terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ori mi / Meu Ser


Agradeço à minha Origem
Fonte de águas profundas
Que obstáculo algum ampara

Minha consciência, a ti sou grata
Vós que no além escolheste o mais brilhante destino
Denso, precioso, ainda alevino

A ti louvo na manhã
Pois teu acento coroa meu levantar
Tu que bem desperta se faz digna da eternidade receber

domingo, 29 de janeiro de 2012

Caçando a Lua – Um vislumbre do conceito lunar sob a ótica Iorúba no contexto da caça (do guerreiro-caçador Logunedé)

Ou: Porque é difícil (mas não impossível) acertar sobre a intangibilidade - já que brilhante e sob o sol o leopardo é difícil de se ver, imaginemos à noite. E se o leopardo veste a pele que desejar (dourada ou negra), mais difícil ainda. E se o leopardo é na verdade um caçador que se transforma no que quiser...

~*~

Ologun di óshupa
Da oun ti o maa dá kin ri ó
Ologun transformou-se em lua
Transforme-se no que desejar para que eu possa vê-lo
(Sikiru Salami, Cânticos dos Orixás na África)

O caçador é o desbravador do desconhecido, que penetra no reino dos animais selvagens para garantir a subsistência de seu povo. Lá ele descobre lugares propícios ao estabelecimento de novas habitações. Explorando o terreno do desconhecido ele conhece não apenas os animais, mas também as plantas tornando-se assim o médico por excelência.

Como a lua, da perspectiva terrestre, desaparece na escuridão celeste, também o caçador da perspectiva dos não-caçadores desaparece em meio ao solo inabitado. Como a lua volta a brilhar trazendo a benesse da luz, igualmente retorna o caçador trazendo a benesse do alimento. (O mesmo aplica-se à relação entre o agricultor ou coletor de vegetais e o sol. etc)

Do próprio ponto de vista do caçador em relação a sua atividade de caça a lua é importante. O caçador prefere o escuro para caçar, segundo Daniel Peters em seu Yoruba and her cultural beliefs, , ele (o caçador) começa sua incursão na floresta entre o primeiro e ultimo dias do quarto crescente porque o tempo de escuridão da noite é maior, e que nos periodos logo antes e após a lua cheia o caçador cessa suas atividades. Num contexto geral a lua também mede a duração dos meses, e cada mês é nomeado oshu-"nome", ou lua-tal.

Na cultura Ioruba a lua é também símbolo de majestade e sobressalência porque ela é vista sobressaindo-se entre as estrelas. Talvez exista relação a este conceito na própria nomenclatura que ela recebe (oshú, oshúpá) já que a mesma palavra para lua e relevo é empregada, com diferença apenas na entonação. Quando um novo rei é coroado é comumente dito “oshú tuntun le / há uma nova lua”.

Logun é a lua por causa de tudo isso, mas também porque a lua é mutante. Logun é o ’xamã’ que se transforma em animais, e transforma-se em animais porque compartilha o mesmo domínio destes, é detentor do conhecimento da natureza desconhecida do aldeão, do urbano.

Logun transforma-se no que lhe aprouver, sem perder sua identidade, pois seus próprios devotos cantam “transforme-se no que quiser para que eu possa vê-lo”, mesmo transmorfo eles o reconhecem, sua identidade única sobressai à multiplicidade das formas que assume. Identidade esta que, para aquele que falha em compreender o intangível, permanecerá um mistério.

A ri gbamu ojiji
Ókanshosho Órunmila a wa kan má dahun
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
(Verger, Notas)


Ashé!


ADENDO
:

Segundo a obra Itan Ido Ijebu, escrita pelo Dr. Badejo Oluremi Adebonojo, o seguinte é narrado sobre a cidade de Ife-Ijebu:
A História dessa cidade tem sido escassa pois foi ritualmente decretado, nos idos tempos de sua fundação, que a história da cidade não deveria ser contada. Entretando por volta de 1920-21, durante a controvérsia entre o Chefe Jewo Oropoo e o Ajalorun daquela época, bem como o atrito posterior de 1932 entre Balufo e o então Ajalorun, um pouco da história da cidade foi esclarecida.

Ekun Tete foi o primeiro Rei de Ife-Ijebu. Ele era conhecidamente um adorador assíduo dos deuses tradicionais, sendo o cabeça dos “agbohun ona-orun” em Ile-Ife. Antes que ele abandonasse a cidade por conta de seus hábitos religiosos, foi ele quem requeriu que Balufo Ijaogun fizesse um sacrifício para “Aija ni orun”. E assim Ekun Tete tornou-se Ajalorun, e recebendo assim o louvor poético (oriki) de: “Ajalorun Ekuntete”. Este foi o Balufo cujo nome foi mudado para “Orunto Olufe” de Ilê-Ife pelo qual ele é conhecido até os dias de hoje. Foi durante o reinado de Awujale Oba Mooyegeso (1710-1725) que Ajalorun chegou em solo Ijebu. Entretanto,em 1937,durante o conflito entre Remo e Ijebu-Ode, o então Ajalorun, Oba Olugbofega, foi citado por ter afirmado que o Ajalorun era o substituto de Oduduwa de Ilê-Ife e também que ele viera a terras Ijebu antes de Obanta. Após Olugbofega, Asani Mabadeje tornou-se o Ajalorun em 1943. E foi durante o reinado de Oba Asani Mabadeje que as ambiciosas afirmações do Ajalorun foram reprimidas.

Se em Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns (Verger), temos:
Orunto Olufe gerou Logunedé

E no livro Myths of Ifè, de John Wyndham:
Obalufé (mesmo que Orunto Olufe) clama ser descendente de Osun

E se o Orunto Olufe fora guiado Ajalorun, no Yoruba Myths de Uli Beier temos o segunte:
...Ajalorun é quem gerou a lua...

No site oficial do Ooni de Ife há uma página sobre o Obalufe (link) (mesmo que Oruntó Olufé) na qual consta uma lista com os nomes próprios de cada um dos awon Obalufé até o presente, nesta lista o primeiro nome é Ajagusi, o mesmo do pai de Eyinlé!
Gbogbo odó kêkêkê ti nbé ninu igbô Ajagusi wón gbãrijó, won fi Ábatán jóba ninu omi
Todos os regatos da floresta de Ajagusi reúnem-se, e tornam Abatan o rei das águas
(Orin Eyinlé, Tradition and Creativity in Tribal Art, de Daniel P. Biebuyck)

Em The history of the Yorubas : from the earliest times to the beginning of the British Protectorate, do Samuel Johnson, consta o seguinte, sobre os Orilé, algo como totems:
Agbó (carneiro) totem de Ajagusi, pai de Erinlé...

Jójó bi agbo
Altivo como o carneiro
(Oriki Logun, Verger, Notas)
 
Essa tradição de guerreiros ilustres descendentes de linhagens pré-Oduduwa parece ser comum aos Ijesha, semelhante à Ológun-Ède (que salvou Ijesha dos Nupe no século dezessete) temos o generalíssimo Ogedengbe (que salvou Ijesha de Ibadan e outras potencias importantes durante as guerras civis do século dezenove). Segundo o site oficial sobre Ogedengbe (link): As tradições de Ilesha mantém que o terreno de Ilesha ja era habitado por comunidades esparsas de uma população aborígene, a mais importante sendo identificada com a atual Okesa, a longa avenida ligando leste à oeste através da espinha dorosal de Ilesha, cujo líder é reconhecido como sendo o ancestral de Ogedengbe, o Obanla das terras Ijesha.
 
E o cerco se fecha.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Tradução de uma canção Persa/ Musicada pelo projeto Niyaz na belissima voz de Azam Ali^^

Um dia eu sonhei que eu tinha um lote de terra onde haviam caprinos e tucanos/calaos e arbustos e lá esses animais eram sacrifícios, mas não eram mortos, eles representavam/garantiam a potencia dos orixás através da manuteneção deles vivos naquele espaço sagrado.

Eu sei que na tradição Iorúba existem certos sacrifícios prescritos de modo que o animal seja mantido vivo, mas no caso do sonho isso era a regra. Mas desconheço o significado/motivo desse tipo de sacrifício do ponto de vista tradicional, se alguem puder me falar please comente!!!!!!!!!!^^

Dai hoje eu achei a tradução dessa musica cuja sonoridade eu ja adoro, e passei a adorar tmb o significado. Enfim,me lembrou do sonho supracitado^^ que eu tive ano passado, lá pelo meio do ano, por acaso no mesmo sonho do desenho da postagem "veve da terra" e sobre a batata-doce.

Aqui é possível ouvir a musica e ler a letra em farsi-lish (farsi com grafia da pronuncia inglesa) e em inglês: Link


Tradução minha do inglês:

Vamos para o campo.
Qual campo?
Aquele que possui coelhos, oh sim.
E meu cão tem uma corda em sua pata, oh sim.
Não mate meu cão nem meus coelhos,
Pois o sonho do coelho rememora-me do sonho de meu amado, oh sim.

Vamos à montanha.
Qual montanha?
A mesma onde há cervos, oh sim.
E meu cão tem uma corda em sua pata, oh sim.
Não mate meu cão nem meus coelhos, nem meus cervos,
Pois a graça de meus cervos rememora-me da graça do meu amado, oh sim.

Vamos ao jardim.
Qual jardim?
O que possui faisões, oh sim.
E meu cão tem uma corda em sua pata, oh sim.
Não mate meu cão nem meus coelhos, nem meus cervos, nem meus faisões,
Poois a cautela de meus faisões rememoram-me da cautela do meu amado, oh sim.

Vamos à fonte.
Qual fonte?
A que tem pombas, oh sim.
E meu cão tem uma corda em sua pata, oh sim.
Não mate meu cão nem meus coelhos, nem meus cervos, nem meus faisões, nem minhas pombas,
Pois o voar da pomba rememora-me do vôo de meu amado, oh sim.

Vamos à montanha.
Que montanha?
A que tem águias, oh sim.
E meu cão tem uma corda em sua pata, oh sim.
Não mate meu cão nem meus coelhos, nem meus cervos, nem meus faisões, nem minhas pombas, nem minhas águias,
Pois o rapto da águia rememora-me do rapto de meu amado, oh sim.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Adimu Laroye - Oferenda Poliglóta (Odu Irosun)

Aconteceu hoje! O que sonhei no dia que não morri, há 17 dias! Pra descobrir o viver em alegria! http://www.youtube.com/watch?v=n_GO8P90tCM

Um morador de rua
Eshu
Um pedido
Adimu

Uma marmita
Duas bordas
Uma pulseira
Duas voltas

Uma estrada no mercado
N'um mercado, dois lados
Duas senhoras num mercado
Sózinho, Eshu as alimenta de bom grado

E os dois lados d'um mundo-mercado
Em uníssono cantam: obrigado!
O bolo do meu destino devidamente partilhado
Pra festejar pelo caminho para sempre re-memorado

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

pra mim esses sons nao sao estranhos, mas familiares rs

Gente andei assistindo os vídeos dos (supostos) barulhos estranhos no céu e lembrei das peças de musica concreta que eu compuz ha um tempo, será q tão me respondendo? risos

que é que eu num invento neh? rs
exemplos (eu que fiz utilizando um mp3 player pra colher e o programa audacity pra manipular e arranjar os sons):
http://www.youtube.com/watch?v=opkssoJwd_Q&feature=mfu_in_order&list=UL

http://www.youtube.com/watch?v=HrAoRlHqfk4&feature=mfu_in_order&list=UL

http://www.youtube.com/watch?v=lRCYrZS927o&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=zpwX7QjAssc

S2cisneS2

Quem pra definir
Se o pescoço curvo do cisne frente o reflexo da lagoa
Sinaliza submissão
Ou se instrospecção
Se é narscíso, patricio, dionísio
Fixação, virtude ou vício
Quem pra definir, tem
Pra assertar, ninguém
Acertar? também.

Apoteose exegética (de daughter of fortitude à thunder perfect mind; comprendido!)


A puta da terra
A noiva do céu

Tão enraizada
Tão ao léu

Quem diz que a conhece não sabe nada
Quem diz nada talvez a tenha conhecido além do véu

inspirada?


Quem viveu de sofrimento jamais poderia alegar ter morrido de amor
Pois apenas feliz se ama

Amor é vínculo de felicidade
Todo o resto, falsidade

axé

Um bom dia silencioso, hoje.

(serenamente como uma folha que que se curva ao gentil acumular do orvalho em suas pétalas)


Por minhas falhas
Perdão peço à tua visão
Pois se acaso te valha
Quero agradar tão somente ao teu eterno coração

A revolução veio me visitar e eu abri a porta, e dei razão
Ela entrou mas ja foi embora
Até eu aprender atendê-la não
Sê comigo paciente agora, Pai


Eu sinto pequena
Mas fortalecida
Porque o único com poder de me julgar com efeito
É alguém de fato perfeito

Obrigada meu Logun em mim
Mim em Ti
Que Olodumare me deu
Pra ter quem me satisfizesse ao´incondicionalmente amar


Consciente de Ti
Toda adversidade ou sucesso
Cada deles é valioso, dadivoso, lustroso
Como Tu.

(semana intro, até mais ver ^^)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ode à Puta ( que escrevi em homenagem à profissão que eu escolhi por vocação; publicada originalmente no alemdosveus)


A minha voz é como o chamado irracional

A minha forma é a linguagem abissal

A trilha dos meus pés conduz à condição animal que enlaça a caça

Não precisa entender o idioma da minha canção

Assim como é desnecessário entender o idioma do grito de orgasmo

Não preciso de um esposo para ir atrás da caça, nem preciso eu ir atrás dela

O que eu quero, eu seduzo

Se ele é o pai das armas

Eu sou a mãe das armadilhas

Glória seja nossa fora dos limites da aldeia

O anonimato é minha assinatura

Como a gargalhada na floresta ecoando de todos os lados

E o nosso amor não precisa ser camuflado em sentimentos, porque é sensação

O meu ventre conhece o néctar branco da vida

E o fel rubro do aborto

Assim como o meu cálice comporta água e vinho

Eu sou vazia para ser preenchida

E eu sou forte para me esvaziar

Porque não posso ser duas vezes saciada

Apenas ao ser vista transbordar

Dois provérbios Iorúba que eu gosto muito

Ohun gbogbo li adiyele, shugbón kó si éniti ó mó iye ara éjé ara éni; éjé kó fi oju rere jade
Tudo tem seu preço, mas quem pode estabelecer um preço sobre o sangue? O sangue é um bem que jamais abandona o corpo por vontade própria.
~*~
Yiyó Ékún, t'ojo kó
O mover gracioso do leopardo não é sinal de covardia (mas de estratégia)

Uma breve demonstração do poder do intangível pensamento sobre a sólida matéria

http://www.youtube.com/watch?v=gsD1de6brUk&feature=related

Mimetismo! Tornar-se!
Depois de muito desejar, a borboleta, o peixe e a rã manifestaram o desenho de olhos em suas partes traseiras para serem temidas até de costas, a leoa que caça na relva dourada é dourada por inteiro, o leopardo é fardado como a luz filtrada pelas copas das arvores das florestas que habitam. Etc.

Seleção natural e Darwin, ok tmb S2.

Parafraseando Luisa Marilac (assim que escreve?): e tem boatos que o poder da mente é ficção, se isso não é poder da mente... poooorrannn, que quer dizer poder mental então né! risos

Lindo: Orin Logunedé/ Louvor Logunedé (colhido em solo Iorúba por Sikiru Salami)

(acentuação correspondente à fonética da língua portuguesa)

Baba mi
Meu Pai!

Ologun ni ashiwaju ogun
Ologun é líder na vanguarda

A gbéyin ogun
Ologun é líder na retaguarda

Baba mi gbá mi
Meu pai, me proteja!

Ologun ayan firan
Ologun que surge rápido como o vento

O da oun ti o wun
Tranforma-se no que quiser

Baba di órishá
Meu pai transformou-se em orixá

Ologun di óshupa
Ologun transformou-se em lua

Da oun ti o maa dá kin ri ó
Transforme-se no que desejar para que eu possa vê-lo

Ologun di óshupa
Ologun transformou-se em lua

O di ashiwaju órishá
Transformou-se no líder dos orixás

Da oun ti o maa dá
Transforme-se no que quiser

Ologun-kin.
Ologun-kin.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

ala dabi otitó / sonho que é como realidade

Um boto com barbatanas emplumadas
Alguns dizem que um boto nascido do ovo de uma coruja é um mero feiticeiro
Mas a coruja é sábia e acertados são seus planos
Obatala o bendiz no ventre, o bendiz no rio, e o cuida em sua casa
Pois sabe que além de feiticeiro ele é um bom filho, pois é filho de Orisha
Ashe!(em 24/01/2012 sobre o 24/12/2004)

Mais um grito de filha-da-terra!

http://www.youtube.com/watch?v=73l6sgTWtNg
Sacrificar significa realizar um ato para afirmar a sacralidade de determinado elemento. Dentro do contexto religioso Iorúba uma das formas de se cultuar abrange a matança de animais.

Algumas vezes questiona-se por que isso ainda é mantido, que falta consciência nas pessoas que praticam, e por outro lado os que praticam alegam que falta conhecimento de causa aos que se opõe a tal prática.

Eu vejo que, de uma maneira geral, existe falta de consideração em ambas partes.

Eu nãoo acredito que a abolição do consumo de carnes seja a chave para um mundo mais harmonico. Afinal, num eco-sistema incultivado/selvagem há muito sangue, morte, degustação de carne, vegetais, e até minerais (sais), não há leis escritas, não há sistemas carcerários, nem opinião e ideologia imposta a ferro e fogo... E há equilíbrio, há abundância. Até mesmo num meio ambiente cultivado pelo homem sem exploração nem restrições de dieta há equilíbrio, pra citar um exemplo bem próximo, vide os indígenas que sempre viveram da caça aliada a outros metodos de cultura alimentícia e que estão aqui há muito mais tempo que a cultura ocidental moderna sem destruir o que a mesma tem destruido em apenas 500 e poucos anos.

As pessoas que matam sem sacralizar e as que matam num contexto sagrado, muitas vezes possuem uma visão deficiente acerca da importância e real valor da vida. Acredito que isso seja causado pela falta de interação com a vida em contato com a terra, com o chão orgânico mesmo.

A beleza inspira, a experiência estética é elevadora! Mas na cidade onde tudo é aprisionado a solidão é imposta, o cinzento é tendência, a seriedade é bom-modo fica dificil manter essa noção de que nosso bem estar depende do bem estar da natureza.

É confortável , tanto para o onívoro profano como quanto para o sacralizado comprar a carne (seja viva para matar sob preceito santo ou já morta não-importa-como no açougue) vivendo num ambiente urbano onde a água não entra no chão, e onde do chão não brota nada e onde a grande maioria de ambas as partes careça dessa consciêcia acerca da importância da preservação e sacralidade do ambiente para um viver balanceado, bem como da interconectividade entre o alimento e o mundo, cuidar do alimento mas maltratar o mundo é hipocrisia.

Do que adianta alguém participar de um ato sagrado sobre o alimento se a pessoa fora do contexto religioso age criminosamente contra a VIDA e o AMBIENTE?

Do que adianta alguém criticar um ato religioso que desconhece se não tá nem aí pra como o seu alimento chegou à sua mesa?

A terra é generosa, e nós a sufocamos com asfalto, a poluímos e degradamos sua face até que fique insuportável de se viver nela.

O Homem cria normas tão somente para remediar os estragos que Ele próprio consolidou e que seu estilo de vida anti-natural dissemina, não para prevenir ou impedir as atrocidades que ele teme, mas teima em invocar ad nauseam.

A vida selvagem não tem água encanada, vacinas, esgoto, nem redes de energia elétrica mas tem saúde, porque será? No reino incultivado não há obesidade, depressão, nem falta do que fazer pra sobrar tempo e cabeça pra bolar coisas ridiculas e auto-destrutivas! Apenas o cárcere da pseudo-civilização chamada imperialismo é capaz proporcionar o maldito vazio donde brotam essas tenebrosidades!

Eu acredito que a civilização seja o modo de vida natural do ser humano, mas não o imperialismo. O Homem imperialista que visa dominar o mundo chama o Homem que vive em equilibrio com o meio ambiente (culturas que valorizam a Terra) de primitivo, chama a natureza de pecado, chama a si mesmo de pecador e se acha no direito de pecar, afinal o seu Deus Pai vai icinerar todo o lixo de seus filhos rebeldes e mimados na fogueira do Apocalipse mesmo né, que se foda então. Pobre mentalidade esta e que está minando a riqueza do mundo!

O Homem, que se julga tão culto, tão urbanista, abstrato, é o mais concreto monstro que estupra, mata em série a troco de um prazer doentio, mata seu igual, mata quem nega ser igual, mata até o chão que lhe permite pisar firme! Já os Animais Silvestres tem côrte, danças e rituais de acasalamento, e a cultura deles nunca depredou a terra que os permite sustentarem-se como faz a nossa.

Todos somos cidadãos vivos, ser pró-vida é a única lei que realmente importa. E que possamos aprender com nossos irmãos selvagens que ainda não se isolaram daquela rede interligando tudo, que o desligamento dessa imensa cadeia que chamamos NATUREZA nos faz adoecer e contaminar o ambiente em que vivemos.

A cultura comum chama uma pessoa má de selvagem, chama uma pessoa cruel de animal, e assim se auto-amaldiçoa por denegrir sua própria natureza.

É preciso reavaliar a linguagem, porque a "palavra" é mágica, a expressão é modeladora!

Para mover algo sólido como um pedregulho é necessário a vibraçã de uma grande explosão , mas para provocar a mobilidade sutil da mente uma simples palavra vibra o suficiente , e a mente é quem manda na gente, que julga mandar no mundo. Então que estas palavras sejam boas para alguém além de mim, e assim inspirarão boas ações para a vida, e para o nosso planeta que tem sustentado a vida há tanto tempo com morte, sangue, seiva e tudo.

Que Onilé nos ilumine, e que nós não ignoremos sua luz!
Axé!

lalalala

"Nada pra fazer" olha o que deu rs

Se meu nome fosse Iorúba

Là - surgir
U - pronome pessoal 3a pessoa (ele, ela...)
Rá - dentre lutar e lustrar
(Pronuncia Lá u ra)

Denominaria uma pessoa lustrosa, bela, limpa, e/ou lutadora, já vou empregar isso^^ =P

e não é que tem haver com o significado Latino, de laureada, alguém com mérito? rs*_*

como diria Daniela Mercury, O Canto da Cidade

são exatas 2:58 da manhã e estou ouvindo o canto de um passarinho na rua ja fazia um tempo,mas agora ouvi quatro notas diferentes, parecem outros pássaros (outras espécies), que delicia, pássaros se reunindo na madrugada, obrigada!^^

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Omi ni mi


Como soa a água
Ao ouvir-te quando vêm
Tão aprazível


Como sente ao toque a água
Ao ouríves quando vêm
Tão precioso

O azul, o verde e o vermelho

http://www.youtube.com/watch?v=1tzLYcW_uws

Estava na água translúcida de uma baía misteriosa
Eu e minha companheira, uma serpente azul
Nós nos ensinavamos a dançar

Estava na água cristalina de uma familiar baía
Eu e minha companheira, uma tartaruga olivada
Nós nos ensinavamos a brigar

Estava na água enevoada desta mesma baía
Eu sozinha à companhia procurar
E um lindo veado vermelho veio nadando em minha direção

Eu era pequenina diante de sua grandeza
Ele saíra detrás daquela imensa e quadrangular rocha negra no lugar de um negro peixe
Onde agora é deserto, noutrora mar

Estavamos nós ali onde a espécie de nevoeiro subaquático começava a dissipar-se
E eu recuei, encantada
Seu olhar

Mesmérico, feito o da serpente
Como o da tartaruga, condolente
Como cervo, de avançar

Ele evoluiu até mim
Para por completo encontrar
Na mutabilidade do constante lugar

Na limosa pedreira deste grande mar
Tão misterioso
Tão familiar

Na recreação da dança
No fortalecimento da batalha
Na completude do amar


domingo, 22 de janeiro de 2012

Retificando postagem

Acabo de constatar que o texto em Iorúba na seguinte postagem Link: Adura fun Logun, trata-se de um Oriki, e consta na obra de Síkírù Sàlámì entitulada Cânticos dos Orixás na África.

Tradução que consta na obra supracitada:

Ó Logunedé!
Guerreiro entre os orixás
Lidera quando os orixás guerreiam
Ologun ede oporilika
Oh, Logun, salva-me!
Logun, que passa despercebido como um leopardo
Oh, Logun, salva-me!
O salvador que em maus dias nos protege
Pai, você que surge como um leopardo, salva-me!
Pai, que em maus dias nos salva
Nas batalhas sangrentas
Ele andou vigorosamente para dentro da feira
Que em maus dias nos salve!
Que nos olhe cara-a-cara!
Dirige-se ao rio que cruza a horta
Aquele que usa sua adaga para queimar a mata
Meu pai, de corpo liso como o bambu
Mostra a pele que desejar
Se mostrar pele clara hoje
Amanhã mostrará pele escura
Oh, Logun, Salva-me!

OLD BUT GOLD

http://www.youtube.com/watch?v=QGJhFhJFEcU

We are the stars which sing/ Nós somos as estrelas cantantes
We sing with our light;/ Cantamos com nossa luminosidade
We are the birds of fire,/ Somos os pássaros flamejantes
We fly over the sky./ Voamos sobre o céu
Our light is a voice;/ Nossa luminosidade é uma voz
We make a road for the spirit to pass over/ Nós fazemos um caminho através do qual o espírito possa passar
(algonquian indian/canto indigena americano Algonquiano ao fundo)

We are like the wind,/ Nós somos como o vento
Wrapped, in luminous wings,/ Elvotos, em asas irridescentes
We make a road for the spirits to pass over./ Nós fazemos um caminho através do qual o espírito possa passar
For the Spirits to pass over./ Através do qual o espírito possa passar

(vodun invocation-haiti/ invocação Vodun, Haitiana)
Outo, ba mwen son ou,e,
Outo, ba mwen son ou,e,
Tanbouye, o ba mwen son ou,
(Soley leve.
Outo, give me your sound,/ Uto, conceda-me o seu som
Outo, give me your sound,/ Uto, conceda-me o seu som
Drummer, give me your sound,/ Tamboreiro, conceda-me seu som
The sun rises./ O sol nasce. )


Link

O Kan O (Somente Ele)

O kan kón mi
O único que me faz plena

O kan kónsa de ibu omi
Que alcança vindo da profundeza da água

A kan o emi kónrin more mi wá
A ti eu louvo em agradecimento por minha existência

Tafa-tafa Ki n'awa
Arqueiro Quem precedeu-nos

Mó o re to de ayó
Conhecer-te é o bastante para alcançar a felicidade

Jówó mi ló o mó
Permita-me vir a conhecê-lo
(-Laura)

Folh' à Farfalhar

Trilha (não achei o video só com a musica), link:
Shiva in exile - shaman fever Ele é atrativo até mesmo para as bestas mais reclusas no recôndito da floresta
Em seu redor reúnem-se, em paz, o feroz e o arredio
Ambos, predador e presa, em seu redor reúnem-se

Como uma grande árvore ele é muito robusto
Muito paciente
Muito generoso

Como um recém nascido ele sai do útero da floresta tingido de vermelho
E como lâmina escura e brilhante ele volta de seu banho pronto para dividir o alimento
Feito farta refeição não há quem dele se queixe

~*~

Satisfeito ele entra em sua casa
Na beira do ermo
E lá ratifica seus mistérios

Sua cabeça é pelada
Exceto por uma trança que mantém do lado esquerdo
Guardiã de seus segredos

Seu corpo nu
Salvo pela entreaberta cobertura de folhagem desfiada
Cuja ultrapassagem somente a mais afoita é convidada

Em mãos um ramalhete
Ora de flechas, vez por outra de feixes
Nem suas noivas podem adivinhar

Ele atira
Ele colhe
Seja na mata ou na fazenda sua parte sempre recolhe

Sua mãe o delegou ao posto de mais cara confiança
Às suas esposas é legada fama de maior exuberância
Ele é belo até atroz

sábado, 21 de janeiro de 2012

Adura fun Logun

Uma Adura fun Logunedé que encontrei na net.

E seguimos na busca por conhecimento oriundo da fonte para conhecer melhor nosso Orixá!

(OBS.: clique AQUI para a tradução do original feita por Sikiru Salami)
Ológún - ede!

Jagunjagun ninú òrisá,
A síwájú ogun ninú òrisá,
Ológún - ede oporilíka,
Ológún gbà mi o,
Ológún a yan fírán bí ekùn,
Lógún gba mí o,
Ogbágbá, tií ngba ní lójó tó burú,
Baba gbá mi, ayan firán bí ekún,
Baba gbá ní l'ójó tó burú,
Opopo lepon,
O mi rinrin woja,
A gba ní, ní ojó tó burú,
Korokoró wo o,
Eleró - odó oko,
Afenu agada jowere papa,
O fenu agada re jowere papa,
BáBá mi ní a fí ará jòlò, bí igí pàkó,
Eyí báwùn ló nyí,
Bi á bá yí funfun lóni,
A yí dudú lolá,
Ologún gba mi o!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Oroboro, quatro sentinelas em círculo

vÍbora ovivÍpara omniÍvora hominÍ-dea

voraZ-Zarov

Édí fé (O poder mágico ou O laço do amor) - Odu Odi


Para quem tem sede
Mais vale um pequenino regato com uma fonte subterranea
Que uma imensa corredeira provocada pela enxurrada

Constância!
Este mundo é constante
Aqui onde nada se cria, nada se perde e tudo se transforma
Reinam a dinâmica e o acidente

O amor é a corda que assegura continuidade
Após qualquer acidente
Mesmo os que resultam em morte, e isso é mistério

A beleza é a constância na vermilhidão da cauda do papagaio-do-congo
O amor é o cuidado com que o papagaio as cuida
Por isso a seu esplendor não há humidade que ameace

A noiva pode vestir uma corôa com quatrocentas e uma penas da cauda do papagaio-do-congo
Duas vezes o numero da eternidade mais um
Mesmo assim mais valiosa é aquela que honra seus votos matrimoniais

Não importa se a coroa tenha apenas uma pena
Desde que a lembrança de seu rubor dure por toda eternidade
De nada vale uma coroa com 401 penas de odidé cujo lustre não é permanente

A impermanencia nas folhas dos arbustos pode ser um sinal de renovação
Mas na coroa de uma noiva sinaliza apenas desonra
E nisso não há mistério algum

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Onjé Logunedé ati Ilé Yorúba (Comidas de Logun em Solo Iorúba)

igbin (caracol);
ejá (peixe);
eran odé (caça);
obi (noz de cola);
emu (vinho de palma);
shékété (cerveja de milho);
iyan (inhame pilado);
óóle/olele/moyin-moyin (bolinho de feijão descascado e amassado, temperado com vegetais, ovos, carne e especiarias, cozido no vapor comidos em temperatura ambiente);
oka/amálá (bolinho de farinha de inhame posto rapidamente em água fervente e depois também rapidamente no fogo);
eba (como amala mas feito com farinha de mandioca);
agbado (milho);
ere (feijão);
éyin (ovo);
awon egbó (raízes);
akukó (galo);
étu (galinha d'angola);
etu (pequeno cabrito);
atare (pimenta da costa);
omi tutu (água fresca);
oyin (mel);
awon eso (frutas);
awon ewe oko (legumes).


(Extraído e adaptado de: Anais do IV Congresso Afro-Brasileiro, Recife, abril, 1994: Sincretismo religioso : o ritual afro, de João Hélio Mendonça e Fátima Quintas.)

Da le (Construtividade)

Logun da le
Logun constrói

O shinsé daradara
Ele anda belamente

O kólékó mi shinsé daradara
Ele me ensina a andar belamente

Li fó eiye
No vôo da ave

L'iwarere ara
Na bondade das pessoas

O kólékó emi gbámó l'ayó
Ele ensina e eu aprendo feliz

Mo dupé Baba mi Logunedé!!!
Obrigada meu Pai Logunedé !!!

Mo dupé gbogbo!
Obrigada a tudo e todos!^^
(-Laura)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Túnica de Caçador Iorúba, Ekiti, Nigéria, séc XX


Verger, Notas, Oshun, Logun, Ilesha

Aji putu ola
Desperta e age como alguém importante

O oye gbe wasun si
Ela tem um título e é itinerante

Ele ehinkunle awa de wure
Ela tem um pátio interior onde vamos receber suas bençãos

Yeye mi o wa yanrin wa yanrin
Minha mãe que cavouca a areia (para esconder ou acessar sua fortuna)

Olo omo li ikun bi idin
Ela tem filhos no ventre, numerosos como iscas de pescar

Alade obinrin sowon
É raro haver uma mulher coroada

O wo ririn legan
Ela caminha com postura altiva

Afinju fi owo shire
Ela é elegante e tem dinheiro para divertir-se

Obinrin gba onã okunrin nsa
Se a mulher está no caminho, o homem foge

Alabé timo nsa si
Dona da faca, refugio-me junto a ti

Élényi ti mo npamo si
Tu és alguém junto a quem me refugio

Alagbala ajé nye si
Proprietária do pátio interior onde o feiticeiro (coruja) põe seus ovos

O pa ajé o se ajé
Ela mata o feiticeiro e o manda cozinhar

O fi éyin ajé se omonuku
Ela manda coozinhar o feijão com os ovos do feiticeiro

Yeye Ologun Édé obinrin pépé bi éni she ósu
Mãe de Logun Édé, mulher trivial como alguém que prepara o legume osu

O de bé ki oran ro
Ela chega e a perturbação se acalma

A se wo la ko jé igbese
Ela manda preparar a sopa de quiabo e não fica endividada

Ologunédé o gbe éru ko se ayo
Ologun Édé, aquele que tem medo não pode tornar-se uma pessoa importante

Uníssono da Coletiva Voz Selvagem

Algumas coisas são fáceis de empreender
Se minha intenção fosse ser um caçador de ratos
Eu jamais me camuflaria sob a forma de uma coruja

Algumas coisas são fáceis de empreender
Se minha intenção fosse ser um caçador de peixes
Então a forma de uma cegonha não seria boa camuflagem para mim

Mas durante o tempo de minha pueridade
Caçando ratos no bosque e peixes no riacho eu aprendi
Devolver-lhes à liberdade era o mais justo ali

Crescendo eu desejei buscar presas à altura da minha sede
Pois leão delicia-se ao derrubar o búfalo no bosquedo
E o leopardo ao abater o antílope na estepe

Eu enxerguei a profundeza ressonante da floresta
E a vi como a arena perfeita de minhas batalhas pela vida
Pelo viver

A atmosfera variante eu amei
E combati
No leito vertical da vigília noturna

Ao terreno inconstante me apeguei
E deixei
Na horizontal fronteira de fortificação sob as águas do dia

Em alerta para o espetáculo à parte da descoberta
Eu me descobri
Um caçador de predadores eu me revelei

Arma, isca e armadilha
Corpo, alma e mente erguida
A atratividade devorante que os Homens apreciam quando vêem o sangue derramado

Eu me tornei
E tingido de vermelho me irreconheci
Re-conheci-me

Bem no íntimo da floresta que eu penetrei
Vozes penetraram meus ouvidos
E visões assaltaram meus olhos

Feito ave me encontrei
Nos topos das árvores
No meio dos rios

Feito ave chorei
Gritei
Chamei

E o silêncio do vento fora das folhagens me respondeu
E o silencio da água fora do vento me respondeu
O encantamente de profunda fortitude

Feito ave eu me vi habitante de todo canto
E de nenhum lugar
Vi-me imbatível às feras com quem almejava numa dança matar

Um bailado elegante
Tal qual suas passadas majestosas
Inabaláveis

E se feito ave voei, parti, cheguei
Foi porque feito ave vi, ouvi, gritei
Feito ave venci

Encantei!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

Verger, Notas, Logun Edé, Bahia, Brasil

Em 'Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns', Verger traz duas seções, uma de louvor e outra de oração à Logun Edé colhidas na Bahia e para as quais não consta tradução.

É grande a valiosidade desses textos pois, como muitos autores atestam, os exemplares da diáspora datam pelo menos do tempo em que o tráfego e tráfico de escravos negros estava ativo. Diferentemente do que ocorre na terra nativa onde a cultura é mais fluída, na diáspora ela tende a se cristalizar de modo a constituir uma visão estática (como uma gravação) da memória de um tempo específico pré-escravidão que os seus perpetuadores almejavam preservar. Deste modo eles (a depender do contexto e das adaptações) constituem um registro realmente antigo da cultura.

Abaixo está minha tradução das linhas em itálico e o original em negrito, entre parenteses e na cor verde as frases que reconstruí a partir dos termos do original que julgo serem contrações. No fim das contas é coeso, belo, e por conseguinte enriquecedor! Ao ler as duas ultimas sentenças da segunda oração não pude deixar de pensar em Oshetura, emfim.

(Obs.: Utilizei trema pra substituir o ponto embaixo das letras vogais e no caso da letra 's' substituí o ponto por 'sh', , mesmo que geralmente nos posts daqui do blog transcrevo substituíndo pelos valores foéticos da língua portuguesa mesmo, exceto este porque manter o padrão Iorúba me guiou na tradução).


Cantigas:

1-Iyakö shërë


Shërërë aköfa


Njo njo njo Logun o
Dançando dançando dançando ele é Logun


2-Oni pa rojo bodo laiye
Hoje bate a chuva no mundo

Ödë mu tetede
O caçador se molha primeiro

Ë mu tetede
Ele se molha primeiro

Ödë mu yanyan
O caçador se molha depressa

Ëlë mu tetede



3-Ödë përë oko roko
Caçador prontamente cava o campo com a enxada

Ödë përë o alaba lerio
Caçador prontamente ajuda carregar o fardo


4-Faran logun faran logun
Apareça (fara han) Logun apareça Logun

E logun ele boke
O guerreiro grita com força

E e e e e

Logun ele boke
Logun grita com força


5-Taniko delonan
Parente do construtor (tan iko) que vem no caminho

Taniko delonan orolo

Taniko delonan
Parente do construtor que vem no caminho

Arigango oke aya orolo
Ele atinge o topo da montanha (ari gongo-oke), (...)


Orações:

1-Logun ëdë oke kanan niju
Guerreiro robusto chegou (oke ki ana) da empreitada pelos lugares inabitados

Ikoro ikoro o ajao oba onika Ajao banika


Ödë olubo oneriko



2-Omi o n ba ja biri


Oloro so bege
O rico/influente/poderoso aceitou comer (sé ó gbèje)

Aluloro shoka ma kuru juba


Lodo oshoka rodömö oshiwo

Niyeye logun sha o fara adale
A mãe de logun escolheu-o para ser seu acumulador

Ka ye shi agboyu kiloga

sábado, 14 de janeiro de 2012

An-Dança

Cada passada
Vêm, aproxima
Ele está aqui

No vazio qual não rufa o coração
Ritmo que não se pode compassar
Impulso que não se pode controlar

Ele quase se diverte
No jogo da perseguição
Com seu método indomado

Há graciosidade
Diria qualquer um
No passar do homem-leopardo

Negativo de uma foto-coreografia
A fera é negra
E de douradas pintas

A forma é robusta
Mas sutil é a substância
Negrume de nebuloso céu e esplendor de relampejante temperança

Uma massa só
De espelhada surpresa
Justificando a capciosidade com que envolve a presa

Um espetáculo à parte da própria emocionante paisagem
Seu frescor acalenta o dia com noite
Sombra de incapturável mote

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Itan - The Beautiful Girl and The Fish

(Extaído da obra de Abayomi Fuja: Fourteen Hundred Cowries, and Other African Tales, Oxford 1962)

In the far-off days when there was great magic everywhere, there lived a beautiful girl. Many young man of her town wished to marry her, but she had refused all offers, saying that her husband must be the most handsome man in all the land. One day, as she was busy in the marketplace, she saw a very handsome man and immediately fell in love with him. Going up to him, she told him how attracted she was by his looks, and that she wished to become his wife.

"I should very much like to have you as my wife, but unfortunately I am not a man, and am not of your people, for I come from the river at Idunmaibo. You see, I am a fish, and when I am not living in the water, the gods have given me the power to turn myself into a young man, but my home is the river and to the river I must return," replied the stranger.

"It matters not," replied the girl. "You may be fish or man, but I still love you. If you promise to come forth from the water from time to time, and see me as you are now, I will gladly marry you."

"So be it then," replied the fish-man, and he led the girl to Idunmaibo and they went to a certain place on the riverbank. "Here is my home," said the fish-man. "Whenever you want me, come to this place and sing the magic song I will teach you." Then the young fish-man sang:

O beautiful fish of the river,

May I look through the flowing waters?

Through the surface of the river I will see you.

O Lovely River that looks like silver and gems

With palace beneath, more lovely

Than the palace of kings of men.

Then the fish-man plunged into the water and was lost from sight. Every day the girl prepared some sweetmeats for her lover and taking them to Idunmaibo, she sang the magic song and the fish came to the surface. He changed into a man, climbed the bank and spent some time with his wife. He used to bring with him coral and many gems from the river and supply her with all she needed. They were very happy together and loved each other very much.

One day, the girl’s parents asked her if there was anybody she wished to marry. She replied that she had a husband, but that she could not disclose his identity at present. They were very puzzled with this answer and watched her as she prepared her husband’s food and carried it away. Her small brother had asked her several times if he could accompany her and carry the food, but she told him she must go alone and nobody must follow her. This answer only aroused the boy’s curiosity, and he made up his mind to follow her and see where she went and what she did with the food. By means of magic, he turned himself into a fly and followed his sister to Idunmaibo and the banks of the river.

Here he heard her sing the magic song and sow the fish come out of the river and turn into a man. And so he learned the words of the magic song. When they had eaten their food, the fish-man said good-bye to his wife and jumped back into the water. The little boy then flew home, and changing into a boy, he went straight to his parents and told them what he had witnessed, and that his sister had married a fish.

The girl’s father and mother were very angry when they heard the boy’s story. But they decided not to say anything about the matter to their daughter on her return. Instead it was arranged that she should be sent to her father’s people for a couple of days while they decided what to do. So the girl was sent away, much to her grief, for her father’s people dwelled far away and she would not be able to visit her husband during her absence.

When the girl had departed, her father told the boy to lead him to Idunmaibo and sing the magic song on the riverbank. When they reached the spot, the boy, imitating his sister’s voice, sang the song and the fish came out of the water. The father was waiting close by and as the fish man climbed the bank the father killed him with his hatchet and threw him into the water. As the fish- man died he turned back slowly into a fish.

"I will punish my daughter for this wicked deed," shouted the father and he ordered his son to pull out the dead fish and carry it home. The fish was then dried and kept for the girl’s return. Two days later she returned, happy to be back close to the river and her husband again. She was anxious to leave her father’s compound and visit the river, only her father ordered her to sit down and eat some food before she left.

"Your mother has prepared some fish for you," he said.

"I am not hungry, Father, and I do not wish to eat fish," the girl replied.

"You will do as I order you, girl. Sit down and eat," said her father.

So the girl sat down with a sigh and ate the fish. As she ate, she was started to hear her small brother singing softly to himself. Before he had finished the words of his song, the bowl of food had dropped from the girl’s hands and she sat quietly staring in front of her. The boy repeated his song:

How wretched it is for women to eat their husband’s flesh,

When they have taken their husbands as their most beloved,

For during their absence their husbands have been taken out

As a fine fish from the river for the family’s food.

The girl, on hearing this terrible song, ran out of her father’s compound and going quickly to the riverbank, she sang the magic song, but her husband did not come.

Then the girl sang:

Oluweri, Oluweri, Goddess of the River,

I have now returned with eyes of silver and hair like stairs.

Oh, if it be that my husband is dead,

Let the face of the river run blood red,

Or if my husband yet lives, let him come to the surface,

There he will behold his loved one they sent cruelly away.

At this instant, the surface of the water turned blood red and the girl knew then that her parents had killed her husband. She jumped into the river, and instead of being drowned, she sank down into the river waters and became an onijegi. And people say that even today an onijegi can sometimes be heard singing softly at Idunmaibo.

Direcionando o Arco (asc. Sag, e omo Logun)


Percebi
A intensa profundidade ressonante que eu busquei no mundo e nas pessoas dele
Encontro em Ti, minha origem
No ninho do redemoinho
Quatro níveis abaixo do chão
Onde uma pérola de mim sacrifiquei
Quando no anseio do percurso relembrei
Que na profundeza do lado de lá te amei
E te amar é profundo
Como profundeza alguma em homem nenhum
E te chamar é ter certeza de encontroo
Como conversa alguma em língua qualquer
E mirar-te é explosão de estética incatalogável
Meu saudoso azul
De dourada cintilância
Estás aqui
Onde quer que eu seja

anos passam, mas e

Essa saudade que não vai embora
Hein

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Poesia de Nei Lopes

BRECHTIANA
(Em memória de Abdias)


Primeiro,
Usurparam a matemática
A medicina, a arquitetura
A filosofia, a religiosidade, a arte
Dizendo tê-las criado
À sua imagem e semelhança.

Depois,
Separaram faraós e pirâmides
Do contexto africano -
Pois africanos não seriam capazes
De tanta inventiva e tanto avanço.

Não satisfeitos, disseram
Que nossos ancestrais tinham vindo de longe
De uma Ásia estranha
Para invadir a África
Desalojar os autóctones
Bosquímanos e hotentotes.
E escreveram a História ao seu modo.
Chamando nações de "tribos"
Reis de "régulos"
Línguas de "dialetos".

Aí,
Lançaram a culpa da escravidão
Na ambição das próprias vítimas
E debitaram o racismo
Na nossa pobre conta.

Então,
Reservaram para nós
Os lugares mais sórdidos
As ocupações mais degradantes
Os papéis mais sujos
E nos disseram:
- Riam! Dancem! Toquem!
Cantem! Corram! Joguem!

E nós rimos, dançamos, tocamos
Cantamos, corremos, jogamos.

Agora, chega!

(Nei Lopes)

Adura ati Inú

Ologbo, Owiwi, Ejó
Gato, coruja, cobra

Gbogbo ijé nbó iye ,egun ati irun
Todos que comem o alimento com penas, ossos e pêlos

Inu o ebi ibajé
Seus estômagos regurgitam o mal

Akoshéba emi jé ibajé
Se por ventura eu ingerir o mal

Inú mi, ma fafon o
Interior meu, não o absorva


Ashé ashé ashé
(-Laura)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Adura Omi

Omi de kó iya mi
A água que vêm não me molesta

Omi de iro ara mi
Mas beneficia-me

Omi de mi idi nibu orun
Ela origina-se na profundeza do além

Omi de ogún ópó
É medicina abundante-suficiente

Ashé
(-Laura)

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-