição
Impressões de pensamentos fundamentados na luxuria

Sangra e afoga

Uma estrutura adamantina tecida sob a luz do sol vertido, reverso e inverso
Um reluzir que desperta o sonambulismo da presa
Uma dormencia no labirinto aracnídeo
Um sonho que performa o ambalsamamento de um insecto

Uma mariposa mumificada por seu próprio desespero
Na teia de uma aranha que nunca dorme

A fúria de seu sexo possui a constrição de oito tentáculos
Com quatro ventosas vampíricas cada
A abundancia de sua lascívia capacita a destreza de oito pernas
Com quatro articulações urtigantes cada

Uma mulher aracnídea não sonha
Mas faz sua presa sonhar

Uma mulher aracnídea não caça
Mas esculpe pacientemente a atratividade que realiza a si mesma no potencial da sede de seu amante

Uma aranha com oito patas é a encarnação do sétimo sentido
Como escorpião também perfaz-se em um emblema de mistério renascido

Sete sentidos a aranha sente
Aquela que sente como uma aranha
Possui o oitavo sentido

O sétimo é a combinação sensciente dos seis
O oitavo é a dissolução extasiante do sétimo

Na teia onde cintilam pontos ígneos sob o luar infernal do eu
Jaz o mapa astral rumo ao paraíso do ser.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

a-gosto, des-apetite, sem-paladar

eu descobri que não importa com quantas roupas bonitas eu me cubra, nada esconde o fato de que nenhuma extravagancia pode me animar mais do que a simples felicidade que em mim havia, quando eu mal sabia que a minha alegria consistia em saber, que eu te fazia também o bem que voce me fazia, tão-bem

Come Undone - Duran Duran
http://www.youtube.com/watch?v=dmhKnOoXvyY&feature=related

Limiar (Homenagem aos "Xamãs")

A furia dos animais feridos com armas foi o seu batismo asthmo-feérico
A fuga dos animais ao alcance das ferramentas foi a projeção da sombra de sua carne eclipsolar

As vocalizações do cio e do orgasmo foram nomes pelos quais os vivos a ele clamaram
Ja os sangrios o aclamaram com gritos de violência e de abate

Cinzas foram suas vestes de renascimento
Ferrugem as de vingança

Para ele a porta pro além era no solo
E o anseio dos espíritos, contínua re-encarnação

Doença era medicna
Remédio, abstração

Vi-ver desperto era jogo
Sonhar, instrução

Primitivo era mérito
Atrasado, ilusão

Só era saber o praticável
E apenas arte era religião

domingo, 17 de abril de 2011

Instrução/Bons Costumes

Se mesmo diante da incerteza eu arriscar agir
Não poderei aos mais velhos incutir
Responsabilidade pelo mal porvir






Okunkun mu omodé ki ago bi omodé ko ki agô a ka ehin okankan
(Se a criancinha não pedir licença na escuridão, ela quebrará os dentes da frente)

Ogun arekê bawon ni she
(Assim sendo, tranquilamente Ogun faz o mal)

Cult(ivo)o

A serpente tem sucesso porque é arisca
A isca atrai a serpente com sucesso

A serpente não torna-se familiar àquele que a alimenta e a captura por (in)segurança
Aquele cuja serpente é parente a alimenta e cativa-a com a dança

A serpente que não é familiar à dança
É arisca a qualquer movimento






Ejó a mu elewiri fo ohun
(Serpente que faz o ferreiro falar)

Ogun pá onilê ki a gba ori re jo
(Ogun mata o dono da casa, pega sua cabeça e dança)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Musica Movente

Pra fechar a semana, uma música linda de uma das vozes mais poderosas e encantadoras que ouvi nos ultimos dias,

Emma Shapplin cantando The Fifth Heaven:
http://www.youtube.com/watch?v=ZSYdG6Z2Nv0

Quale per li seren

tranquilli e puri

discorre ad ora

ad or subito foco,

movendo li occhi

che stavan sicuri,

e pare stella che tramuti loco..

Come saranno

a'giusti preghi sorde

quelle sustanze

che, per darmi voglia

ch'io le pregassi,

a tacer fur concorde?

Bene è che sanza

termine si doglia

chi, per amor

di cosa che non duri,

eternamente

quello amor si spoglia.

Quale per li seren

tranquilli e puri

discorre ad ora

ad or subito foco,

movendo li occhi

che stavan sicuri,

e pare stella che tramuti loco..

Quale per li seren

tranquilli e puri

discorre ad ora

ad or subito foco,

movendo li occhi

che stavan sicuri,

e pare stella che tramuti loco..

se non che da la parte

ond'e' s'accende

nulla sen perde,

ed esso dura poco..

se non che da la parte

ond'e' s'accende

nulla sen perde,

ed esso dura poco..

terça-feira, 12 de abril de 2011

Es-crita Es-quisita Es-quizofrenica (2007)

O.V.N.I. [O = oh – deus - !; V = virtuosidade; N = nuvens-voadoras; I = inquietude]

Alguma incerta profecia havia sido farejada

Por um mor-cego certeiro que alcança sal e enxofre

O testar magnânimo das alturas correspondendo ao inferno

A criança ouvia o brinquedo vazio do balançar-se

Sem que a surpresa jamais houvesse ali implícita

Ora, vamos lá

Os sentidos propagam-se silenciosamente

Por deleitosas propagandas com homenzinhos rápidos e maravilhosamente arrebatados por uma asfixia que assalta bom-bons nas galerias açucaradas de suas narinas direitas

E isto é escrito por um lunático canhoto (?) (!)

Quão magnificamente a arte se repete

Iludindo e perfazendo a saturação da realidade antes não percebida

Um morcego é um pingüim de smoking

Só que com um selo de: “não fume na área 51”!

Quem ousa fechar uma boca de intoxicações

Este nunca latiu na abertura de uma caixinha de músicas, e cisnes com ventosas coroando a chegada de uma ácida tempestade

Que estacionam no lago congelado onde a mãe das abominações range as testas como seios dentuços selando o dia

Era noite naquele parque sensacional

E tudo muito estranhamente familiar

A criança extra-terrestre nunca mentiu sobre os brilhos coloridos em salivares nasais de chocolate

Nada caberia em seus pesadelos de agora em diante

Somente a curiosidade felina por constelações há muito enterradas nas linhas tortas do diário do deus com cabeça de anúbis-brincando.

<- Manifesto tumular vivendo sem dor,

Embebido em águas de pura compreensão,

Explodindo artifícios para confundir observadores...

... incauto-intrusos

É o riso atrás das grades,

É a mão por trás do arrepio

É o canal de carnificina que verte fábricas de sonhos

E flutuantes pensamentos

Inebriando o pesar da sombra no mundo.

Através de portas refletindo embaçadamente

Abertas quando os olhos se fecham

Para comungar infinitamente sobre a antítese cupular do si-mesmo

Copulando com o tremeluzir do sol

Fluidez de uma linguagem corpórea

Na incompreensão do amor mais obscuro

Que a tudo clareia

Marchando no firmamento empoeirado

Despindo-se nas praias lustrosas do inferno

É previsão petrolífera que patrulha um aconchegante abalo

Ameaçando colônias inteiras

No desolar de conservadorismos velados com medo

Esta libido beija fogos angélicos

E os faz tremer

De porfírio desespero,

Isto são animais festejando a fúria insaciável banqueteando-se na salvação dos oradores do silencio

É sopro gentil que lambe segredos no virar das paginas de psíquicos relatos.

<- Infinita uniformidade

Labirinticamente batizando o nada que tudo há de ser

Gargalhando dislexias ritmicamente de milimtricas exatidões

Erotizar infindo

Erupção continuamente inacabada e perturbadora

O sono é a cura para o mal chamado vigília

Enfermidades como sonhos

Tratamentos de cuidadosa realização

E loucamente perdendo controles de helicópteros tele-guiados

Códigos victimizados

Transes visionários e trans-formando

A destruição das massas

O fogo que regenera o cadáver cerebral e cinzento

Chás anfibióticos

A mais eficiente medicina

Venenosa

Morrer é um fardo para os que enriquecem

Viver é uma dádiva para os que abandonam

Amar não dói

O que machuca é o enferrujar de um balanço

Nostalgicamente e sem-lógica

Perturbando glândulas secretas

Que segregam poções de rejuvenescimento

O radar receptivo de nações não cansa de cessar

Iniciando novas transmissões folclóricas

O medo está revelado para sempre

Quando o prazer é oculto para nunca mais,

Se está o denunciar exausto

Então o deleite alimenta o crescimento na força do desejo...

E se enquanto todos unem suas mãos para entoar preces de restrição ante a luz

Alguém ousa encostar-se à sombra alegremente

Este é um mistério gaseificado na sepultura do diabo

E a chave para a prontidão que emergência o atendimento destas preces

Ciência explica a exatidão dos resultados

Ciência exemplifica a imprecisão dos mecanismos

Porque as cifras estão habitualmente habilitadas

Por toda astúcia que há no esconder do paraíso

Selado por serpentes

É o presente dos pássaros

E não há cadeia ali senão amor

‘o amor finda as numerações de cada trunfo no livro da sabedoria Amém!’

E na verdadeira ordem da lei todos se encontram

Re-fletindo e ecoando

O complemento que adora ser incompleto

Pois assim se realiza

Sintetizar do intelecto rítmico

Fatidicamente factuando as peças de seu espetáculo

Assistido por todos

O um e o um

São juntos nenhum que não outro

Exposto e produzindo o dilacerar recompõe

Barulho do fenômeno pelos fragmentos de apoio

Consumindo-se liricamente até a transformação final

Que ao antigo lugar dá nova forma

Recompondo o justificar do debate entre as confusões abstratas

Geométricamente estabelecidas

E se parece muito automático basta negar a unidade e mentir

Para o mal da privação parar com tudo

‘Mas quem ousa depois de experimentar ?

Como quer que seja!”

Estes questionamentos só limitam

Pois afirmam uma abstinência que priva

Hinos gloriosos de vitórias

Lamentos ornados de mudanças

Celebrar as possibilidades é melhor em todas as coisas

Já que o bailado que acompanha a canção mais vívida acaba cedendo

Às maravilhas da experiência

Que são únicas na multiplicidade dos egos

Não tem fim o começar de tantas histórias

Enquanto houverem protagonistas

É antagônico à arte imitar a vida

Espessura dolorosa na virtude de inovar,

Os erros na bula do vocabulário são imensos

E pecam no ocilar congelante da duvida

Pra que privar se a expansão é divina?

A Verdadeira Religião é a livre de regras

Com dogmas de puro e livre êxtase

Ela liga nobrezas amorosamente e parodia a fé melodiosamente

Valorizando o Profeta e o Gênio

É hilária e redentoramente agradável

Nucléica e eruditamente abrangente

Fundamentalmente simbólica

Sistematicamente de acordo com o individuo adepto

Sem estabelecimentos ela é

E um verdadeiro refugio

Espaço entre as distancias

Delimitação que garante o sucesso

Ambiciosamente poderosa

É perfeita!

Eficiente!

Pronta!

Natural...

Sendo um meio agradável

Onde cada um a enfeite como queira

É palco de loucas tragédias

Composta recompondo decomposições

“Se cada um dançasse sua musica os cantos seriam multiplamente únicos

E a sua permanência seria sacra

Assim é a religião de dentro

Evoluída e condensada”,

Misturas culposas pelas recompensadoras ressurreições do ego emergem em litânias hedonistas

Para comover e preparar ressurgires ainda mais ambiciosamente exatos

Injetando subjetivas injeções de colaterais inspirações

Uivando desenfreadamente as cautelosas latências na distração que hipnotiza loucuras cavadas nas tumbas lupinas à sombra da lua

Perambulando feito víboras em relação ao sol,

Girando incircunstancialmente a volta de diagramas que nem mesmo os deuses mensageiros decifram

O trabalhar dessa magia é o acaso

Um relembrar da consistência luminosa que mata substâncias

E tudo pelo obscurecido e sombrio amor que impulsiona

O vislumbre traquino ao afastar falhas

Um aro estelar que lança os deuses para fora da roda.

Momento de Relembrança, risos (2004/2005)

A Máscara Sorridente que Nunca Fala, Velho dos Caminhos



Quando você está sozinho à caminhar, sou eu quem manda a brisa e o vento,

Eu que sou o veloz e o astuto, sou também o gracioso e o sereno, aquele que corre pelo mato, que te observa da copa das arvores enquanto vens ao longe, eu sou o que está a rodopiar pelos baixos ares na encruzilhada vazia,

Brincando, provocando, observando...

Eu sou o livre, que abandonou as sandálias,

Aquele que habita lugares abandonados,

Sou o que te instiga a seguir por tais vias,

Sou o da Sombra, na Luz,

Sou o bicho a quem você só ouve, e o espírito que você não vê, a ponto de que raramente percebe, pois quando eu me aproximo, você apenas sente,

Sente a canção, sente o céu sem se desligar do solo, sente o velho no que atualmente ocupa seu lugar, mas não su posição,

Sou aquele que, mesmo quando você chega em sua morada, te faz perceber que ainda estou lá, no selvagem,

Sou o que parece estranhamente familiar, sou a lembrança que, tão profundamente, lhe toca,

Brincando, provocando ou observando,

Eu sou aquele que, quando você sai de meus domínios, vai ao seu encontro,

Eu sou o que te saúda na Ida,

E o que te acena da Vinda,

Enfim sou eu...

...o fole e a lira que acompanham a sina,

A flauta e o sino na canção da vida!

O Demônio em mim (março de 2006)

Ó ti o mais escuro

Quando um verbo surgir de ti

Eu quero ser como a serpente

Que eu não vislumbre a luz

Até que tenha vivenciado em mim

O mistério da nudez

Não quero perder-me em nuances

Ou em melodias

Mas desejo celebrar a verdadeira essência terrícola de meu espírito

E com as mais belas proezas declarar ao mundo meu amor

Tão profundamente como a mais repentina das calamidades

Sussurradas na verdade crua do sonhar

Ó sussurrar que encontra

Mover que alcança

Voa

O mais denso encanto

O mais pesado coro

Bate tuas asas e preenche meu corpo com o ígneo apavorar da madrugada

domingo, 10 de abril de 2011

Saudação à Água

Mais que ao despertar
A germinação de uma semente desilude

Acerca do poder indispensavel da substancia cuja fluidez refletora alude
A qualquer paragem onde movimentação abunde

Insólita base soluta de toda qualidade concreta
Têmpera da arte do viver




Ojô pá Egun ko ghodo ya inã, ojô pá Ebora jio-jio! Ashe! (A chuva que bate no Espírito não se aventura a passar pelo fogo, a chuva que bate no espírito protetor encharcado! Ashe!)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Iya mi, Iya wa, Iya gbogbo!

Agradeço à Vida, mãe

Agradeço à Mãe, vida

Agradeço pelo aprendizado


Ela ensina os filhos a chegar no topo da árvore da vida

A mãe emplumada nos ensina bons costumes

Ashe!

Bá a bá dê mi ju ani, bo mi ooo! Ashe! (Se vindes até mim, proteja me! Ashe!)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Excelência


Se o pássaro precisa transmitir uma mensagem
Ele não espera ficar tarde

Pode não estar um dia ensolarado
Pode ser que o dia nem sequer tenha chegado

O pássaro pode estar com fome
O pássaro pode estar encharcado

Mas sua natureza não falha
Ele chega ao topo e fala

Haja vento, escuro ou tempestade
O pássaro nunca espera ficar tarde

sábado, 2 de abril de 2011

Adendo à 'Resacralizando o Sacrifício'

Como um alerta para pessoas que: ou acham que torturar animais é algo implicito à religião Iorubá, ou adeptos /praticantes que possuem uma visão industrial acerca dos animais sacrificados. Os animais e as plantas são ritualmente entendidos como filhos de Onile (assim como nós!) e tratá-los sem dignidade ou consideração é uma grande ofensa à ela.

Extraído de 'Animals in the Traditional Worldview of the Yorùbá', por Ajibade George Olusola:

"Ilustrativo de como os Iorubá valorizam os animais e que eles são conscientes dos papéis vitais que os animais desempenham em suas vidas, são as muitas maneiras nas quais eles tentam incutir cuidados aos animais em suas crianças desde a infância. Isto é feito na forma de contos e e 'poesia contada ao luar' (moonlight poetry: é um determinado gênero folclórico com o propósito de ensinar as normas e os valores sócio-culturais às crianças. O que por sua vez forma uma parte integral de seu comportamente enquanto adultos e a conceitualização de seu ambiente e seu mundo)

Aqui temos um exemplo de poesia contada ao luar:

Adìe mi
Èyí tí mo rà

Ó sì je lo

Lálé ojó kan

Ó kó sí kòtò
Ìyá bá mi gbé e
Gbígbé tí mo gbé e
Gbígbòn ní n gbòn

Mo wá fi yéná


Meu galo
Aquele que eu comprei
Ele foi lá fora
Certa noite
Ele caiu em um poço
Mamãe me ajudou a carregalo
Enquanto eu o carregava
Ele tremia
Eu o coloquei perto do fogo para que se aquecesse

Este poema infantil é como um catecismo didático religioso, de modo que no momento em que as crianças tornem-se adultos elas saibam que cuidados devem ser rendidos inclusive aos animais. Isto é para mostrar que é um equívoco fazer uma simples generalização de que os Iorubá não se importam com seus animais, somente porque eles não os têm como animais de estimação. Além de utilizar animais para alimentação, eles também são utilizados em sacrifícios às divindades."


Serpens Sapientum

Khoi-San é um termo que designa um povo/cultura no qual fora encontrada a maior diversidade genética. Ou seja, com base nessa diversidade presume-se que eles sejam representantes dos humanos antes da migração para o norte da África e para fora dela.

Características físicas desses dois grupos são semelhantes e elas suportam teorias evolucionarias.

Os Khoi possuem um estilo de vida mais moderno, são pastores, os San são caçadores-coletores. A visão de mundo dos Khoi possui deuses e herois, enquanto a dos San enfoca na força vital. Ou seja, dessa familia, se o grupo San preservou mais habitos e costumes antigos podemos afirmar que a religiosidade primeva consistia em algo centrado em forças e não em personalidades.

Em 2006, uma equipe de arqueólogos liderada por Sheila Coulson, da universidade Norueguesa de Oslo, na 'Caverna do Rinoceronte' localizada no sítio arqueológico de Tsodilo no noroeste de Botswana, descobriu o que acredita-se ser o mais antigo local ritual utilizado por nossa espécie conhecido até então. No sítio foram encontradas pontas de lança que foram utilizadas apenas com o proposito ritual/simbólico.

As descobertas indicam que o povo San pode estar usando a remota caverna onde a descoberta foi feita ha pelo menos 70 mil anos, 30 mil anos antes do até então conhecido periodo ritual (na Europa). Nessa caverna o icone de adoração era/é uma grande serpente, presumivelmente uma píton.

A África é um continente extenso e possui uma diversidade linguística/cultural considerável, mesmo entre seus nativos.

Tida como o berço da especie humana, e os especialistas linguísticos tem utilizado de seus conhecimentos de linguagem para reconstruir um esboço do que seriam os principais conceitos filosoficos e de crença dos diferentes povos que perpetuaram as respectivas linguagens/culturas. As quatro famílias linguísticas faladas na África são: Afro-Asiática, Nilo-Saariana, Nígero-Congolesa, e Khoi-San.

De acordo com Christopher Ehret, importantíssima figura em História africana bem como em História Linguística Africana, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, os San compartilham com as primeiras populações Nilo-Saarianas, essa crença centrada na força vital. Embora a maior parte dos povos representantes da antiga cultura Nilo-Saariana apresentem crenças em divindades, alguns representantes modernos dessa família, como os Uduk, ainda preservam um sistema de crenças não-teísta. Eles acreditam que os acontecimentos relativos aos poderes espirituais e/ou seus perigos não provem de uma divindade, mas sim de uma força, que é denominada 'arum', e é o agente animador dos seres vivos.

Confesso que não possuia conhecimento sobre os troncos linguisticos africanos até muito recentemente, mas já estava familiarizada com o conceito de troncos linguísticos porque havia estudado os proto-indo-europeus. Mas desde que tomei conhecimento sobre a intrigante descoberta em Botswana minha mente começou borbulhar, e somada a minha paixão por serpentes constritoras, línguagem e crenças não-teístas, surgiu logo a vontade de juntar o quebra-cabeças.

Se as crenças dos herdeiros que melhor preservaram os costumes antigos de antes da migração não compreendia deuses, e se a caverna da píton de rocha data desse período, como o ícone da serpente poderia ser entendido nesse contexto?Devido ao fato de a descoberta ser muito recente e que também geralmente os assuntos ligados à África terem pouca notoriedade, não importa o quão fascinantes sejam, ainda não pude encontrar alguma opinião a esse respeito.

Minha opinião em resposta a essa questão é a seguinte: -Dada sua qualidade anatomica, a serpente percorre caminhos com uma aparente fluidez, e ultrapassa obstaculos contornando-os com notável habilidade. Como a fluidez da água e do vento e do fogo que animam a experiencia observada e vivida/interagida sobre a solidez terrestre, a serpente, e os vermes, são os animais que melhor poderiam representar essa qualidade animadora.

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-