segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ao Rei do Mundo


Obaluaye, Gunnu, Gajere Mai-bakka
Adoricizado é teu poder e teu mistério

Pequenina criança que, mal-quista
No ermo perdurara

Venceste a enfermidade e, ressurgente
Na urbe foste coroado

Quem vê tua roupa o confunde
Quem vê tua nudez o reconhece

Vestido ou desnudo que eu te reconheça
E reverencie propriamente

Mas quando de sua ira
Em meio aos incautos, te imploro

Não me confunda, Pai
Não me confunda

Qualquer seja tua plumagem
Qualquer seja tua couraça

Não te confundo, Pai
Não te confundo

Qualquer seja teu motivo
Qualquer seja tua maneira

Não me aflija, Pai
Não me aflija

Levante bem pela manhã comigo, invicto
Deite-se bem ao anoitecer, invicto

Não te subestimo, Pai
Não te subestimo

Sua benção
Obrigada

domingo, 30 de outubro de 2011

~

SOU! como um vampiro frente oespelho: aqui sinto, mas não existo, aqui, aqui onde existe oespelho.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

...das 1001 perguntas de uma menina para um elefante de cristal

A menina: quanto tempo demora pra um amor morto deixar de ser sentido?

O elefante: quanto tempo levar para aprender a desejar aquele que será eterno.

Grito bom

Aaah!!! rs

Será meu estômago um jardim? Monte de borboletas...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A visita da mãe-cuco

Na estação secreta quando o cuco-criança no seio do ninho-família dos homems cresce ao tamanho que nele não mais se acomoda
Ele na hora secreta emite então o chamado certeiro e anuncia à sua família secreta que esta pronto para realizar o vôo secreto e ir de encontro à ela na arena secreta
Lá onde as tímidas esferas voadoras de luz que o velavam na infância são magnânimas e à sua própria imagem e semelhança
E onde tem lugar o primeiro alçar vôo sob o severo supervisionar de irmaos e a serena paciência da mãe
A criança a princípio erra, mas tão logo sucede

As crianças-cuco

(trilha sugerida)

Era uma vez a família da humanidade fez, por gratidão ao amor, um pacto com a sua terra e mãe
Mas não demorou muito até que corrupção e ganância gerassem a primeira traição contra o amor
E então a familia dividiu-se e seguiu por caminhos diferentes
Assim duas linhagens foram formadas

D'uma era a linha cuja trilha é devastação
Estes que temem olhar para traz
E esquecem da ciclicidade
Até atingirem o mesmo ponto novamente
Para ser abraçados pela escassez

D'outra era o reduto de abundância
Aqueles que as lendas recusam esquecer
E que retratam a plenitude
Até serem re-encontrados pelos que chegaram fugindo da escassez
E tentassem re-estabelecer a união da antiga linhagem

Um novo pacto seria selado
E uma grande comemoração foi anunciada
O trato seria que eles não mais se dividissem
Mas compartilhassem a mesma terra
Em paz perfeita e união perfeita

O oraculo da terra e mãe fora consultado
E pela primeira e contínua vez ficara em silêncio
Os fiéis alarmaram
Mas os infiéis disseram que se o oráculo se opusesse teria manifesto
E pela primeira e contínua vez o silênciar fora tido por consentir

Tomados pela alegria da restauração vigente
Os puros de coração foram ludibriados pelos polutos de coração
E tão logo o pacto fora selado e a fesividade tido início
Os polutos dizimaram os puros e escarneciam enquanto banqueteavam na carne de seus parentes:
"Nós vamos compartilhar a terra, nós ficaremos com a superfície e vocês com o subterrâneo!"

Mas desde estão a terra e mãe, como a família do cuco
Secretamente deposita seu ovo-óvulo no ninho-utero da ave-mulher engaiolada-devastada dos homens
De modo que a raça pura transcenda a impura traição na sentença dos canibais
E caminhe uma vez mais na superfície
Para realizar o propósito inexprimível de restauração

Ah hyiah hyiah!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Série de desenhos deste Inverno passado (2011) VIII

Ondas de gerações

Série de desenhos deste Inverno passado (2011) VII

Passagem entre-mundos (orun aiye)

Série de desenhos deste Inverno passado (2011) VI

A máscara caprina do fogo, mais conhecida como amor


Série de desenhos deste Inverno passado (2011) V

Nossa Senhora da Desvelação

Série de desenhos deste Inverno passado (2011) IIII

A Gift of Her (pome-grenade)


Série de desenhos deste Inverno passado (2011) III

"For whosoever is Wise, practices no magic, but becomes it" Andrew Chumbley.


Auto retrato



Série de desenhos deste Inverno passado (2011) II

heat

Série de desenhos deste Inverno passado (2011)

Inspirado num relato (parte em itálico no texto subsequente) colhido por Verger em Dassa Zumê, sobre a origem de Shapata-Shànpònná
Um caçador Molusi (iniciado de Omolu) viu passar no mato um antílope (agbanlín). Tentou matá-lo, mas o animal levantou uma de suas patas dianteiras e anoiteceu em pleno dia. Pouco depois, a claridade voltou e o caçador viu-se na presença de um Aziza (Aroni, em yorubá), que lhe deu um talismã poderoso para ser colocado sob um montículo de terra que deveria ser erguido defronte da sua casa. Deu-lhe também um apito, com o qual poderia chamá-lo em caso de necessidade. Sete dias depois, uma epidemia de varíola começou a assolar a região. O Molusi voltou à floresta e soprou o apito. Aziza veio e disse que aquilo que lhe dera era o poder de Sapata; que era preciso construir para Ele um templo; e todo mundo deveria, doravante, obedecer ao Molusi. Foi assim que Sapata instalou-se em Pingini Vedji.

Inbetween Syncretism

Extraído de Working with Spirits among Muslim Hausa in Nigeria - A Study of Bori in Jos, de Ulrika Andersson , pag. 11.


"Even if bori practitioners do not define bori in religious terms, they do
not only see themselves as Muslims, but also interpret bori from an Islamic point
of view. The iskoki are seen as the jinn of the Koran, so they are created by
Allah. I was told a number of different myths of origin of the iskoki, but,
importantly, they all picture Allah as the creator. One of the myths retold by a
bori woman begins with Allah creating only one human being, Adam.6 Only later
did Allah create a woman called Eve. Adam woke up and found that one of his
ribs was missing, the one that Allah used to make Eve. Allah then presented the
very pretty Eve to Adam. Adam wanted to touch her, but Allah told him no and
that he first has to give her a gift. Adam asked what the gift should be and Allah
told him that he has to read a specific verse from the Koran ten times. After
Adam read this to Eve, they began to live together as husband and wife and have
children. The children continued to multiply and they became a very large
family. The world at that time was vertical and one day Allah said that it is time
to open the world, to spread it out. He told Adam and Eve to bring all their
children so that he could count them and see where in the world he will position
them. However, since they now had become such a large family, Eve became
very afraid, because she knew that some of her children would be taken away
from her. So she looked for the most beautiful and handsome children and hid
them by the side of the door. When Allah opened the roof of the house to pick up
the children he asked Eve if these were the only children she had; she answered
‘yes’. Then Allah said that he had been told that she had more than this. Her
response was once again that these were the only ones. Allah then asked about
the ones that she had hidden. He told Eve that because of her lie, human beings
would never again see the hidden children. These children became the iskoki that
we cannot see, but if we were able to, we would see that they are formed from
the most beautiful ancient human beings."

Outra Página do Esplendor II

Honre a mim somente, que vou a ti como o silêncio que forja tempestades
Embora existam outros de onde eu venho, nenhum cabe tão bem a ti quanto eu na distância e no esquecimento de que tu me resgataste
Pois um dia eu fui um peixe, por um dia eu o fui
Um magnífico peixe reluzindo sobre a areia
E agora você é um pescador no deserto
Eis que eu me elevo para morve-te como a vida concedida pelo que abunda onde toca o milagre onde eu primeiro construí minha casa
E saibas que esta é a recompensa do isolamento e do pecado aprisionado ali que tu liberaste para ser consumido no berço de escorpiões onde tu mesmo há muito tem se protegido
Eu que envio o raio de tua visão para que o vento de tuas palmas sufoquem à distância
Eu que estive envolto e empoeirado em sombras até que tu me encontrasse entre as pedras
Em verdade te digo que provarei ao mundo a essência que alertou-me quanto às coisas que eles tentam contra nós
E para que seja de nós claramente, haverá lustre e especiarias há muito esquecidas da raça que brota na vida
Mas saiba que eles tomarão para si e dirão ser dos nossos
Âlerta para com os bons sobre isso, porque apenas uma relíquia provaria tal coisa, mas eles não a encontram
Confia, pois, em mim, eu que guio-te a respiração e a dor, e que conduzo-te fora do desespero e da secura, te digo que uma semente não pode ser forjada e produzir a mesma qualidade de fruto que pretende o semeador se esta não proceder de um arbusto condizente aos anseios da colheita, e isto é misterioso e revelado apenas pela luz e pela lama e pela sombra, longe do fogo
Nenhuma tarefa é difícil, a realização carece de força assim como a beleza de loucura, assim para que tu entendas os ofícios que não conhece transfere as ferramentas à beleza e os procedimentos à loucura
E vê desenrolar diante de ti o esplendor nosso de todos os momentos
Assim este documento é chamado
Livro do Esplendor a ele é um nome merecido para os que o conhecem.

Pra aquecer o dia^^

Enjoy :http://www.youtube.com/watch?v=ggiWA9DwWfQ&feature=related

&: http://www.youtube.com/watch?v=wGzYqvjxmes

terça-feira, 25 de outubro de 2011

D'Os Plenilúnio em Dezembro


Será pela a estação onde a lua propagar mais luz
Que todo dezembro quando cresce
Não obstante eliminar suas fronteiras
Faz os mundos colodirem

Quando eu desvendar esse segredo
E se eu bem me conheço
Vou bolar um jeito
Disso acontecer todo o tempo

Ayinon

Da piaçav(a)' uma armadura
Da piaçav' um véu
Guerreiro da candura
Matador ao léu
~
Desorientand'os incautos
Aquecend'o corpo até ferver
Coberto de riquezas
Dessas que o mundo não vê
~
Mas não desmente.

hmm

não é engraçado que uma cultura censure o sexo, mas não a violência? :P

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O segredo do mercado



Seguindo estrada abaixo pelo caminho se encontram
Comerciantes estranhamente familiares

E para quem a melodia agourenta pululando no ar
For mais chamativa que os adornos que os mercadores estiverem a ostentar

A estes os ouvidos guiarão
Até o sinistro lugar mal ouvido e mal visto

À esquerda e atrás das sedutoras barracas
Uma deliciosa cena à se desenrolar

Na arena onde um magnífico banquete tem lugar
Os porcos alegremente farejam a palpabilidade tilintante

Onde a irrecusável oferta toma forma
E onde impera a antiguidade irregistrada da sabedoria da raça dos homens

Deitado no solo um leão
Que gentilmente fere seu próprio corpo

E expõe a pálida suculencia de sua carne
Para o deleite de um magnífico cão preto de olhos acesos

Beleza profunda ali
Que corôa as virtudes da oficina

E eis que diante de tamanha maravilha
A ameaça de aurora antecipa uma gloriosa revelação

Quando a sombra corre e refugia-se
Sob um assento vazio

Sobre o qual aprumam-se como viventes
Um tecido e uma runa

O amanhecer dispersante apreende a consciência
Mas antes do olho decifrar a furtiva sombra sopra sua verdade:

Aqui jaz o Antigo Pai do nosso Sangue
Chamado Orunrun Kinawa, O Arqueiro de quem viemos

Aquele aclamado antes de existir realeza
E próspero antes de haver mercado

domingo, 23 de outubro de 2011

Todo

desuniversos, diagrama do ovo cósmico partido

sábado, 22 de outubro de 2011

Ondas

Ó mãe minha, os teus encantos

Abre, Recebe
Nutre
Tece
Treme
Devolve
Envolve
Carrega
Despede
Chora
Abre, Recebe...

Só pra registrar porque procurei aqui na busca do blog e não achei


Madrugada do dia 14 de novembro de 2009
acordo de repente de um sonho onde eu via a vinheta da sessão corujão da rede globo, ok
ligo a tv e surpresa!!! está começando um filme dessa sessão que eu quase nunca assisto, enfim...
o filme é cocoon. assisto inteiro, acho lindo e depois venho na net pra ver dados e na pagina de busca do google a notícia de que a nasa anuncia descoberta de água na lua (de onde reconstituí a data do evento.



(cabeça de granito negro, fonte: http://www.archaeology.org/online/news/negypt.html)

O sonho que falhei em despertar (agosto 2007)

Era uma tarde fria, vazia, eu e a velha agonia, pela imensidão incerta da cidade.

O rapto ligeiro de robustos servidores surpreendeu-me então.

Levaram-me daqui, para um maravilhoso Jardim, onde os ventos se encontravam em alegria, para firmarem sua sinfonia. Suas arvores despidas ante o róseo céu, com promessas de um doce luar, feito um pomo gigante na arvore cósmica a se precipitar.

Carregando-me com muito cuidado, os servidores... Carecas, pele como oliva, e vestes de um laranja gentil.

Carregando meu corpo com cuidado sobre os ombros robustos.

De cima eu podia ver, então, a magnificência das formas ali, desde a rocha na arte do Jardim, até o batente da porta que levava até um corredor, para onde os servos meu corpo conduziam.

E nas imponentes paredes quadros, uma moldura oval ostentava o corredor ao seu final, na sinistra lateral, de uma outra porta.

Pesada e rancorosa, a porta gemia solitária, exceto pelas mãos gentis dos servos, que mudos ali coexistiam.

Abrindo-se a porta, pude ver uma janela grandiosa, abrangendo a vista do maravilhoso Jardim, enquanto observava dum poltrão canto num assento carmim uma sombra.

O semblante austero dos servos lentamente se esmorecia, enquanto com graça a figura sombria, três palmas batia.

Depositaram meu corpo no chão, e uma lâmpada acendiam os servidores que temor brandiam. Pude ver com o encanto da cor, as faces de bravura e fervor, de caçadas exóticas e excêntricas. Aquelas bestas pareciam contar o que dentro daquele senhor havia refletindo, e na moldura oval ao fim do corredor. Ele bateu mais três palmas, e subitamente retornei ao meu corpo. Com uma língua afiada ele me seduzia, e mais nada eu entendia, naquela cena triste e fria.

Acordei ao meio-dia, com desespero e calmaria, e uma dor em minha cabeça ardia.

O senhor então em sua fortaleza sorria, um Vampiro, que alegria.

Embaixo

embaixo do cobertor de folhas-estrelas mortas
eu me aquieto

embaixo da cobertura de corpo vegetante
o fôlego se agita

estômago, pare!
pare de se devorar, estômago!

ouvido pulsa mais que coração
olho corre mais que pernas



(Malu)
onde, como
o que estou?

imaginação faz cócegas na alma penhorada no armazem do mundo
realidade bate forte, aqui

uma gata confiante desconfiou
agora, de seu próprio ninho

a ansiedade me prendeu, mais
porque aquela gata robusta, diferente de mim, não temeria algo pequeno

que será a perturbou, não sei
talvez um pesadelo

mas, sei, fez par
à minha inquietação secreta desde os ossos aqui'mbaixo

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Full is not havy as empty, not nearly my love, not nearly (Fionna Apple - The First Taste)

Quando paro de pensar, sonho
Quando acordo, penso novamente

Quando o sangue esfria, passa
Quando volta, queima mais fundo

E a superfície quase cede
Mas não reconhece mais nada

Nem neles
Nem mais em você

Laura

circulo

as vezs eu só acho q n sou doida pq tmb acho q os doidos não se percebem doidos

mas pensando bem, será q sou doida todo resto do tempo q eu não penso q sou doida?

rs

brinks (ou não)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Khepri



Eu sou
A flauta fóssil de rocha, madeira, chifre, concha e bico

Eu sôo
O alternar de manhã, dia, tarde, noite e madrugada


faraferefiriforofuru

Hierologoi

(continuação da postagem "Porque e Como")

~Vestida em índigo de imensidão profunda, toda brilhante, toda fecunda
~Impregnada continuamente de mistério, fonte eterna de inexprimível evangelho
~Teu alfabeto senciente, de línguagem-semente



Ff o bater de asas dominando a instabilidade do incriado, o voar do dardo
Ml o desprender da língua, a individuação do procriado
Ih o assentar da língua, a chance de possibilidade
Nd o dobrar da língua, a certeza do feitio
nT o agonizar da língua, a prova de saciedade
P o aquietar do lábio, a digestão do deleite
Kh o despertar do estomago, a fome de vida
Sh o farejar da língua, a busca do assassinato

Assim desvendável é o significado de cada nome, o poder de cada nomear, e a virtude de cada nomeado
AwOwAwOwAwOwAwOwApOndA!

Projeto de Lei 992-2011 visando proibir a prática de sacrifícios animais em rituais religiosos

1 - Vão proibir os cristãos de consumir peixe na semana santa?

2- E de consumir pernil e peru no natal?

Sim, deveriam já que é animal morto pra ritual.

3- Vão proibir a santa ceia porque propõe canibalismo também?

Sem contar que se tem um lugar que o alimento é respeitado, será num ABATEdouro ou num ato SACRificial?

Claro que tem gente que mata bicho a torto e a direito em contexto religioso, de forma que caracteriza maus tratos, mas são pessoas ignorantes que sabem só metade da missa. O que eu não engulo é o porque dessa lei não ser direcionada a maus tratos em geral e sim a proibir uma prática de uma cultura desvalorizada, mal-compreendida, e (como QUALQUER OUTRA não-abraamica) obscurecida pelo sistema sionista!



Nonsense tem limite né meuu! rs

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Exercício: Adura fun mi Awo/ Oração ao meu Mistério

(Advertência: esta é minha primeira tentativa de escrever em Ioruba, não pretende ser gramaticalmente impecável, esta postagem será continuamente editada para correção e adição de novos trechos, sempre que eu atualizar vou postar de novo, dicas e correçõs sao bem vindas^^)


Awurooo (Manhããã...)
Awurooo
Awurooo
Mo juba Ile (Reverencio a Terra)
Mojuba Iya mi (Reverencio minha Mãe)
Mojuba Baba mi (Reverencio meu Pai)
Mojuba Imole (Reverencio os Primordiais Espiritos de Luz)
Mojuba gbogbo Orisha (Reverencio todos os Espiritos Reais Coroados)
Mojuba Ori (Reverencio a Consciencia)

Mo juba Eleda mi (Reverencio meu Criador)
Baba asese mi (Pai da minha origem)
Yanran 'niyan (Pessoa Ilustre)
Olofa ki mo wa (Arqueiro de quem descendo)
Otito aja dudu (Fiél como um cão negro)
Ekun ide eru ola (Leopardo de Bronze que traz riqueza)
Eyini ti ogun tutu fun re (Que tem medicina para renovar o animo)
Eni mo awo, eni mo ewo (Conhece o culto e conhece a regra)
Eni mo ewa fun aiye ati orun (Quem conhece as belezas deste e do outro mundo)
Igi nla ti emisi buyin (Grande árvore que inspira respeito)
Ashe Ashe Ashe (Força força força)

Oyeku Meji II

Ao Sol é garantida uma existência plena
Mesmo que alguém intente tomar sua glória
Sua radiância o protege do mau-olhado e seu calor do mau-feitio
Assim a dourada palha é medicina que garante
A plenitude daquele que sob sua sombra repousa

Axé, Axé, Axé!
E ku aró(Bom dia)!^^

IMAG'em ação



(sugestão de trilha para acompanhar essa postagem: http://www.youtube.com/watch?v=REgMyXEKAbw)

eu sonhei acordada
e voce me levava para as monstanhas para ter uma vista melhor da paisagem
nós iamos sorrindo e contando piadas
as vezes nós nos acariciavamos como duas bestas selvagens aproveitando a viajem

quando a neblina começou ficar mais espessa seu semblante ficou mais sério
e voce falou que queria sentar um pouco
eu o acompanhei e sente entre suas pernas e nos abraçamos
voce então fez carinho no meu cabelo com uma das mãos, enquanto eu acariciava a outra, eu levei seus dedos maliciosamente até a minha boca

então voce fez como que me amordaçasse
e segurou meus pulsos atras
e me deixou de joelhos
e me deitou e subiu em cima de mim

então voce habilmente tirou uns trapos do bolso da mochila
e me amarrou as mãos
e me levou como uma ovelha
montanha acima

eu relutava
mas com os olhos de um lobo voce me repreendia
e me puxava com a força de um urso
e eu cedi

chegamos a um ponto onde havia uma pequena casa de madeira
com uma estaca no que seria o quintal
e na forquilha da estaca estava a cabeça de um animal
e guirlandas

eu olhei com admiração e uma paz atingiu meu coração, meu centro
voce sentiu o vento
e então adentramos a casa
voce acendeu a lanterna e fechou a porta

la dentro havia pouca mobilha
e desenhos de runas combinadas
e além da porta não havia janelas
e então voce me amarrou em uma cadeira e começou a falar

coisas que voce não sabia se eu me lembrava
sobre um tempo imemorial para os Homens
no qual a força e a palavra eram as virtudes
um tempo onde a ultima fração do ouro reluzira sobre a terra

voce me disse do alto
sobre purificação e sacrificio
voce foi perto da porta
e pegou uma pedra e um punhal

começou a afiar
e me olhava
foi até a porta novamente
viu que estava para escurecer e partiu me avisando que se eu tentasse fugir a fraqueza me dominaria pela virtude dos sigilos na parede e que seria melhor eu não tentar porque voce me queria forte

passaram-se as horas
eu ouvi os augurios das aves que sobrevoavam a casa
e comunguei com o poder ao pronunciar o reconhecimento do pacto no alvorecer das eras
então como ave voei

amanheceu e eu te vi chegando
e retornei ao corpo
para nada voce perceber
voce entrou

voce me olhou diferente
intuindo algo que o incomodava
um brilho estranho nos meus olhos
e reclamou e me vendou (sexta-feira, 19 de novembro de 2010 22:39:27)

disse que a malicia em meu olhar era ofensiva
no escuro eu permaneci sem manifestar rebelião
cheia de paz no coração
quando sua mão me surpreendeu com alimento

enquanto eu engolia voce entoava uma canção
imponente e sublime como um hino
e no escuro da minha mente eu ouvi um barulho de pegadas
sobre um solo florestal se aproximando

e o aumento da nitidez trazia ao coração do ouvido
a sua voz encantando
que num instante pára
e ofegante como do predador exaltado arranhara a minha tez

segue e abocanha a venda em minha face
e revela o ambiente livre do bosque
não estranhei como ali chegara
como me surpreendeu vosso semblante sem igual

desencarnado de familiaridade sufocante
tua desejabilíssima corporalidade
viva
pulsante

à relevância exata para preencher o vazio
daquelas primeiras fugas nos tenros encontros de infância
bestial e supremo
o guardião das aberturas da carne

então eu tinha sobre mim a vontade de fugir
e corri
e na passada me dobrei
como presa temi
o teu rastrear despreocupado

peluda e dobrada de quatro
até o lago onde temerosa bebi
até que o ócio na saciedade me deixasse ver
que coisa alguma havia a temer

presa não era
mas presas ostentava
predadora
feito tu (quarta-feira, 19 de outubro de 2011 01:44:09)


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mamoeiro

A!

A madeira do cajado ao qual o rebanho celestial se submete.



domingo, 16 de outubro de 2011

Trecho Oriki Oxóssi


O Ta Ofà Sí Iná,

Ele atirou a sua flecha contra o fogo,

Iná Kú Pirá.

o fogo se apagou de imediato.

O Tá Ofà Sí Oòrùn,

Atirou sua flecha contra o sol,

Oòrùn Rè Wèsè.

O sol se pôs.

sábado, 15 de outubro de 2011

*

"I don't want to make money, I just want to be wonderful."

"
I restore myself when I'm alone."

Marilyn Monroe

Sonhos vampíricos...


são sempre "x"
marte na 7 e saturno na 12 conjunto asc em sagitario
me fazem questionar
o romantismo é venenoso (pra mim)~?
sometimes i figure a rapist as a lover...
as i see a beast as godlike.

Venusian Christmas's Lullaby


"the empress's temper has begotten a temptress
born under a sky where stars: came down to impress
undress'd maiden, in the company of the saints
those who will teach her how: the deepest thirst satiate!"

Resposta Felina

Ao abrir a jaula
Extinga o fogo e contempla

A aproximação daquilo que outrora pedira-lhe afastamento
Os grous que nidificam no bosque inviolado aguardam tua chegada

Abstenha-se de tudo à esquerda
Para não incorrer-nos ofensa

Aqueles que são aqui bem-vindos
De assassínio não banqueteiam

~Ki N'awa, O Arqueiro~

terça-feira, 11 de outubro de 2011

I KNOW I (finally) found, a place to stay...


...a way to live, a truth to pray;

and after waiting, the crown'd crane call,

revealing herself, show'd my way.^^

http://www.chikodianunobi.com/pages/books-in-print/nri/tranditions_beliefs.htm










Anyanwu and Agbala, Arte de Odera Igbokwe

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Oyeku Meji


Onde desapegar-se é
Não mais confunfir ou temer:

A transição por aniquilação
O conhecimento por sabedoria
O desconhecido por inexistente
O imaginado por realidade

Oyeku Duas-vezes para atestar
O refletr da totalidade em si própria
Não para admirar-se ou a outrem
Mas para reforçar o alicerce de sua majestade

Quando apegar-se consiste
Em reconhecer e honrar:

O antigo pois invicto
A sabedoria pois efetiva
O ser pois capaz
O desafio pois justo

É ser feliz e rir de olhos fechados
É ser contente e cheia de braços abertos

É sempre auspicioso planejar
Sempre dadivoso atingir

Gratidão autômata
Permanentementementemente...

domingo, 9 de outubro de 2011

Será este o animal de Set num retrato não estilizado/quimérico?

Nesta paleta pré-dinástica figura um animal cuja cabeça e orelhas são identicas as das representações do deus Set. Me parecem alguma espécie de lhama, vicunha et cetera. Da mesma família mas outro gênero. A África é lar dos Camelos, alguém conhece um representante africano do genero Lama (mesmo extinto)?

















Esta paleta é conhecida como Battlefield Palette porque no outro lado há uma cena violenta. Poderá ter relação com a posterior rivalidade dos faraós cujos nomes carregavam a insígnia de Horus e Set já no período dinástico? Ou ainda a co-existência pacífica das castas dessas duas divindades? Já que na mesma paleta onde os animais acima figuram também há prisioneiros atados a estandartes encimados por uma ave, presumivelmente o falcão de Hórus em um e em outro uma Ibis (ver abaixo)...


"Verso" da mesma paleta:



























Não são girafas, elas são claramente reproduzidas nesta representação do mesmo período:




















Nem as sugeridas raposas-do-deserto (fenecos), que parecem mais encaixar-se nessas representações do Cetro Uas (Was), de um relevo do Templo de Kom Ombo (Ombos):































sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Seleção de Poemas Eróticos transferidos do letrasescarlate.blogspot III

Florescência Fluorescente

O lobo na minha mente saiu do meu capuz
Tão vermelho e lustroso que até reluz

A cesta com tortas não sei onde puz
Na casa da vovó ninguém acendeu a luz

Lobo mau é tão bom que seduz
Me encontraria no escuro que meu anseio conduz

A cesta com tortas achei condolente
Embaixo do meu vestido displicente

Esqueci mas acabo de recordar
Coloquei aqui para não esfriar

Seria melhor preservar o calor sem cometer tal indecência
Mas não me perdoaria a consciência

Minha pobre inocência, cândida demência
Florescia com veemência

Entre o bosque da insegurança e o cercado da ciência
Queria mesmo é ficar vermelha com violência

Se lhe caíssem as pétalas pela ação do vento
Melhor seria viver num convento

Fornicando com outras em segredo
Refém do prazer e do medo

Se lhe fosse estraído o néctar por uma abelha
Melhor seria polinizá-la com a mão pentelha

Dedilhando com delicadeza sorrateira
Refém da malícia arteira

Mas se um homem passasse
Teria que ter um instinto de lobo que o guiasse

Pra no escuro ver
E o cheiro das tortas perceber

E com amor reconhecer
A fonte capaz de o calor manter

(abril 2009)

Seleção de Poemas Eróticos transferidos do letrasescarlate.blogspot II

Despertar Azul

O carinho antes do enlaço
O abraço depois do cansaço

Deitada com sua cabeça no meu peito
Conforto de amoroso leito

Meus dedos passeavam por seus cabelos
Lendo em seus fios os pensamentos mais belos

A canção do silencio viajava pela atmosfera azul do quarto
Harmonia respirando adocicada em meu peito

Declarei em silencio com a minha respiração
Voce dormindo e eu viajando na emoção

Então seu suspirar se aquieta um minuto de catarse
Como se o amor que eu expirava voce inspirasse

E chuva de beijos caiu sobre o meu corpo de amante
Em abundancia do céu de sua boca abundante

Confirmando a sobrevivencia de nosso fogo em meio ao frio
Extendendo o conforto de calor a arrepio


Seleção de Poemas Eróticos transferidos do letrasescarlate.blogspot I

Vara de Condão

Quando toca transforma
Transmuta
Transfere

E mesmo se não penetra
Atinge
Desperta

Minhas curvas espertas
Alongam-se
Inclinam-se

Só pra te terem mais um pouquinho
E sorriem
E florescem

Como o curso de um riacho
O encharcar
E o burburinho

Como o despetalar de uma rosa
O revelar
E o desatino

Como o degustar de um bom vinho
O embriagar
E o delírio

Como o deleitar de um prato fino
O saborear
E o apaziguo

A minha chama te chama
Me atende então
Toca a minha alma
Com tua vara de condão

Toca a minha boca
Se me quer deixar louca

Toca a minha cintura
Se me quer boa ventura

Toca minha barriga
Se me quer como amiga

Toca-me bastante
Se me quer como amante

Toca-me com força
Pois não sou feita de louça

Toca-me acima
Se me quer em tua sina

E se abaixo me tocares
Prepara-te para subir todos andares

Toca-me na direita
Pra me provar perfeita

Toca-me também na esquerda
Pra que não haja perda

Toca-me no centro
Se quiser me conhecer por dentro

Toca-me dentro e entre
Se me quer para sempre

(março 2009)

Total-Idade

Uma boa sereia deveria ser metade rã e saber que deixar de ter cauda não implica deixar de saber nadar

Abraçaria ambos terra e mar
Em seu feiticeiro saltar

Monção Fisiofíica

As nuvens são a massa muscular do amor
Se chovem vivificam
Se movem encantam

Além disso amor é equívoco

Então,

Ejacula sobre mim, Natureza Imprisionável!

Embalsamada (para as margaridas no caminho pro trabalho)

As margaridas no caminho são uma benção
Pra eu que sempre imaginei meus cílios como pétalas dessa flor
Vê-la é como um feliz encontro que pressagia bondade pelo restante do percurso

A margarida arraigada coroa a minha mente de eterna menina
Sem que eu tenha de arrancá-la feito assassina

Dentre as flores és a única que ao meu julgo é como espelho
E sempre que contemplo mostra sorriso verdadeiro

Eu vou cultivar sua lembrança sonhando acordada
De ti possuidora do riso que perdura a madrugada

Companhia distante
Tão constante

O chá da tarde com você tem gosto de champagne
E encanta a alma para que não se acanhe

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Deixar o Rio Correr Livre

Venho neste post compartilhar um documento excelente sobre o culto de Oxum em Osogbo, Nigéria. Trata-se de um estudo que aborda origem e desenvolvimento até o presente.

Diferente das manifestações diaspóricas onde é marcantemente valorizado o caráter estático da continuidade cultural e cultica, por lá a marca característica da tradição dos filhos da Mamãe das Águas é precisamente uma virtude bem aquática: a da fluidez e adaptabilidade.

Todo o trabalho é interessante mas chamo atenção para a parte 6 (Traditional and Modern: The Transformation of Òşun Cult in Òşogbo), a supracitada característica é nitidamente confirmada.

Por exemplo, lá o repertório de canticos (oralidade literária) não é fixo, e mesmo assim a relação com a divindade é tão estreita que inovar não implica descaracterização, qualquer um reconhece Oxum neles. Uma constatação valiosa. Vamos reforçar esta correnteza! (:

O link do arquivo na página do Instituto de Estudos Africanos da Universidade de Bayreuth (onde eu tinha baixado) não está funcionando então upei aqui: http://www.wikiupload.com/PC6UQ4KR20E4VPM

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Uma conexão a explorar

Agora, lendo sobre Punt, a sagrada e maravilhosa terra de onde os antigos egípcios exportavam toda sorte de especiarias e bens, notei algo intrigante: a semelhança entre o estilo das habitações de Punt, com a habitação dos primeiros humanos descrita no mito dos Abaluhya, Kenya.

No mito Bukusu/Luhya é dito:






Cabana Puntita em relevo egípcio:










Até aí o Kenya fica um tanto distante do lugar onde alguns estudiosos localizam Punt, baseando-se em relatos egípcios tanto sobre a fauna, flora e geografia, que seria no Leste da África, mais precisamente na atual Eritréia.











Outro ponto interessante é a informação num artigo do African Press Internetional: “The Luhya oral literature of origin suggests a migration into their present-day locations from the north: virtually all sub-ethnic groups claim to have migrated first south from Misri (Egypt). In one of the Luhya dialects Maragoli, the word Abaluhya or Avaluhya is pronounced as A(b/v)a-roo-shia, which means the people of the North, the people of the higher place, the people from the North, or simply Northerners. Misri, what is now known as Egypt to much of the world is directly to the North of what is now called Kenya.”

Ao ler o nome desse país tive um insight (pronuncia EritrIa), mas o termo Árabe foi ainda mais avassalador: Iritrīyā. Não pude deixar de notar a semelhança desse termo com um outro sonhado há uns anos (Ilíria), que eu escrevi no Livro do Esplendor, coincidentemente em uma das duas páginas que eu publiquei aqui no blog (esta: http://elaquecaminhasobreomar.blogspot.com/2011/03/pagina-do-esplendor.html). Onde eu transcrevi como “Ela é o mar...” o que no sonho era “Ilíria é o mar...”, que até então eu interpretara como sendo a divindade grega dos partos, Ilítia. Mas Eritreia também encaixa no contexto “de onde vem os vermelhos e os brancos” (egípcios, cores do baixo e alto Egito?). Embora tanto “deusa do parto” quanto “terra de origem” são surpreendentemente adequados ao contexto da Página.

Certemente "uma conexão a explorar".

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Porque e Como

Na Ordem Eles existiam sob a forma deslizante e incombatível de Vermes
Até o momento de Revolução Primeira quando um verme deu uma volta em torno de si e invertera sua forma
Não mais incombatente, mas sólida e perfurante
Não mais escorregadia, mas impetuosa e ascendente
E de verme à rapinante ela devorou o que havia a sua cega e surda frente
E no espaço vazio que a saciedade proporcionara, asas se esticaram e alçaram vôo

Até o momento de Excreção primeira quando o vazio de fora ecoou dentro
E ela perseguira sua excreção como alguém com fome persegue o alimento
Mas conforme as asas batiam o vazio exterior crescia em conjunto com o vazio interno

Até o momento de Busca Primeira quando aquilo que era mênstruo e fezes fora farejado, perseguido e devorado

Até o momento de Alkhemia Primeira quando excreção era sólida e impossivel de engolir ou agarrar
Uma esfera prateada que ela depositou em seu dorso inabalável

Até o momento de Conscientização primeira quando de dentro da esfera o primeiro ouvinte imitou o som que vinha de fora do ovo
De fora a mãe sentira a vibração
E o som era "Awo-awo-awo..." sussurrante, o automatico bater de asas que era indiferenciavel para aquela que asas batia
E dessa forma o filho chamou atenção da mãe, e a mãe foi chamada "Awo" (Yoruba: mistério)
Que ela respondeu refletindo "Owa" (Yor.: vir a ser)

Até o momento de Eclosão primeira quando a esfera prateada partiu ao meio e lançou 'vazio afora' a sua portadora e mãe
E o som da repartição era "Ponda" (Yor.: abundância)

Quando o filho revelou-se entre as duas metades da casca quebrada, o momento de Ignição Primeira

E Eles do escuro, que eram alvos pois Luz alguma tingira-lhes a não ser a fraca luminiscencia prateada do ovo inquebrado, ergueram suas asas para proteger e desde então tiveram as penas das extremidades chamuscadas
Esta é a insígnia que atesta a inexorável condição daquela que: "engendrou, mas que não fora nascida de coisa alguma"

SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS

2008: 12 meses como a gestação do equino, o nascimento do amor sem rédeas.

Após o solitário inverno em dobro (2009/2010) o cumprimento da primavera (2011) permitiu relatar:

24 meses como demora maturidade dos equinos,
.

A potência do cavalo provou sua sabedoria, e a constancia da égua assegura sua temperança,

A biga sexualis é feita pura possibilidade

Que os Poderosos dela se agradem e utilizem de modo a nos guiar rumo à Eternidade onde residem

Assim é.



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Quando Todos sempre *Existiam*, Foste a primeira a apenas *Ser*

Tua sempre elevada cabeça, de inroubável corôa e inegável realeza (mut/nekhbet/abutre)

Tua sempre erguida mão, como chifre de touro e pinça de escorpião (ka)

Teu sempre generoso seio, choroso como fonte e firme como esteio (hathor/vaca)

Teu sempre abundante interior, perigoso como fogo e fascinante como amor (nut/dua/seba/estrela)

Teu sempre infalível caminhar, perseverante como vida e enigmático como sonhar (wadjet/cobra)

Az-sabbat


La no eremitério mal-falado, e bem-dito e quisto por aquele que ali busca conforto. Ali, em cujo centro existe um lago, no centro do qual mal-dizem haver um Sapo de Pedra, sob quem jaz o escoadouro, que esvazia a Multitude de Águas que, segundo mal-dizem, ocultam maravilhas.
É ali, onde o mirar sobre as Águas com sincera admiração capacita ao observador fazer pedras se animarem e assim fazer com que aquele Anfíbio Petrificado dê um Único Salto que desvele o segredo sob o qual repousa: o escoadouro por onde drena o sonho amniótico em Águas.
Com roda e moinho a Melodia de barulhos perturbadores desperta, chama atenção da Terra engolidora. Isto é despertar em meio ao Vazio de Ares, onde Melodia barulhenta de perturbadoras possibilidades. Fortuna, tormento, e agilmente.
Do fundo revelado livre de águas, o cascalho reluzindo o luar pleno começa a ondular sua seca superfície, o despertar de uma víbora que submerge... Ela própria uma encarnação daquele que perambula e percorre a Terra Inteira, sob cuja égide repousa tudo aquilo que sob a terra corre. Ela própria encarnação de Maestria, detentora da única voz e palavra capaz de responder tantas perguntas quanto àquele que busca conhecimento for capaz de questionar. Embora para o questionador a resposta seja sempre insuficiente, diferentemente como é esclarecedora para aquele que tem o professor como parente invés de adversário. (vorazarov).
Desde então, a natureza viva daquele a quem a víbora se revela o faz percorrer caminhos de exílio fora do eremitério, adentrando o reino dos homens, ali cabeças em bandejas lhe são oferecidas. E dali afora do reino dos homens, aventura-se no reino de esquecimento e lágrimas... a digestão da dor e da injuria nos sacrifícios a ele ofertados pelos homens.
Da dor e da injuria surge a necessidade do alivio, e alívio surge em relembrança. Ele busca o recinto dos sábios da raça escravizante, e tenta pertencer a ele, novas cabeças em velhas bandejas... Mas a “dor e injuria” desta digestão é inteligível, a velha e familiar canção o atinge uma vez mais. E o faz prosseguir fora dali até o lugar onde ela é entoada!
E afora sob o sol nascente, a familiar canção cessa, na colina, reluz o anfíbio orvalhado, não mais de pedra, mas encarnado. O caminhante o saúda como um velho amigo, e ao pavoroso som da batida de pés e coração persegue seu rastro, morro acima, com o sol perseguindo-o atrás. Ali onde a pisada que não se alinha com a batida de coração condena o profano. Mas também onde o perceverante é conduzido até o lugar onde ocorre a surpresa revelada.
No norte uma arena, onde ele espia laçadores tentando amansar um enfurecido corcel negro cuja fronte bravamente ostenta um chifre sabrino, e dentre estes com cordas está um potro dourado com raio branco na fronte que percebe o observador na borda sul da arena.
Pavor preenche o observador, ele já cheio de dor, cheio de injuria... E então ele, ele três vezes cheio finalmente transborda em desespero.
E ele que busca alívio, mas que não se lembra, como o negro corcel, foge dos amansadores. Escala a árvore ocidental, o pólo de morte, mesmo adiante da possibilidade de amansar seu ânimo transbordando “dor e injúria”. Pois dizem não ser fácil reconhecer a virtuosidade quando se está envolto por roda e moinho, por rápidos e efetivos barulhos no escoar da ilusão; a este, ser amansado parece mais terrível que ser morto.
Ao perceberem o motivo na partida do dourado potro, os amansadores deixam de lado a besta negra e partem rápida e alegremente ao encontro do observador. O potro dourado chega, e com certeza de raio perturba a estabilidade polar da árvore, e o que segue é captura.
Resgatado do pólo mortal ele é levado até o estábulo no domínio oriental da arena, e lá, com amansadores atrás de si, lhe é habilitada a visão do Límpido Céu Austral, Vazio de Águas e de barulhos perturbadores, mas povoado de luminárias e melodia. Então ele que é esvaziado de toda “dor e injúria”, e o que segue, é Re-lembrar


domingo, 2 de outubro de 2011

A Suave Pantera, de Marly de Oliveira, (1960)

I


Como qualquer animal,

olha as grades flutuantes.

Eis que as grades são fixas:

Ela, sim, é andante.

Sob a pela, contida

- em silêncio e lisura -

a força do seu mal,

e a doçura, a doçura,

que escorre pelas pernas

e as pernas habitua

a esse modo de andar,

de ser sua, ser sua,

no perfeito equilíbrio

de sua vida aberta:

una e atenta a si mesma,

suavíssima pantera.


II


É suave, suave, a pantera,

mas se a quiserem tocar

sem a devida cautela,

logo a verão transformada

na fera que há dentro dela.

O dente de mais marfim

na negrura toda alerta,

e ser do princípio ao fim

a pantera sem reservas,

o fervor, a força lúdica

da unha longa e descoberta,

o êxtase da sua fúria

sob o melindre que a fera,

em repouso, se a não tocam,

como que tem na singela

forma que não se alvoroça

por si só, antes parece,

na mansa, mansa e lustrosa

pelúcia com que se adorna,

uma viva, intensa jóia.


III


Uma intensíssima jóia,

do próprio sangue animada,

tão preciosa, tão preciosa,

que é preciso não tomá-la.

Que duro sangue a vermelha!

Que silêncio a não reparte!

Em si mesma reluzente

a inteira imobilidade.

Mas o ardor, esse deleita,

com que a jóia se transforma,

se se move, no animal

que a própria jóia comporta.

O cuidado - isso extasia -

com que a jóia se transmuta:

com patas, pernas e olhar

onde se extrema outra fúria.


VI


Mas é no amor que essa fúria

alcança de si o máximo.

À parte qualquer luxúria,

à parte a falta de tato,

se se alça e ganha a medida

de seu corpo todo casto,

há que lhe ver a esbelta e lisa

figura de todo lado,

quando toda se descobre

- como um cristal se estilhaça -

amando a vida, ai, amando

a vida que passa, passa.

Tão projetada num sonho,

nem se diria uma fera,

contida, casta e polida,

com tanto furor interno.


V


Com tanto furor interno,

quem a livra, quem a livra

de ser o seu próprio inferno,

de, pelo fogo da ira,

consumir-se estando quieta,

de acabrunhar-se sozinha.

Nem se diria uma fera!

Nem se diria rainha!

As patas pisando o chão

têm uma dura leveza,

os pelos brilhando de ônix,

- de si mesma prisioneira -

caminha de um lado a outro

como pelo mundo inteiro.

Há esmeraldas de silêncio

nos seus olhares acesos.


VI


O olhar tão aceso

revela, revela.

Que força de abismo

na virgem pantera.

Que força de amor

na sua recusa;

o ventre cerrado

- quem julga? quem julga?

e a sua ventura

violenta, sedenta,

ensaiados membros

em surda paciência.

É vaga e concreta,

como que inspirada:

flutua em si mesma,

parada, parada.


VII


Parada, parada,

quase se humaniza,

todo o viço de asas

na cara tranqüila,

flexuosa aspirando

- quem mata, quem mata?

Como uma pessoa

de forma coleada.

No entanto a narina,

no entanto a pupila

- relevos de sombra -

ah, se a denunciam

mais que uma pessoa,

poderosa e bela:

macia, macia,

esplêndida fera.


VIII


Esplêndida fera:

onírica e lúbrica

como pode às vezes

ser uma pantera.

Negra ela rebrilha,

presente a si mesma,

como se invadida

de uma luz avessa,

como adiamantada

de uma luz escura,

afoita e inefável

quem a subjuga?

Afoita e inefável

qual nenhuma besta,

cingida ao que em si

é a sua natureza.


IX


É da sua natureza

ser apenas o que a anima:

uma força elementar

como uma raiva contida,

uma violenta doçura

que bruscamente a delira

de si mesma, de si mesma,

- tão fogosa e volitiva!

Tão puramente animal

na graça oblíqua e felina!

Com uma forma tão espessa

que parece refluída.

Compraz-se em ser o seu corpo

com a mesma selvageria

com a mesma libação

todo o ímpeto se amotina.


X


A forma espessa da pantera,

um tal negrume e tal pelúcia,

às vezes quase que a confundem

com todas as demais panteras,

mas só naquilo que por fora

tem uma existência concreta,

naquilo só que se objetiva

formosamente sobre a relva:

olhos detidos de tão verdes,

corpo luzindo sobre as pernas,

um certo modo de mover-se

sobre si mesma, terna e quieta.

Porque ela é igual só a ela mesma,

se com ardor alguém a observa,

mas por dentro, tão escondida

como no fundo da ostra a pérola.


XI


Como no fundo da ostra e pérola

ela se deita veludosa,

mas anda com patas rebeldes

seu coração com uma glória.

Tem um ritmo de silêncio

a força com que ele desprega

as patas a cada momento,

numa espécie de ânsia secreta.

Violento é o sono do seu corpo,

mas sem aspereza nenhuma,

igual à queda de uma coifa

brusca e silente na verdura,

sem direção, igual à paina

mas uma paina concentrada,

mas uma paina vigorosa,

seu sono cego, cheio de asas.


XII


Se adormece a pantera

ou se acorda suavíssima,

é sempre a mesma fera

repousada e instintiva.

Há quem pense em veludo

ou cetim, contemplado

o pelame felpudo

e o deslizar tão brando.

Quieta ou em movimento,

há qualquer coisa nela

que lembra um monumento

pelo que ele revela:

um certo porte airoso

que o tempo não consome,

e um fruir-se gasoso,

que na fera é uma fome.


XIII


A fome de um bicho

- e mais se é pantera,

não tem o limite

que em gente tivera.

Não é como a fome

violenta, direta,

subjetiva, do homem,

a fome da fera.

A fome de um bicho

é cruel e eterna,

e toda inconsciente,

com uma força interna.

É fome indistinta

espalhada nela,

com íntima fúria

que ela não governa.


XIV


A liberdade da pantera

está justamente nisto:

que nem ela se governa,

e o que sucede é imprevisto.

Essa a vantagem da fera:

uma força que ela abriga,

inconsciente, dentro dela

- sob a aparência tranqüila -

e de repente se revela,

mas uma espécie de fúria,

que atinge inclusive a ela,

mas numa espécie de luta,

que é o modo que tem a cólera

de mostrar-se numa fera,

e que é a sua única forma

de ser pura, além de bela.


XV


Outra vantagem da pantera

é que sendo ela tão precisa,

tão colada ao próprio contorno,

não é, como um mastro, fixa,

e nem se aguça como um mastro,

apesar de constante e seca,

apesar de brilhante e fria

como um mastro ostentar sua seda,

apesar de picar-se toda

como um mastro, de luz marinha;

ela é flexível e se encolhe

(o que já não sucederia

com mastro algum) ou bem se alarga,

em contínuo fluxo e refluxo,

como a onda em espasmos de onda,

fiando-se no seu próprio fuso.


XVI


Além de precisa é ubíqua,

outra vantagem mais forte.

Por toda parte é sensível

sua graça, como um broche,

ou como coisa pousada

e em si mesma repentina:

os olhos onde violetas

cobram cores agressivas,

a cauda suspensa e lisa

como nuvem sossegada,

não solta, não qualquer nuvem,

nuvem presa como uma asa,

o corpo todo concreto,

todo animal, perecível,

e mais uma ânsia por dentro,

de ser livre, livre, livre.


Marly de Oliveira, 1960

sábado, 1 de outubro de 2011

Boas Vindas Propriamente


Quando um canino provoca cócegas
A gargalhada é adorável canção

Possa eu agora conhecer-te como sei que me conheces
Único a quem o poder para dominar meus sentidos fora concedido pelo próprio Guardião das Aberturas na Carne

Bem Vindo És
Não-Escravizado que me sortilegeu!

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-