quarta-feira, 16 de maio de 2012

DESATIVADO

O Blog está desativado, não é possível comentar.

Contudo ficará acessível em prol de quem quer procure algo que nele se encontre.

Decidi ceder ao conselho interior de não participar de redes sociais, redes sociais virtuais inclusas. Participar nelas teve seu lado bom e ruim, simultâneo, mas não me parece inteligente continuar experimentando essa delícia agridoce quando a Solitude me apraz por completo.

O mesmo é válido para Facebook, Orkut, Messenger, Youtube.

Quem desejar trocar idéias sobre algo que foi exposto nesse blog ao longo desses 5 anos e principalmente aqueles relacionados a Cultura Iorúba pode escrever para: nascentedepureza@hotmail.com

Responderei a todos.

Qualquer assunto que não seja relacionado ao supracitado favor guardaar para outrem. Bloquearei todos e-mails destoantes dessa máxima.

Boa caminhada à todos, pelos caminhos que escolherem trilhar!


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Motunba! Eu me Submeto!

Mojuba gbogbo awon shagba mi rere o!
Reverencio a todos meus mais velhos que me querem bem!


Ologun o!

Ele está na fronteira onde se encontra Óxum
No final do caminho de fora da casa da confusão até o rio
Sem Ele o próprio rio é inacessível
Como se suas margens fossem movediças
Ele é a força que liga a terra para que não seja tragada pela água
Sem Ele o apetite de Óxum seria insaciável
Ele é a satisfação de Óxum
Através d'Ele toda satisfação à Óxum a Ela chega

Axé!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

De profundis

Aqui eu vou escrever o que minha cabeça fala à minha Mãe Infernal, na profundeza da terra e do céu
E que seja como o que é bem-dito por outras irmãs
Na vizinhança invisível para a qual o rapto é a única forma de chegar

O tamborim, bata-o forte, espanca a batida do coração, carinhosamente
Inspira tua narina ao sangue e eleva a cabeça para cair a tua coroa de martírio
Dobra o joelho e com as costas coladas no chão Inspira novamente, para amortecer
Ruflem forte os tambores, para abafar as gargalhadas
Confronta o conforto, enamora-o, acaricia-o, e parta
Aparta os rios do parto das gerações e atravessa pelo leito da tristeza
Não haverá margem ou outro lado
Cava fundo para baixo e para frente, e veda a passagem às costas
Neste lugar, me reencontra como nunca antes
Abraça-me e aquece com parcimônia
Enxuga a lágrima da tua face em meus lábios
E neste beijo flóreo nos teus cílios pétalados
Polinizarei o rancor
E em teus olhos cintilará o ardor
De cada sacrifício

domingo, 29 de abril de 2012

Ódé Ologun - Exegese



Na narrativa de Ologun e Apasha fica, à primeira vista, um tanto velado o motivo de Eshu ter ocasionado o infortúnio de Apasha e a subseqüente ‘morte’ de Ologun.

Isso é estranho porque sabemos que Eshu não é mal, a maldade pode ser executada por Eshu mas como conseqüência de um ato injusto ou alguma falta de outrem, assim como a bondade (Odara) é por Ele veiculada àquele que não incorre no erro.

Entretanto uma análise mais cuidadosa logo revela a causa  motora da fatal traquinagem de Eshu.

Antes dos dois irmãos partirem à caçada eles haviam concordado em não seguirem o caminho um do outro. Mesmo assim Apasha seguia Ologun a cada empreitada deste.

A incoerência de Apasha o fez sedento e Eshu vendo que esta sede era conseqüência de uma palavra não cumprida não poderia permitir que ela fosse saciada assim tão rápido, meio que como uma chance de Apasha refletir e perceber que se seguisse seu próprio caminho as coisas seriam diferentes.

Enquanto Apasha fora eternizado como um montículo de terra, a representação de seu derradeiro destino, Ologun por virtude de sua inocência e nobreza tornou-se um rio, a perpetuação de suas qualidades de generosidade e excelência enquanto homem.

Ologun e Eyinlé tiveram no Brasil e em Cuba, respectivamente, suas identidades matizadas com nuances de androginia, muito provavelmente devido a uma interpretação errônea decorrente do fato de ambos terem tido sua apoteóse, isto é tornaram-se iwin/orisha, ao transformarem-se em rios ou nascentes, algo em comum com divindades femininas muito populares, e justamente essa popularidade pode ter pesado nessa associação, porque transformar-se em rio era algo marcadamente próprio das Iyagbas fez com que na diáspora se desse essa atribuição equivocada aos dois.

Eru Awo é uma das saudações de Logun-Édé, em Ioruba 'rú' significa brotar, feito água ou vegetação. E ru Awo: Ele brotou do Mistério, Ele brotou admirávelmente (a wo).

Ashé!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Albocristatus

Ó corajosa desbravadora do desconhecido
Encontra-me em meio à encruzilhada de dezesseis braços
E agracia-me com tuas asas espalmadas

Mira e enxerga a real necessidade
Com seus olhos amarelos que são como sol na noite
Mostra-me o coração e o fígado da bonança

Sim, os orgãos vitais de todo conforto
Para que eu os amarre e reúna firmemente aos meus próprios
Para garantir

A presa que fia o laço
Que enrola labirintico a felicidade
Para eternamente entoar a gargalhada cósmica de totalidde

Se cansardes
Não pouse sobre mim nem os meus
Encontra seu lugar ao longe além do horizonte de deus

terça-feira, 24 de abril de 2012

Avidez da Palavra II

~

Tá ok x)

Não é que o facebook tem um clima mais legal que o orkut msm?
Mas tenho um desconto pq sou taurinaa ushus
Valeu pelo incentivo Katy!! =) (autora desse blog: Espelho de Circe)Link

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Odé Ologun (Clique pra melhor resolução)



Hiero-glifo


Da Água Límpida ao Límpido Diamante - Do Sangue à Ikodidé

Ohun gbogbo li adiyele, sugbón kò si eniti o mò iye ara eje ara eni; eje kò fi oju rere jade.

Tudo tem seu preço, mas quem pode dar um preço ao sangue? Sangue é um bem que não deixa o corpo por vontade própria.


A questão do sacrificar/reservar para substituir e/ou prevenir algo compete ao ebo, ou seja o ato de oferecer propriamente dito. Sejam essas oferendas de grãos, tecidos, objetos e materiais inanimados ou “secos”.

Normalmente se utiliza o termo sacrifício designar o ato de morte ritual no contexto Iorúba. Mas essa escolha acarreta uma problemática.

Isso porque a palavra iorúba que designa o ato no qual o animal é imolado é pa (matar) e não ebo (oferenda).

É inegável o fato que o assassinato soleniza qualquer situação a um nível muito profundo. Essa parece ser uma motivação válida para a matança num ritual, conferir uma atmosfera de seriedade máxima ao mesmo.

A um nível mais pragmático a matança de animais é algo inevitável e básico numa sociedade comum. É igualmente comum o desprezo das vísceras e do sangue para consumo alimentício.

Esse desprezo, num contexto Iorúba, constituiria uma contradição filosófica. Ora, se o sangue é tão precioso a ponto de ser inavaliável, como o mesmo poderia ser tratado como um dejeto?

Reservar o sangue e as víceras às divindades é como uma forma de reconhecer a dignidade da vida em sua totalidade. Já que descartar o sangue seria um desperdício, então melhor destiná-lo à uma fonte retornável: a espiritualidade.

À parte de seu caráter líquido, fluido, que lhe confere a qualidade de transportar virtudes, uma outra característica do sangue, que lhe confere por si só o dom de ser admirável, é sua cor vívida e chamativa.

Remeter à vida e à notoriedade, tão desejáveis, torna essa cor muito significativa na espiritualidade tradicional Iorúba. Emblemática dessa importância é a pena vermelha da cauda do papagaio cinzento africano (ìkóóde, ou ìkódide).

Se o vermelho do fogo é levado pela água, e o vermelho do sangue engolido pelo solo, a ikodide é o vermelho duradouro, é vida e atenção perpetuadas que não podem ser apagadas pela água ou tragadas pela terra. É o vermelho resistente e dinâmico (a habilidade de voar da ave).

Para muitos profanos a matança é inadmissível, e para muitos iniciados ela é indispensável.

Mas eu arrisco dizer que é possível sim cultuar Orixá sem eje. Desde que, obviamente, a pessoa ou sociedade cultuadora abstenha-se do derramamento do mesmo inclusive fora do contexto religioso.

Tão importante quanto a vida, é a significação da mesma, pois é a significação (codificação do entendimento) que confere à cultura a noção de valor sobre a vida.

É uma conta simples: quem respeita mais a vida, o que tem cuidado de significar morte ou o que não se preocupa com nada contanto que seu prato esteja cheio?

A morte faz parte da Vida, e não tem problema se for preciso matar um galo, um carneiro, ou um homem contanto que seja para dignificar o significado da vida, se for assim isso nunca será comparável à atual situação da cultura Ocidental onde o assassinato aparece espetacular e insignificantemente.

Para finalizar eu relembro a existência de uma história de Ifa (Odu Irete Meji) que narra o marco da abolição da matança de seres humanos no contexto religioso Iorúba.Nela Orunmila, com sua lógica impecável, conclui que sacrificar pessoas é inadmissível porque somos todos parentes (alegoricamente é uma filha perdida de Orunmila que seria sacrificada).

Em outras palavras essa Itan de Irete-Meji me diz: um dia foi preciso tomar a vida de um homem para mobilizar uma sociedade. Outro dia é preciso que a vida de outro animal seja tirada. Amanhã talvez o consumo de carne caia em desuso e a moda seja soja como fonte de proteína. Nenhuma dessas convençoes é importante ao ponto de ser imutável, o que importa mesmo é a cor vermelha e o reconhecimento daquelas virtudes inerentes ao sangue.

Pela Floresta não Consagrada


Ou: Não somente por seu brilho o ouro é valoroso. Observações pessoais concernentes à Espiritualidade da "Tradição de Orixá", cá fora dos limites de templos


A discrepância entre os valores do conhecimento vulgar e do conhecimento secreto não se dá por causa de uma suposta importância de um em detrimento de outro, mas sim pelo fato de que o que é obtido sem complexidade não é assimilado complexamente. Não perdura, não penetra, e não transmuta.
O papel da iniciação, como o próprio nome sugere, é iniciar o noviço a algum conhecimento secreto. E a função do segredo é manter o valor do conhecimento, tornando-o acessível apenas a alguém que se prove digno pela constância na avidez em obtê-lo.
No que diz respeito à tradição de Orixá, o culto compreende um corpus de iniciados detentores de conhecimentos secretos para o não-iniciado. Esses conhecimentos visam a aproximação da divindade com o intuito de cultivar uma relação com a mesma e dessa forma aprimorar-se (a si e a sociedade) com outro tipo de conhecimento transformador que é imanente (inu, interno), este por sua vez sendo transmitido da própria divindade para os seus “chegados”.
Muito embora o conhecimento cultico constitua awo (segredo), o foco cultico não constitui segredo, a divindade é pública e dessa forma pode ser conhecida ou fazer-se conhecer por quem quer ela mesma (a divindade) queira. Em solo Iorúba as próprias representações físicas da divindade (ojubo) são coletivas e ficam à vista de todos, diferentemente do que ocorre no Brasil, onde até isso tornou-se segredo talvez devido às perseguições sofridas no passado.
É extensamente documentado como se dá esse processo iniciático no contexto dos templos/conventos propriamente. Entretanto pouca ou nenhuma atenção é dada à iniciação fora do limite demarcado da sociedade, no eremitério onde a interação espiritual é igualmente passível.
Essa dinâmica extra-social não é alienígena ao pensamento Iorúba, vide a iniciação dos médicos-tradicionais, que pode se dar igualmente de modo catedrático, bem como desencadeada diretamente da fonte divina, isto é Aaja (Ajija, Aroni, etc), a divindade dos fármacos.
É interessante compreender que a iniciação às sociedades de culto não diz respeito apenas à uma nova esfera de conhecimento referente à divindade que preside o mesmo, mas concede ao iniciando a oportunidade de possuir uma nova visão do mundo como um todo, no que toca à seu deus e além dele.
O culto consiste basicamente em várias formas de louvor que visam atrair a divindade para, a partir dessa aproximação, gerar equilíbrio entre o sutil e o tangível, proporcionando paz espiritual e as benesses decorrentes desse estado.
O interesse em se estabelecer contato pode ser tanto do homem para o deus quanto do deus para com o homem. Depende do caminho a ser percorrido por um e pelo outro para realizarem seus respectivos destinos.
Assim, uma divindade de fertilidade pode sentir-se desrespeitada ou privada e provocar uma situação na qual será preciso reavaliar as ações e restabelecer o equilíbrio. Bem como pode um homem sentir-se frágil ou injustiçado e procurar a força da divindade para agir em seu favor. Dentre muitas outras possibilidades.
A tradição de Orixá possui como característica marcante o transe, ou o estado alterado de consciência no qual há comunicação tangível entre o homem e seu deus. Essa alteração pode ser intensa ou moderada.
No transe é como quando sonhamos, o sonho pode ser muito nítido e vívido ou leve e translúcido. O transe é como um sonho desperto. Durante o transe se enxerga de olhos fechados, a visão mesma se desloca, se vê algo que ecoa na realidade, mas não exatamente, porque a visão do espírito é como se captasse mais luz que a visão comum, e assim vê melhor, e vê além.
O transe em si pode ser o resultado da adoração (as tecnicas de culto/cultivo) e subsequênte aproximação da divindade e do espiritual como um todo, o que sensibiliza os sentidos do homem para perceber o divino. Mas também pode decorrer do assalto da divindade.
O culto visa também domesticar, sociabilizar a divindade.
Ìbàjé-de, transcender a adversidade através do embelezamento, através da implementação artística. Este é o modus operandi da cultura tradicional Iorúba. Assim o estado de paz e integridade (iwa rere, o bom caráter) é profundamente ligado à noção de beleza (ewa), de agradabilidade e desejabilidade, de sucesso.
Assim sendo, bom seria se o sucesso de uma iniciação fosse comprovado pela apresentação de tempero-compormento da parte do iniciado, muito mais que por quaisquer fatores estáticos de execução e/ou campo de acontecimento da mesma. Resumindo: bom caráter invés de nota fiscal.
Atoto (Silêncio)!
*Atoto significa barulho, mas é empregado como uma interjeição delegando ordem, pedido de silêncio em meio a desordem.

Presenteio êee, presenteia

Foi debaixo da figueira
Onde fez saborear
Foi debaixo da soleira
Onde canta o sabiá
O sabiá-laranjeira
A primeira voz a levantar
Que às manhãs elogia com sua canção matreira
E têm de baixo do seu pular
O escape onde começa a real brincadeira
De carne e de saborear
Quiçá pruma vida inteira

MOJUBA!

domingo, 22 de abril de 2012

Anatomia do Desenho

Minha consciência voa alto como a ave (Eleye)





Dois pares de olhos possuo, um para a carne outro para o espírito (quatro olhos, Owonrin Meji)





Barbada, como sinal de antiguidade (Iya agba)




Fartos seios, generosamente e duplo, para doçura e amargura (Iyami)





Ventre de circulo torcido, de renovação e intercambio (Odu)








E cauda oceânica, própria de quem percorre os caminhos da profundidade, dupla como sinal de completude (Ibu)












Prós-verbo

O místico que não reconhece a importância do reino é um feiticeiro
O rei que não reconhece a importância do místico é um tolo

Os nomes mudam,
As personagens mudam,
A história é a mesma.

sábado, 21 de abril de 2012

Sacerdotiza de Nana-Buku (?), Ketu, República do Benim, Verger

(Ser) Diluviana

Pisam os pés
Os olhos não piscam

É bélica a canção
Dos ruídos na marcha do leopardo fulgurante

Como a saraivada a avançar sobre as folhagens
Abafando o clamar do negro leopardo agonizante

Entre o abraçar robusto do cobre
O sangue passa e não encobre

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mapa dos Estados Oeste-Africanos e Rotas Comerciais Saarianas (300 à 1600 e.c.)

Ade (corôa) de culto a Obalufon

PDFs muito legais sobre a Arte de Ifé (Na atual Nigéria, sécs. 11 ao 15) (em inglês)

Com ilustrações de qualidade, bem informativos e de fácil assimilação.

Ainda estou no primeiro, que é o guia para visitantes quando as peças estavam em exposição neste museu específico do site (Virginia Museum of Fine Arts).

Já adianto que este possui fotos raras quando do momento das descobertas nas escavações, por exemplo. Sem mencionar as expressões tão calmas e hipnotizantes retratadas com um realismo ultra-vívido e cultura apresentados.


Vale a pena conferir! Clique AQUI.

Bene-violentia; bene-valentia

Abençoada seja toda "voz" (expressão)
Porque é suficiente para alcançar (atenção)

Abençoado seja todo "toque" (alcance)
Porque é suficiente para acariciar (sensibilidade)

Abençoada seja toda "visão" (percepção)
Porque é suficiente para ponderar (distinguir)

Abençoada seja toda "cabeça" (consciencia)
Porque é suficiente para coroar (estabilidade)

Abençoado seja todo "mundo" (lugar, espaço existencial)
Porque é suficiente para ocupar (ser)

Adura fun Óshun

Bi awun okun walé yanrin awó awon éyin o
Como a tartaruga marinha cavouca a areia para esconder seus ovos

Óshun walé yanrin awó óla
Óshun cavouca a areia para esconder riquezas

Yeye mi, awó mi ninú ójó la
Mãezinha, esconda-me em um lugar seguro

Yeye o, emi iyebiye ómó o
Ó mãe, sou sua preciosa criança

Yó mi awon ówó óta
Livre-me das mãos(do alcance) dos inimigos

Ashe Ashe Ashe

(-Laura)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

sóda



Quinta passada meu celular foi roubado *(tinha comprado em novembro, ¬¬).

Estava eu e uma certa pessoa na rua, sentadas, eu passando musicas pro dela... ela segura meu cel, me devolve, passam menos de 5 min, passa uma moto bem devagar e puxa o fio do fone e leva o cel junto.

outra vez estava eu com meu ex-casaco adorado esse da foto, essa mesma pessoa pediu pra ver como ficava nela e eu deixei, e eu acabei esquecendo ele num lugar.

outra vez uma bluusa linda preta brilhante, e a mesma história.

agora como isso é coincidencia? PORRAAANNN

A grandeza do subconsciente


Existem conjuntos de sentimento-e-nostalgia (, minha mortalidade saturada, quem sonhou e viu minha verdadeira forma espiritual) que, por mais que pareçam superados e não mais assaltem o pensamento-consciente, quando surgem na lembrança, por qualquer associação mínima que lhes tragam à tona, mesmo que rapidamente, estão fortes e atuais, em algum plano da mente, a ponto de superpopular os sonhos, dormindo e acordada.

Se fosse, como seria?

Abaixo tudo veria
Esgueirante, feito terrícola enguia
Dos céus perseguiria
Certeira, arredia

Pelos cantos
Desses que não se encontram
Nem nos mapas
Nem nos contos

Se a dama fosse o mundo
Eu seria o arminho
Em seus braços, não porque lhe prendem
Mar por acomodarem feito ninho

Cegueira, Viseira, Olheira

Em meio à tormenta eu abraço a força
Para ficar (fincar?)
Mas se a tormenta quiser me deslocar
Que seja até as paragens que eu deva estar
Seja longe, perto ou intermédio
Às terras cheias de remédio
Onde eu possa me curar
E plena me curvar
Ante à essência

Mas se fosse assim tão fácil, ou passivo como soa
Seria realmente uma boa?
Viver navegando numa lagoa
Sem nunca ter desbravado o interno mar?
Onde a imensidão por si constitui riqueza
Que reservará sua profundeza?
Rodeando sem nausear
Quanto mais irei suportar?
Se o espelho insiste em bradar, que há tanta virtude a resgatar

Sei que do vazio surge a inquietude
Vestida em pétala e penugem
De amaranto disciplinar
Insubordinada de mim
Sou carne, não marfim
E bem dentro da palidez que parece sem fim
Ribombam oceanos carmim
Sentido e sentimento, destemperados a irromper
Corrompendo todo poder

Neste ponto já mais uma volta sem sentido
Com todas as palavras do mundo entortaria meu gemido
De ser inconcluído, por demais profundo
Quiçá sem fundo?
Um exemplo divino de loucura
Encarnada, atuada e tatuada
Que se procura e se avacalha
Automata, porém verdadeira
Não finge, só não é

Egípcio

terça-feira, 17 de abril de 2012

Intrigante



À esquerda fragmento de estatueta encontrada em Ifé, Nigéria; à direita estatueta do deus Bes, Egito.

Notável a semelhança não apenas da expressão e dos traços, mas também do pingente de crânio.
Muitíssimo intrigante.

Bes possui títulos como "Senhor de Punt" e "Senhor da Núbia".

Com-para-ação

Ioruba:
Oshumare: Divindade (orisha) relacionada à água, píton, arco-íris
Oshu: lua
Mare: muda, renovação

Hauçá:
Gajimare: Espirito (bori) relacionada à água, serpente, arco-íris
Gaji: cansar
Mare: recuperar

Igbo:
Eke na ogwulugwu: Arco-íris
Eke: píton real
: em, que, na, no, de
Ogwulugwu: plenitude, abundância

Fongbe:
Dan Ayido Hwedo: Divindade (vodun) relacionada à água, serpentes (a píton-real específicamente é Dangbe), arco-íris
Dan: serpente
Ayido Hwedo: sol da terra (?); nyi = arco-íris; hwe = sol

domingo, 15 de abril de 2012

Avidez da Palavra

~

Onimalé nlanlá

E se eu me encolhesse na concha de meu ego
Até a aconchegante substancialidade do ser
Pequenino, azul, luminoso, duende

E agarrasse com a consciencia aquilo que o ser esconde com suas pequeninas mãos
Precioso
À altura do coração

E d'então começasse a me lembrar
Das memórias em visão
Além das palavras

De que se os homens almejam elevar-se ao estado de deuses
É porque os deuses almejam descender ao estado de homens
Que da venus desolada, vossa casa antiga de duendes, que vieram à esta plataforma florescente por amor em navegar

No grande mar, de plasma
O mar de sangue solto
Sem veia, sem praia, apenas luar

sábado, 14 de abril de 2012

Quem (Não) É Olodumare.


Ou: Apenas um discurso em defesa do Pensamento Abstrato Africano (Nígero-Congolês, Iorúba).

Shango ...

...Olodumare mi!
Shango...
...Meu Todo Poderoso!
(Oriki Shango, Yoruba: Nine Centuries of African Art and Thought, por Rowland Abiodun, Henry John Drewal, John, III Pemberton, e Allen Wardwell.)



Confesso que não sou fã do criacionismo porque todos os deuses que tive conhecimento são tão naturalmente bio-lógicos, e sempre ignorei textos que hierarquizassem o espiritual. Portanto admito que mesmo na minha fé o nome Olodumare nunca teve uma resolução tão boa e satisfatória quanto a que vislumbro agora e gostaria de compartilhar com os leitores deste blog.

Através deste texto apresentarei idéias que irão chocar alguns e fascinar outros. Possam o merecedores da claridade serem encantados e os merecedores da obscuridade serem assustados. Ashé Ashé Ashé/Assim será!

Para iniciar a realização de meus votos do parágrafo anterior, vamos direto ao ponto logo no começo: Olodumare não é deus! Seja com letra minúscula, maiúscula com iluminura ou sem iluminura, ou o que mais for.

A origem da minha “apoteose” foi o trecho de um Oriki Shango colhido em solo Iorúba, que é a abertura desse texto, e que consta em “Yoruba: Nine Centuries of African Art and Thought”, escrita por Rowland Abiodun, Henry John Drewal, John, III Pemberton, e Allen Wardwell.

Vejamos, se Olodumare designasse realmente o nome próprio de uma divindade-suprema, então o que lemos no Oriki supracitado seria uma tremenda heresia. E não estou disposta a acreditar que um culto tão popular e ligado à política/monarquia como o de Shango seja sequer um pouco propenso a heresias.

Assim sendo, ou tendo sido, talvez, só talvez o motivo dessa idéia errônea sobre Olodumare seja um problema de divulgação mesmo, os criacionistas com seu típico proselitismo não se contentam apenas em renegar a validade da espiritualidade e filosofia alheios, eles almejam também disseminar que todos os povos do mundo pensam como eles com relação ao fator ‘criação’, assim eles ainda podem ter uma imagem mais boazinha dizendo coisas do tipo, “cortando a pluralidade de divindades, eles nem estão tão perdidos e ainda tem jeito, eles até conhecem o NOSSO deus fodástico, só que com outro nome (?!)”. Muito vantajoso, politicamente falando.

Olodumare pode ser melhor entendido como o poder – a força - que não vai deixar de ser o que é por causa da bajulação de alguém. Por mais que esse conceito parecesse muito abstrato e, na mentalidade racista da cultura dos padres e etnólogos, inconcebível tanto ao negro quanto à sua África. Ao que parece é um típico erro repetido pelos autores que copiaram outros autores anteriores, como Pierre Fatumbi Verger demonstrou inúmeras vezes com suas pesquisas mais apuradas e purificadas de pré-conceitos.

Quando digo bajulação não o faço pejorativamente. Os Orisha em geral, como deuses que são, são adorados e bajulados, assim como a divindade de Abraão. E nada mais natural se partirmos do ponto que essas divindades são Ancestrais, pais de um povo, etc, favorecem seus descendentes. São divindades criadoras, e se procriam é porque foram procriadas. Olodumare é o incriado, sem começo nem fim que só é elogiado a nível de reconhecimento, não com intuito de petição.

Olodumare designa um conceito que está muitíssimo mais para o que diz a Teoria do Caos que alguns cientistas propõe para explicar a Matéria, do que para qualquer outro paralelo no campo da mitologia (e/ou religião) comparada.

Para testificar minha afirmativa de que conceitos abstratos não são exclusivos ou primordialmente da cultura Indo-e-Européia, nem aliens a qualquer cultura por mais orgânica que seja, mas são característicos da cultura Humana per se (como já atestaram os achados na Caverna de Blombos, datados como de aproximadamente 70.000 a.E.C.), citarei o exemplo de três divindades Iorúba (Negro-e-Africana) cujas bajulações (oriki: elogios) expressam nitidamente o caráter abstrato de Olodumare.

São elas e suas abstratas atribuições: Orisha Agemo, Ologun-Édé e Oshumare. Orisha Agemo, o mutável-camaleão, Oshumare, o surreal arco-íris e também as luminárias celestes de modo geral, e Ologun-Édé, aquele que veste a pele que desejar – clara ou escura.

As divindades são, no conceito Iorúba, manifestações tangíveis e definidas (petrificado e divinizado são sinônimos no contexto religioso Ioruba) de Olodumare, do incapturável e imenso: do todo. Portanto seria correto afirmar: as divindades estão em Olodumare, como tudo, mas são divindades porque unem em si o poder de realização conjunto ao de favorecimento, ou seja numa esfera mais antropocêntrica.

O deus das fés Abraâmicas, bem como os deuses-chefe dos outros panteões (incluindo qualquer divindade proeminente em determinada região das terras Iorúba) são propiciáveis, eles favorecem um determinado povo, desde que este lhe obedeça corretamente. Olodumare não é manipulável, seja por via de adoração ou o que mais for, ele é poder aquém da esfera de desejos de qualquer ser-individual ou comunidade. Apenas é. O fato das divindades poderem ser elogiadas por este termo, declara de uma vez por todas que o mesmo não quer dizer deus-único-e-todo-poderoso como é normalmente traduzido e situado em comparação ao deus das fés Abraâmicas (com exceção de Allah, que não é tribal, e cujo decreto é inalterável [destino]).

Um exemplo de manifestação-ultra-realista do poder desse todo são as chamadas catástrofes naturais, a casa do adorador de qualquer divindade temívelmente adorável do mundo não será privilegiada a ponto de ficar seca numa tsunami, nem mesmo um templo em meio a um terremoto ficará sem tremer, etc. Por isso Eshu, a divindade ligada aos acidentes e mudanças drásticas que percorre toda a existência sempre figura tão próximo de Olodumare, e de fato é o primeiro deus criado na cosmogonia Iorúba, portanto é a primeira fisicalização de Olodumare.

Olodumare enquanto ‘primeiro nome’ não é sinônimo de “o que os cristãos e judeus chamam de Javé”, simplesmente porque divindades são adoráveis e favoritistas. Isso derruba a comum afirmaçõ não-tão-ingênua dos colonizadores professam uma fé Abraâmica, que interpretam Olodumare afirmamdo categoricamente que entre os Ioruba “ele” é o correspondente da sua “divindade suprema das Escrituras”.

Esta coesão impecável que os ocidentais chamam Natureza faz com que o epíteto em si não signifique apenas ‘divindade criadora’ como alguns deuses chefes de panteões fixos do mundo todo, significa mais precisamente algo como “poder imenso, ilimitado”.

Olodumare enquanto Natureza em sua mais realística manifestação, impessoal e impersonificada, é um nome para a indefinível e sempre-mutável expressão da imensidão insondável. Olodumare é o todo-não-fragmentado que evolui sem preocupar-se com a esfera humana, e é este o motivo fidedigno de não existirem oferendas ou sacrifícios propiciatórios que lhe sejam rendidos, nem sequer culto centralizado a sua volta. Não tem nada a ver com alguma suposição tipo: "entre os Iorúba a popularidade dos deuses menores suplanta a do deus-maior". . Simplesmente porque Olodumare não é Deus com letra maior nem deus com menor, e porque Deus algum pode ser indefinível como o é Olodumare.

Ashé.


Olo = Possuidor
Odu = Escuro, recipiente, útero
Ma = em processo de
Re = muda (de pele,cabelo, penas, folhagem, etc) mudança; talvez daí o nome da píton representativa de Oshumare (Ere = píton, E= variação de oni = possuidora + re = muda de pele).

Seria o mesmo que Olorun = Possuidor do céu. O céu mutante com suas variações de cores e luzes (mare). Assim como mare em Oshumare, esfera mutante, as luzes no céu geralmente parecem esféricas ou curvas.

Talvez Olorun seja referencia à vastidão celeste diurna (orun = sol) e Olodumare à noturna (odu = escuro, útero, pote). O sufixo mare em Oshumare também pode ser interpretado como possuindo conotação noturna, uma vez que oshu também significa lua. Talvez as cores atribuídas a Oshumare, o azul e o vermelho, respectivamente as cores do amanhecer e do crepúsculo, sejam em referência a estes dois momentos de inignorável mudança no céu.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Unindo o(s) Ponto(s) (Cíclico e Glífico)

Se Eshu é individuação (yangi), Eshumarê é perpetuação (mare) do individuado/definido (divinização)
Se Ehu é comunicação (laroye), Eshumarê é perpetuação da comunicação (edi = ligação/elo)
Se Eshu possui/conhece/domina o caminho (olonã), Eshumare é caminho (arco-íris, serpente, ponte, adivinho [fun Olo-ODU-mare] etc)
Se Eshu é núcleo, Oshumare é órbita

Etc

*Eshumare = Oshumare

Tangibilidade

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Oriki Logun (baseado no conto apresentado na obra de Harold Courlander)

Ologun Olokikí Ode

Ologun Notório Caçador

Omo nla ilu Iyagba

Cidadão ilustre da região Iyagba

Okiki o itelo jijina Tapa

Fama ele espalha longe Tapa

Cuja fama é conhecida até mesmo entre os Tapa (designação Iorúba para os Nupe)

O de Okansoso

Ele caça sozinho

Didurosinsin bi esuwo

Rápido como o antílope

Rorò bi ekùn

Feroz como o leopardo

O kì kan eran bólowo

Ele não um animal escapa

De quem nenhum animal pode escapar

Ode yiyìn gbogbo

Caçador adorado por todos

Ologun kì ku

Ologun não morreu

Esu agbara o bi o

O poder de Esu o gerou

Osun agbara de lé o

O poder de Osun manifestou-se na terra

O di ison omi mimo gara

E ele ransformou-se em fonte de água límpida

Bi enia Ologun fún lonje

Enquanto pessoa Ologun provia alimento

Bi orisa Ologun pa ongbe

Como orixá Ologun mata a sede

Ologun abunni ye

Ologun dá vida

Bi orun bi aiye

No além como costumava na terra

Ase, Ase, Ase!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Itan Ódé - Ologun e Apasha

Vivendo em Iyagba, que fica ao Norte, havia um caçador chamado Ologun cuja fama se espalhava por muito longe até mesmo na terra dos Nupe. É dito que quando Ologun ia caçar ele era tão rápido quanto o antílope que ele perseguia, e nenhuma caça no ermo podia escapar-lhe. Ologun tinha um irmão caçula chamado Apasha. Apasha ouvia os homens elogiarem Ologun, e ele mesmo ansiava ser um caçador. Muitas vezes ele disse a Ologun, “Eu irei contigo à caça”, mas Ologun sempre respondia, “Não, eu sou um caçador que caça sozinho. Que assim seja.” Assim mesmo Apasha persistia. Ouvindo os homens elogiarem Ologun ele foi afligido pela inveja.

Ologun não se enraivecia com Apasha. Ele dizia, “Irmão caçula, seu tempo há de chegar. Você também será um grande caçador. Então você entenderá porque eu caço sozinho. Eu mato um veado, eu corro. Eu mato um antílope, eu não paro. Eu persigo um leopardo, faço a matança, e prossigo a perseguição, uma criatura do mato após a outra. A corrida é grande, e não termina até que o sol comece a se pôr no céu. Então eu volto, tiro a pele do leopardo, volto e corto meu antílope, volto e pego meu veado. Um homem caçando sozinho sabe o caminho, dois homens caçando juntos discutem sobre qual caminho seguir, ou sobre perseguir o macaco ou o rato-do-mato.”

Havia um ressentimento no coração de Apasha causado pelas grandes habilidades de caça de Ologun. Ele de tempos em tempos sempre importunava Ologun, algumas vezes chegando a dizer, “Eu sou seu irmão caçula, ensine-me a arte da caçada,” e outras vezes dizia com raiva, “O mais velho tem medo do mais novo.”

Até que Ologun disse para Apasha, “Muito bem, vamos caçar juntos. Prepare-se. Prepare sua lança e seu arco. Amanhã nós iremos à mata. Perseguiremos os animais selvagens. O animal que você ver primeiro, sera seu. Se houverem dois animais juntos eu ficarei com um, e você com o outro. Mas nós não iremos ‘grudados’ feito gêmeos. Onde quer que sua presa vá, persiga-a. Onde a minha for, eu persegui-la-ei. Quando o sol se pôr no céu nós iremos retornar e reunir nossas carnes.”

Então Apasha preparou-se. Ele pegou suas flechas e ajustou seu arco. Ele afiou sua lança e sua faca. Ele dormiu. Ologun dormiu. Eles acordaram quando o céu apresentou uma tênue luz. Eles partiram para a mata, e quando o sol apareceu eles já estavam longe da cidade. A princípio eles não viram caça alguma nem rastros de animais. Até que Ologum avistou um veado e seguiu-o prontamente, com Apasha correndo atrás dele. Ologun pegou o veado e o matou. Apasha ainda não o tinha alcançado. Quando Apasha chegou, Ologun já estava atrás de um antílope. Quando Ologun havia matado seu antílope Apasha ainda não tinha chego ao lugar. Ele chegou.

À distância ele avistou Ologun correndo atrás de um leopardo. Apasha nunca havia corrido tanto assim em sua vida. Foi tomado por uma imensa sede. Então o orisha Eshu estava na mata. Ele viu os caçadores indo aqui e acolá. Ele viu Ologun parar em um certo riacho e beber, e lá longe ele viu Apasha vindo. Eshu foi até o riacho. Ele agitou a água, tornando-a barrenta e imprópria para beber. Quando Apasha chegou ao lugar sua sede o atormentava. Mas ele não pôde beber a água pois estava suja. Com raiva ele disse a si mesmo, “Meu irmão fez isso de propósito.” Ele partiu.

Ologun abateu seu leopardo. Ele continuou correndo, perseguindo um javali. Ele foi até um riacho. Ali ele rapidamente matou sua sede e prosseguiu sua caçada. Eshu foi até a água e a remexeu, tornando-a imunda. Quando Apasha chegou ele procurou por um bocado de água limpa para beber, mas nem um pouco era potável. Sua raiva contra Ologun aumentou dentro dele. Ele disse, “Ologun quer tornar minha vida insuportável. Ele bebe, e me priva água.” Ele partiu.

Ologun matou seu javali. Matou um macaco. Matou um buffalo. Novamente ele veio até um riacho e bebeu. Após sua partida, Eshu veio e agitou a água tornando-a intragável. Quando Ashapa chegou ele percebeu que a água tinha sido recentemente enlameada. Embora sua sede era maior que antes, ele não podia bebê-la. Encheu-se de raiva e amargura. Ele voltou para trás, dizendo, “Meu irmão me quer morto no ermo.” Ele retornou ao lugar onde Ologun havia abatido o veado. E ali ele esperou.

Quando Ologun terminou sua expedição de caça ele também retornou. Onde quer que ele havia deixado o corpo de um animal, ele parava e cortava a carne. Ele cortou seu búfalo e esticou o couro em uma árvore. Cortou seu rato-do-mato, seu leopardo, e seu antílope, deixando suas peles nas árvores. Ele chegou ao local onde tinha apanhado o veado, e ali despiu-se de suas armas. Ele viu Apasha sentado lá. Ele disse, “Apasha, meu irmão. Pelo caminho eu procurei por um sinal seu, mas você não estava visível para mim.”

Apasha levantou-se. E nada disse. Ele atirou sua lança em Ologun e o matou. Ele pegou o veado e começou sua jornada de volta à cidade. No caminho ele encontrou Eshu sentado na trilha e segurando seu cajado. O cajado estava molhado e sujo de lama. Eshu disse, “Se você tem sede, beba,” e ofereceu a Apasha uma cabaça cheia de água lamacenta.

Apasha disse, “Você não tem água limpa?”

Ao que Eshu respondeu, “Esta água é pior que a que você teve acesso durante sua caçada?”

Apasha ficou sem palavras. Ele finalmente percebeu que não fora Ologun quem sujara os riachos, mas Eshu, que ele havia confundido as intenções de Ologum. Apasha prosseguiu mais um pouco. Ele parou. Ele disse, “Como poderei retornar à Iyagba? Meu irmão mais velho não desejou nada além do melhor para mim, e mesmo assim eu o assassinei. Ele foi um grande caçador. O que os homens diziam dele era verdade. Somente eu, o irmão caçula, presenciei a grandiosidade de Ologun. Nenhum outro homem testemunhou suas habilidades de caça além de mim. E mesmo assim eu não posso voltar para contar sobre isso. Como eu poderia dizer, “Sim, Ologun era mais rápido que o antílope e mais feroz que o leopardo’? Como eu poderia dizer, ‘Ologun foi o mais brilhante dentre todos os caçadores, ele está morto, pois eu mesmo o matei com minha lança’? Minha vergonha e meu pesar são muito grandes para suportar. Eu prefiro permanecer aqui no ermo.”

Apasha jogou o veado no chão. Ele voltou onde o corpo de Ologun estava caído. Ele sentou. E disse, “Ologun, meu irmão mais velho, aqui permanecerei para sempre.”

E assim Apasha o fez. Ele nunca se moveu desse lugar. Ele transformou-se num montículo de terra. E quando isso aconteceu, Ologun tournou-se numa fonte, da qual água límpida fluiu para que Apasha pudesse beber.

FONTE: Tales of Yoruba gods and heroes

Harold Courlander

Achado literário enormemente esperado!!! Quem foi Logun, de Onde era, e como tornou-se Orixá!

Todos os textos com marcadores "itan ode" não são aleatórios. Eu havia chegado até os odus específicos através de avisos em sonhos. Minha intenção era encontrar o itan onde figura o caçador Logun, mas nenhum especificamente citava. Todos eles tinham em comum dois caçadores (filho de Oshossi e Iku, Ogun e Igbo, Gbuede e Wawa, etc) numa expedição, e além do que me familiarizaram mais com os elementos inerentes a essas histórias de caça.

Hoje encontrei uma itan que cita um caçador chamado Ologun e tem em comum com as outras o fato de serem dois caçadores, é como se as outras histórias precedentes confirmassem a autenticidade desta. Estou muito feliz!!!

É compatível com oriki de Logun (ayan o firan/ rápido como o vento; okanshosho/ ele é sozinho; etc), e é parecida com a itan de como Eyinlé tornou-se Orixá, o que justifica a associação deles dois na diáspora, etc etc e etc!!! Esse itan é importantíssimo porque diz especialidades como a região em que Logun viveu, e como se tornou Orixá. A localidade Iyagba citada na itan, ao que parece, é Óyó, que fica ao norte das terras Iorúba.

Vou postar na íntegra em inglês mesmo, outra hora traduzo e posto de novo, ou se alguém traduzir me avise.

Ologun adupé o Baba mi
Agradeço ao meu Pai por me permitir conhecê-lo bem e espalhar sua grandeza
Agradeço por tudo o mais que é impronunciável e particular que ele me fez e faz
Mojuba ooo
Axé!


Segue a história.

OLOGUN AND APASHA

LIVING AT IYAGBA, WHICH IS IN THE NORTH, THERE WAS A hunter named Ologun whose prowess was known far away, even in Nupe. It was said that when Ologun went hunting he was as fast as the antelope he pursued, and no game in the bush could elude him. Now, Ologun had a younger brother who was called Apasha. Apasha heard men praise Ologun, and he also yearned to be a hunter. Many times he said to Ologun, "I will go with you to find game," but Ologun always answered, "No, I am a hunter who hunts alone. Let it be this way.” Yet Apasha persisted. Hearing men praise Ologun he was afflicted with jealousy.

Ologun did not become angry with Apasha. He said, “Younger brother, your time will come. You also will become a great hunter. Then you will understand why I hunt alone. I kill a deer, I run on. I kill an antelope, I do not stop. I pursue a leopard, make my kill, and go on pursuing, one creature of the bush after another. The running is great, there is no end to it until the sun begins to fall in the sky. Then I return, take the leopard's skin, return and cut upmy antelope, return and get my deer. One man hunting alone knows the way, two men hunting together argue which way to turn, or whether to follow the monkey or the bush rat.”

There was a soreness in Apasha 's heart because of Ologun 's great hunting deeds. He importuned Ologun again and again, saying sometimes, "I am your younger brother, teach me the art of hunting," and other times saying in anger, “The elder is afraid of the younger.”

At last Ologun said to Apasha, "Very well, then, let us go hunting together. Prepare yourself. Prepare your spear and your bow. Tomorrow we will go into the bush. We will pursue the bush animals. Whatever game you see first, it is yours. If there are two together I will take one, you will take the other. But let us not go side by side like twins. Where your game goes, pursue it. Where mine goes, I will pursue it. When the sun falls in the sky we will return and gather our meat. ' '

So Apasha prepared. He set out his arrows and tightened his bow. He sharpened his spear and his knife. He slept. Ologun slept. They arose when the sky showed a faint light. They went into the bush, and when the sun appeared they were already far from the village. At first they saw no game or the tracks of game. Then Ologun sighted a deer and he followed it swiftly, Apasha running behind him. Ologun caught the deer and killed it. Apasha was not yet there. When Apasha arrived, Ologun was already in pursuit of an antelope. When Ologun had killed his antelope Apasha had not yet reached that place. He arrived.

He saw Ologun running after a leopard in the distance. Never had Apasha run like this. A great thirst overcame him. Now the orisha Eshu was in the bush. He saw the hunters going here and there. He saw Ologun stop at a certain water hole and drink, and far behind he saw Apasha coming. Eshu went to the water hole. He stirred up the water, making it muddy and unfit to drink. When Apasha arrived at that place his thirst tormented him. But he could not drink the water because it was spoiled. In anger he said to himself, "My elder brother has done this in spite." He went on.

Ologun killed his leopard. He ran on, pursuing a bush hog. He came to a water hole. There he quiquly quenched his thirst and continued his hunting. Eshu came to the water hole and stirred it up, making it foul. When Apasha arrived he sought a little clear water to drink, but nothing was drinkable. His anger against Ologun swelled within him. He said, "Ologun wants my life to be unlivable. He drinks, he deprives me of water. ' ' He went on.

Ologun killed his bush hog. He killed a monkey. He killed a bush cow. Again he came to a water hole and drank. And after he departed, Eshu came and stirred up the water and made it undrinkable. When Apasha arrived he saw the water had been freshly muddied. Though his thirst was even greater than before, he could not drink. Bitter anger filled him. He turned back, saying, ' ' My elder brother wants me to die in the bush." He returned to the place where Ologun had killed the deer. There he waited.

When Ologun finished with his killing of game he also turned back. Wherever he had left the body of an animal, he stopped and cut up the meat. He cut up his bush cow, and

hung the skin in a tree. He cut up his bush rat, his leopard, his monkey and his antelope, leaving their skins in the trees. He arrived at the place where he had caught the deer, and he put down his weapons. He saw Apasha sitting there. He said, "Apasha, my younger brother. Out there I looked back for a sight of you, but you were not visible. ' '

Apasha stood up. He said nothing. He threw his spear at Ologun and killed him. He took the deer and began to return to his village. On the way he met Eshu sitting by the trail holding his staff in his hand. Eshu 's staff was wet and fouled with mud. Eshu said, "If you are thirsty, drink, ' ' and he offered Apasha a gourd of muddy water.

Apasha said, “Do you have no clear water?”

And Eshu replied, “Is this worse than the water you had during your hunting?”

Apasha could not speak. He saw now that it was not Ologun who had dirtied the water holes, but Eshu, he who twisted the meanings of Ologun. Apasha went on a little farther. He stopped. He said, "How can I return to Iyagba? My elder brother intended nothing but good for me, yet I killed him. He was a great hunter of game. What men said of him was true. Only I, the younger brother, saw Ologun 's greatness. No other man has been a witness to his hunting deeds but me. Yet I cannot go back to speak of it. Can I say, 'Yes, Ologun was faster than the antelope and more fierce than the leopard'? Can I say, 'Ologun who was the champion of all hunters, he is dead, for I killed him with my own spear'? My shame and my grief are too much for me. I prefer to remain in the bush."

Apasha threw his deer on the ground. He went back to where Ologun 's body was lying. He sat down. He Said, “Ologun, my Elder brother, here I will stay forever .”

This Apasha did. He never moved from this place. He turned into a mound of earth. And when this happened, Ologun turned into a spring, from which clear water flowed so that Apasha could drink.

FONTE: Tales of Yoruba gods and heroes

Harold Courlander

Short

http://www.youtube.com/watch?v=LYe-Fz75i9c&feature=related

Lamentam as flautas
Com prodigiosas notas ondulantes
Como o reclamar de cães
A madrugada comprida está cumprida, e chega ao fim

Enlaço (Ilaja)

Olhar a Espelhar

Deixa, deixa passar
O ribombar da fúria no saudoso mar

Quando semelhantes se encontram
Os olhares se cruzam e, cumplices, cumprimentam um ao outro

Quem denunciará?
Quem presumirá?

A máscara da face o vento pode levar
Já a da alma...

A única possibilidade de comprovação seria o provar de sangue
Arraigado tão profundamente sobre a pele fria, mascarando seu próprio e atípico fervor

Nem a repulsa pulsa mais

Depois de um tempo o que era afeição vira ódio
E o que era ódio vira repulsa
E o que foi repulsa é indiferença

Como serpente
Já não tenho cicatrizes
Até as lembranças, pálidas e intangíveis evoluem à mais completa dispersão

Então era verdade
Quem ama o feio, agradável lhe parece
Até que seja demonstrado que o feio é realmente impossível de amar

terça-feira, 10 de abril de 2012

Mãe

~

Na escuridão o clamor
Conduzir-te-á até onde a experiência emana
Do alto a lua cheia centralizando as nuvens coloridas que descendem, como névoa
Vela e desvela a multidão de estrelas
A mão estende-se, automata
E pega a resposta tecida em alva mortalha
Agu'ala ile l'irawo
Osha'ala baba iwin awo
Irawo ile Osha'oko
Oko oloye Ajori'iwin o
Agu'ala ajaoshu mo
Aja iwin afefe nigbo

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Caçadores






Oogun


Ajija/Aziza (Laurarte)


E=mc²

Eu> Objeto> Outro

Angular à Rocha Negra, um Negro Leopardo
Aproximo-me dele para atingir o Negrume Rochoso de Almejada Fortaleza
Quando da aproximação o Felino cor de Escuridão diminui como se fosse a sombra ocasionada por meu Olhar Aceso, Resplandecendo sobre a Rocha
Então desvelada sobre o reflexo da superfície aquosa que me encontra
Ao passo que vou de encontro à sua Solidez

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tradução das sentenças em Iorúba

Versos presentes nesta Itan: http://elaquecaminhasobreomar.blogspot.com/2012/02/itan-ode-bahia.html

Ogum canta para chamar Igbo:
Fara han rere firi igi igbo
Apareça bem (aqui) na grandiosa árvore da floresta

A firi igi igbo fara han
Grandemente a árvore da floresta aparece

Rere koke omorode
Bem alta caçador


Ogum canta para ir procurar Igbo:
Ogun nikoto bo wale
Ogun ao voltar para casa

Maríwo laore
É agraciado com folhas de dendezeiro desfiadas

Akoro nikoto bowale
Akoro ao retornar

Mariwo laore
Será agraciado com folhas de dendezeiro desfiadas


Ogum canta para acompanhar Igbo:
Awa gbogbo ni togan o
Nós todos corajosamente

Nle tona nilagbede
Perseguingo (a caça) pelo caminho conhecido

Awin siba omorode
Bem reputado pelos caçadores

Ogun Akore se
Feito por Ogun Akoro

Oun gbogbo ko ro rire
Eles todos conhecem o percurso muito bem

Mariwo o bode o bode
Folhas de dendezeiro desfiadas perfazem-no (o caminho)

Maríwo obode Ogun e
Folhas (...) como as que vestem Ogun

Mariwo o bode o bode
Folhas de dendezeiro desfiadas perfazem-no

Tambor de Fenda e Bastão Eshu (Iorúba)

O estilo do cabelo chama-se aasho oluodé (tambor, imagem à direita) e é usado por guerreiros e caçadores, consiste em uma mecha de cabelo que é mantida no centro da cabeça e o restante inteiramente raspado, na qual medicina é infundida para beneficiar física e espiritualmente. Normalmente esta mecha é trançada de modo a acomodar-se do lado esquerdo da cabeça. Para acomodá-la alguns utilizam uma capa chamada adiro (bastão, img à esquerda), que também serve para conter amuletos e medicina.

Olowa (Sacerdote), Ijebu-Ode - Nigéria 1982

Vestindo uma ashó alona, "a roupa artística", assim nomeada pela riqueza e complexidade dos padrões tecidos. As roupas de tecidos oriundos de Ijebu foram amplamente comercializadas no Delta do Níger. Os tecidos Ijebu chegaram ao Brasil após os Portugueses estabelecerem relações comerciais com os Ijebu no final do século XV, são os famosos "Panos da Costa".

domingo, 26 de fevereiro de 2012

(Alta Definição) Mapa das Terras Iorúba

Pros estudiosos de plantão rs (Clique e arraste pra barra de endereço pra ampliar)

Música Tradicional de Canoeiros (Iorúba)

LIIIIIIIIIIINDO VÍDEOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!: http://www.youtube.com/watch?v=au7MoWWog9E

Cortejo (Originalmente parte de PRAXIS, por mim sob o pseudonimo Ambidestra)

(Praxis (2009) pode ser lido nesse PDF criado por David Hex, Autor do blog Ophidicus Natura: Link PDF)

Sobre o mar eu chamo os ventos para me encontrar
Com potencia, violação e tormento
Na direção rodopiante das estrelas a queimar
Atentem à sedução de meu alento
Noroeste: Cruze aqui, cruze lá
Adentra humildemente para triunfar
Norte: Danço aqui, danço lá
Cavalgam suas patas para me encontrar
Nordeste: Cruze aqui, cruze lá
Concede livremente para renovar
Leste: Danço aqui, danço lá
Crina esvoaçante para minha astucia trançar
Sudeste: Cruze aqui, cruze lá
Alimenta atentamente para fortificar
Sul: Danço aqui, danço lá
Libido flamejante para meu intento consumar
Sudoeste: Cruze aqui, cruze lá
Encontra secretamente para deleitar
Oeste: Danço aqui, danço lá
Lombo cortante para o véu da noite sangrar
Eu no meio sou a desejada de tudo o que me cerca
Ó tudo que me cerca, PAN
Ó deus de tudo, tudo de deus

Eu no meio sou erigida e fixa
O poço que dá lava a quem tem sede
A sede que inflama a quem não me dá

Irresistível eu sou
Aquela que trabalha a maldade
E que ainda assim é esplendorosa como a Companhia do Céu

Intoxicante, sufocante, excedente
Excitante, mirabolante, complacente
Conhecida pela ira que minha lucidez desconhece, e que meu rastro proclama

Seja o meu chamado feito rédeas douradas no pescoço viril da negritude do cavalo
celestial
Seja a minha boca feita a cobertura índigo que chafurde sobre as coisas venenosas da
terra
Eu sou a filha do céu incestuoso que testemunhou o alvorecer da vergonha na face do
cavalo encantado, montaria da realeza da mais antiga linhagem

O cavalo aleijado, a serpente que me circunda
O cavalo aleijado, a serpente que me ensina
O cavalo aleijado, a serpente que me justifica

Eu amarrarei os perímetros da fuga do seu amor desesperado, no recinto de um
banquete
E liberarei a virtude do nosso sonho, no recinto de um leito
Eu enumerarei os melindres da tua fraqueza, no recinto de uma fortificação

Glossolalia: Alaluari namuruar, kalunuari faluruar
Kabaluari saluriar, ananuari filoriar
Satanuani faluriar, nalanuari lanuriar

O Segredo do Mercado II

Parte I: Link

Quando o dia nasce
Apressa-se o segredo

Ocultar-se-á na sombra sobre o trono inocupável
De madeira imaculável

No Reino Vivo, em seu vivo palácio de pilastras e arcos que de sementes projetaram-se
De côrte iletrada e incorrigível

Saudosismo inexprimível
Beleza inenarrável

Assim é a morada de meu Pai-Secreto
Seu nome sussurrado entre a miríade de folhagens e camadas de solo

O arqueiro é ele mesmo uma flecha que o arco lunar, quando mingua, atira certeiro rumo ao mistério das noites-sem-lua
Foge ao avanço da aurora e refugia-se na escuridão profunda que o dia não atinge

Entre os alvos lençóis que ocultam a transformação da aranha em gente
É visão daquele que passa o portal

Num sacrário no topo do batente, o homem-preto não tem a boca vermelha porque sangra
Mas por que sua fome faz sangrar o alimento

E em seus braços a pálida esposa-desfalecida não tem os cabelos vermelhos porque o sol queimara
Mas porque sua cabeça é encimada pela voracidade de seu amado

Segue apressadamente quem passa pelo portal
Por galerias e cânions de osso que, não fosse a lavagem resultante da umidade noturna, contariam a rubra história de carne-oficina que o dia proclama não, declara não

Urhobo (26/02/2012)

Único é o tronco
De trípla moradia

Três ocos na árvore magistral perfazem
A magnanima estrutura onde a ancestralidade genial-lógica ascende, descende

Se há três dias subiu na árvore um rato
Ontem desceu um morcego

De baixo acima, de cima abaixo
Quem denunciará Hoje o residente poder transformador da planta?

Este, certamente não o conhece
O coração dos corações profundamente incrustrado na majestade do Mundo

É a jóia não-vivente e não-mortal que, se afligida
Mata o agressor

Ashé

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-