segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tradução das sentenças em Iorúba

Versos presentes nesta Itan: http://elaquecaminhasobreomar.blogspot.com/2012/02/itan-ode-bahia.html

Ogum canta para chamar Igbo:
Fara han rere firi igi igbo
Apareça bem (aqui) na grandiosa árvore da floresta

A firi igi igbo fara han
Grandemente a árvore da floresta aparece

Rere koke omorode
Bem alta caçador


Ogum canta para ir procurar Igbo:
Ogun nikoto bo wale
Ogun ao voltar para casa

Maríwo laore
É agraciado com folhas de dendezeiro desfiadas

Akoro nikoto bowale
Akoro ao retornar

Mariwo laore
Será agraciado com folhas de dendezeiro desfiadas


Ogum canta para acompanhar Igbo:
Awa gbogbo ni togan o
Nós todos corajosamente

Nle tona nilagbede
Perseguingo (a caça) pelo caminho conhecido

Awin siba omorode
Bem reputado pelos caçadores

Ogun Akore se
Feito por Ogun Akoro

Oun gbogbo ko ro rire
Eles todos conhecem o percurso muito bem

Mariwo o bode o bode
Folhas de dendezeiro desfiadas perfazem-no (o caminho)

Maríwo obode Ogun e
Folhas (...) como as que vestem Ogun

Mariwo o bode o bode
Folhas de dendezeiro desfiadas perfazem-no

Tambor de Fenda e Bastão Eshu (Iorúba)

O estilo do cabelo chama-se aasho oluodé (tambor, imagem à direita) e é usado por guerreiros e caçadores, consiste em uma mecha de cabelo que é mantida no centro da cabeça e o restante inteiramente raspado, na qual medicina é infundida para beneficiar física e espiritualmente. Normalmente esta mecha é trançada de modo a acomodar-se do lado esquerdo da cabeça. Para acomodá-la alguns utilizam uma capa chamada adiro (bastão, img à esquerda), que também serve para conter amuletos e medicina.

Olowa (Sacerdote), Ijebu-Ode - Nigéria 1982

Vestindo uma ashó alona, "a roupa artística", assim nomeada pela riqueza e complexidade dos padrões tecidos. As roupas de tecidos oriundos de Ijebu foram amplamente comercializadas no Delta do Níger. Os tecidos Ijebu chegaram ao Brasil após os Portugueses estabelecerem relações comerciais com os Ijebu no final do século XV, são os famosos "Panos da Costa".

domingo, 26 de fevereiro de 2012

(Alta Definição) Mapa das Terras Iorúba

Pros estudiosos de plantão rs (Clique e arraste pra barra de endereço pra ampliar)

Música Tradicional de Canoeiros (Iorúba)

LIIIIIIIIIIINDO VÍDEOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!: http://www.youtube.com/watch?v=au7MoWWog9E

Cortejo (Originalmente parte de PRAXIS, por mim sob o pseudonimo Ambidestra)

(Praxis (2009) pode ser lido nesse PDF criado por David Hex, Autor do blog Ophidicus Natura: Link PDF)

Sobre o mar eu chamo os ventos para me encontrar
Com potencia, violação e tormento
Na direção rodopiante das estrelas a queimar
Atentem à sedução de meu alento
Noroeste: Cruze aqui, cruze lá
Adentra humildemente para triunfar
Norte: Danço aqui, danço lá
Cavalgam suas patas para me encontrar
Nordeste: Cruze aqui, cruze lá
Concede livremente para renovar
Leste: Danço aqui, danço lá
Crina esvoaçante para minha astucia trançar
Sudeste: Cruze aqui, cruze lá
Alimenta atentamente para fortificar
Sul: Danço aqui, danço lá
Libido flamejante para meu intento consumar
Sudoeste: Cruze aqui, cruze lá
Encontra secretamente para deleitar
Oeste: Danço aqui, danço lá
Lombo cortante para o véu da noite sangrar
Eu no meio sou a desejada de tudo o que me cerca
Ó tudo que me cerca, PAN
Ó deus de tudo, tudo de deus

Eu no meio sou erigida e fixa
O poço que dá lava a quem tem sede
A sede que inflama a quem não me dá

Irresistível eu sou
Aquela que trabalha a maldade
E que ainda assim é esplendorosa como a Companhia do Céu

Intoxicante, sufocante, excedente
Excitante, mirabolante, complacente
Conhecida pela ira que minha lucidez desconhece, e que meu rastro proclama

Seja o meu chamado feito rédeas douradas no pescoço viril da negritude do cavalo
celestial
Seja a minha boca feita a cobertura índigo que chafurde sobre as coisas venenosas da
terra
Eu sou a filha do céu incestuoso que testemunhou o alvorecer da vergonha na face do
cavalo encantado, montaria da realeza da mais antiga linhagem

O cavalo aleijado, a serpente que me circunda
O cavalo aleijado, a serpente que me ensina
O cavalo aleijado, a serpente que me justifica

Eu amarrarei os perímetros da fuga do seu amor desesperado, no recinto de um
banquete
E liberarei a virtude do nosso sonho, no recinto de um leito
Eu enumerarei os melindres da tua fraqueza, no recinto de uma fortificação

Glossolalia: Alaluari namuruar, kalunuari faluruar
Kabaluari saluriar, ananuari filoriar
Satanuani faluriar, nalanuari lanuriar

O Segredo do Mercado II

Parte I: Link

Quando o dia nasce
Apressa-se o segredo

Ocultar-se-á na sombra sobre o trono inocupável
De madeira imaculável

No Reino Vivo, em seu vivo palácio de pilastras e arcos que de sementes projetaram-se
De côrte iletrada e incorrigível

Saudosismo inexprimível
Beleza inenarrável

Assim é a morada de meu Pai-Secreto
Seu nome sussurrado entre a miríade de folhagens e camadas de solo

O arqueiro é ele mesmo uma flecha que o arco lunar, quando mingua, atira certeiro rumo ao mistério das noites-sem-lua
Foge ao avanço da aurora e refugia-se na escuridão profunda que o dia não atinge

Entre os alvos lençóis que ocultam a transformação da aranha em gente
É visão daquele que passa o portal

Num sacrário no topo do batente, o homem-preto não tem a boca vermelha porque sangra
Mas por que sua fome faz sangrar o alimento

E em seus braços a pálida esposa-desfalecida não tem os cabelos vermelhos porque o sol queimara
Mas porque sua cabeça é encimada pela voracidade de seu amado

Segue apressadamente quem passa pelo portal
Por galerias e cânions de osso que, não fosse a lavagem resultante da umidade noturna, contariam a rubra história de carne-oficina que o dia proclama não, declara não

Urhobo (26/02/2012)

Único é o tronco
De trípla moradia

Três ocos na árvore magistral perfazem
A magnanima estrutura onde a ancestralidade genial-lógica ascende, descende

Se há três dias subiu na árvore um rato
Ontem desceu um morcego

De baixo acima, de cima abaixo
Quem denunciará Hoje o residente poder transformador da planta?

Este, certamente não o conhece
O coração dos corações profundamente incrustrado na majestade do Mundo

É a jóia não-vivente e não-mortal que, se afligida
Mata o agressor

Ashé

Arvore dos Caçadores de Macaco - Nigéria

Legba Vodunci - Benin

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Exaustaa, uma musiquinha pra começar o Sábado (Chill in rs)

Irunmale (Yoruba: Iluminado)
Buddha (Sanskrito: Desperto/Iluminado)


http://www.youtube.com/watch?v=oYQwHa3FytM

Letra

All Buddhas of the past, present and future
Buddha of compassion
Please hear my anguished words of truth
Karma, in an ocean of joy
They are drunk with demonic delusions
What is right and what is wrong?
What is right and what is wrong?
Bodhisattvas, an ocean of measureless qualities
Let the might of your compassion rise to bring a quick end,
to the flowing stream of the blood and tears.
Buddha of compassion
What is right and what is wrong?
In an ocean of joy
What is right and what is wrong?
Our most cherished and long felt desire
Karma
Karma
Buddha of compassion
Please hear my anguished words of truth

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Prazeres


As luminárias celestiais rodopiam e o caleidoscópio de luminosidades dança no quase-escuro
Le bateau, le bateau, exclama sussurrante até que inverta seu domínio de navegante sobre o mar

Oito sentidos, emblemática do infinito
Ancrer le bateau, ancrer, diz querendo o contrário o navegante aos oceanos à volta, em revolta

Desce e num só fôlego despe-se de toda humanidade tenramente incutida
Je sui mer, Je sui, proclama na rendição que os ribeirinhos ousam não, ousam não!

Acaso a erupção vulcânica evita encontrar o mar?
Ou as ondas evitam a encosta por onde desce a lava?

A paixão, in natura, é eterna e produz eternidade
Não é a rocha o resultado do amoroso abraço entre quente e frio?

O mar e o vulcão, ativos e transbordantes
Não se confrontam, amam-se

Não como no tolíssimo amor romântico dos humanos
Onde é preciso um fraco e passivo ser salvo ou subjulgado por outro igualmente fraco, mas ativo

Se eu tivesse explicado o mundo teriamos uma paisagem de montanhas elevando-se da terra e precipitando-se do céu à terra
Como as estalactites e estalagmites nas galerias subterrâneas onde aprendi meu evangélho

E entre essas forças todas os astros no meio
Os sóis no meio

Opor-se-iam não, nesta visão
Denso céu e densa terra, densa carne e denso espírito

Tudo copulando entre si
Não como na dualística visão afunilada dos homens

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Apéré

Lekeleke ati óni ye iwa ókanna ni-béna ko si ni-béru
A garça e o crocodilo vivem dividindo um um mesmo lugar sem ter medo

Iléké la dabi ewón fun oni íwa éru jéjé enia bururu
O colar-de-contas é (valioso-forte) como uma corrente para seu dono e cria um enorme medo nas pessoas más
(-Laura)



Nesta composição a relação entre as duas sentenças é fonética, da sonoridade semelhante das palavras. Não tanto, ou não necessariamente relacionam-se por seu significado.

Assim, a lógica ou a realidade apresentada na primeira frase tem a conotação de "tão certo quanto..." (a garça e o crocodilo convivem no mesmo rio), validando a afirmativa da seguinte "o colar-de-orixá é poderoso a ponto de impedir que a maldade atinja seu portador".

Relação fonética dos termos:
lekeleke/iléké (garça/colar);
óni/oni (crocodilo/dono);
ni bena/enia (mesmo lugar/pessoa).

E assim por diante.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Caçada Persistente, ou Caçada de Persistência

Algumas das mais belas e impressionantes cenas que já vi em minha vida.

Técnica de caça empregada pelo povo Khoi-San (falamos deles aqui: LINK), do Deserto do Kalahari. Os cientistas acreditam que é a forma como a humanidade caçava antes de fabricar ferramentas.

A capacidade de suportar o calor é maior no ser humano, devido a este transpirar mais eficazmente que o antílope. Dessa forma, mesmo o antílope correndo mais rápido ele não pode correr por um longo período de tempo pois a sua temperatura corporal sobe a tal ponto em que o mesmo entra em colapso e cai no chão, o uso de ferramenta cortante é dispensável.

O caçador as vezes perde o animal de vista e segue suas pegadas, quando o animal corre por um relevo onde seguir as pegadas não é possível o caçador utiliza de uma técnica onde utiliza estado alterado de consciência para escolher a direção a seguir, até o grande final quando ele abate o animal, cobre-o com um pouco de areia como um sinal de respeito e unta seus joelhos com a saliva do mesmo para absorver sua potência. Emocionante, uma luta-dança visceral.

Vídeo da BBC que captura esses momentos incríveis: http://www.youtube.com/watch?v=826HMLoiE_o
MEU ASCENDENTE SAGITARIANO ORDENA ESSA MUSICA RS

http://www.youtube.com/watch?v=e5vu8tX8ueo


BOA SEMANA PESSOAAAAAS!!!

MWAZZLink

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Patrimônio Pétreo da Matrona

Sou abiyan de conta lavada
Não mais
Nem menos


Aqui em casa tem um seixo que era da minha bisavó materna (única da família que, minha vó diz, sabe-se que era de Candomblé, e que um jogo confirmou). Antes de morrer minha bisavó estava muito doente e, segundo reza minha vó, ela se converteu ao cristianismo. Mas é estranho porque minha vó diz que alguns pertences dela que estavam aqui (roupas e ilekes) ela ordenou um dos filhos dar um determinado fim, e não jogar no lixo como eu acho que alguém convertido faria. O mais óbvio é que ela, doente, tenha sido privada pela minha vó até de receber visitas dos membros da egbé dela, conhecendo minha vó como conheço, e minha vó mesma a tenha levado à igreja. O porque desse seixo ter ficado aqui até hoje ninguém explica, racionalmente falando.

De um ano pra cá mais ou menos andei desconfiando que poderia tratar-se de um okuta. Desse tempo comentei sobre ela com uma amiga minha (que é iyawo de Oshaguiã), ela me acha meio "culta demais com assuntos de fé", rs, e não levava a sério a possibilidade dessa pedra ser algo importante no contexto do Santo e tal. Quando ela veio aqui em casa uma vez eu mostrei e ela disse veementemente "É um okuta isso, Laura!".

Enfim, mas não sou de me entusiasmar com nada que eu não intua, rs. Enfim.

Fato é que nesta ultima sexta feira (17-02-20012) sonhei com essa pedra pela primeira vez! No sonho eu dava ela pra uma pessoa guardá-la e depois quando eu pedia de volta a pessoa fingia procurá-la mas dizia não encontrar a mesma. Só que no sonho, do momento que eu recllamava a pedra em diante eu tinha outra perspectiva e meu olhar seguia a pessoa de modo que eu enxergasse a intenção dela em se apoderar da pedra. Não parava por aí, minhas habilidades iam além da "visão voadora". Eu começava a me mover muito agilmente, como uma lutadora, conseguia dar saltos, bem como escalar e me agarrar a lugares altos, e ter força maior que a pessoa que tentava roubar a pedra de mim (era um homem relativamente forte). Eu perseguia ele, recuperava a pedra e denunciava ele no fórum que tem aqui perto, o meu caso era visto como tão grave que as pessoas da fila no fórum me deixavam passar na frente delas, e aí eu finalmente deletava a existencia (a ficha de identidade) desse homem, tudo de forma afoita. Via uma jaguatirica matando um gato e ouvia a frase: "Leopardo que mata o Gato-Preto". O leopardo era a pedra.

Acordei.

Detalhe, eu estava pensando em levar ela pra alguém jogar e ver se era ou não um okuta consagrado.

Carnaval e Etc

Eshu!
Saudações Eshu
Vem ver!

No canal conceituado
Em hora aberta da tevê
Vai dizer pra Egun, vai dizer!

Vá contar a Egun
Que a cultura do negro hoje é bem vista
E toda raça do mundo vem viver

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

*-)

vontade de tomar TUBAINA (tô grávida? kk aloka)

Itan Odé - Bahia

Eis uma lenda sobre Oshosi, tal como me foi narrada na Bahia: Yemoja Ogunte tinha três filhos (era casada com Ogun Alagbede): Esu, Akoro e Igbo. Igbo tinha cabelos encaracolados como os de um carneiro. Como Esu vivia sempre junto a Elegba (existe apenas um Elegba e muitos Esu que são pessoas "encantadas" por Elegba), Akoro trabalhava no campo e Igbo era caçador. Yemoja Ogunte abandonou Esu, que se comportava mal, e expulsou-o de casa. Sobraram, portanto, Akoro e Igbo. Ela foi à casa da Sutira consultar o destino e ali disseram- lhe: "Você tem um filho caçador; se ele caçar durante esta lua, Osanyin o encantará e ele não voltará mais para casa". Yemoja regressa a sua casa e diz a Igbo que não vá caçar no mato. Ele desobedece e parte na companhia de outros caçadores. Um grande pé de Loko era o ponto de encontro dos caçadores, que iam caçar separadamente e, mais tarde, reuniam-se sob essa árvore. No mato, Igbo encontrou-se com Osanyin, que o achou bonito e desejou que ele permanecesse em sua companhia. Preparou o necessário para "encantá-lo" com as folhas e Igbo dormiu enquanto a caçada durou. Já não sabia mais onde estava. Ao despertar, havia-se metamorfoseado em Odee não sabia mais o que acontecia no mundo dos mortais. Quando a caçada terminou, os caçadores encontraram-se debaixo do pé de Loko, mas faltava Igbo. Sopraram em um chifre para que ele voltasse, mas em vão, pois Igbo não vinha.

Faran rere afirígbo

A fírigbo faran

Rere koke omo rode

Ele permaneceu na floresta. Akoro inquietou-se quando os caçadores disseram a Yemoja Ogunte que seu filho não voltara. Yemoja não se queixou, pois sabia o motivo. Akoro ficou impaciente e perdeu a tranquilidade. Queria encontrar seu irmão. Foi à tenda de seu pai e forjou sete instrumentos: picareta, enxadão, enxada, foice, lança, facão e pá. Carregou-os nos ombros e entrou no mato, abrindo passagem e cantando:

Ogun nikoto bowale

Maríwo laore

Akoro nikoto bowale

Mariwo laore

Entrou mato adentro até encontrar seu irmão inteiramente Aranpounpo, coberto de penas (para ir à caça). Pós Igbo em seus ombros e voltou para casa.

Yemoja não quis receber o filho desobediente, que não era mais digno do amor do pai e da mãe. Akoro respondeu: "Se a senhora não quer mais saber de Igbo, também não quererá mais saber de mim, pois não posso viver sem ele. Prefiro me separar de meu pai e de minha mãe e ficar com ele". Akoro cantou:

Awa gbogbo ni togan o

Mle tona nilagbede

Awi siba omorode

Ogun Akore se

On gbogbo ko ro rire

Mariwo o bode o bode

Maríwo obode Ogun e

Mariwo o bode o bode

Akoro foi embora com Ódé, metamorfoseando-se em Ogun. Osanyin, que não conseguia suportar a ausência de Ódé, veio procurá-lo. Ogun opós-se a sua intenção e, no final, os três Orisha firmaram um pacto (todos os três são representados por ferros) . Ogunte, desolada por ter perdido seu filho, atirou-se na água e metamorfoseou-se em Yemoja. Alagbede morreu e é por esse motivo que Ogun Alagbede não desce mais na cabeça das pessoas (apenas os Orisa metamorfoseados o fazem).

(FONTE: Verger, Notas)

Para uma possível tradução dos versos em Iorúba: http://elaquecaminhasobreomar.blogspot.com/2012/02/traducao-das-sentencas-em-ioruba.html

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ere Logunedé e Imagem de St. Expedito























Esses dias comecei a refletir sobre o fato de que a escolha dos Santos Católicos para representar os Santos Iorúba não foi aleatória, e fiquei contemplando uma imagem de São Expedito já que foi dele a imagem escolhida pelos Antigos do Candomblé Bahiano para representar Logun aqui no Brasil naquela época em que tal ato se faza necessário...

São expedito era guerreiro, e em uma mão traz um crucifixo representando a vitória da vida sobre a morte e nesse crucifixo a palavra "Hodie" (significa 'Hoje'), na outra tras uma folha de palmeira simbolizando a vitória da fé sobre o mal. Pisa sobre um corvo, agouro de morte com a palavra "Cras" (significa 'Amanhã), claramente cras é uma onomatopéia do som que os corvos emitem e no contexto do Santo é como disesse "hoje não haverá morte". São expedito é solicitado em casos que demandam agilidade, resultados imediatos e certeiros, urgências.

Me lembrei de uma escultura yoruba de Logunedé que tem no site Ayeakamara (Link), que é essa à esquerda no início da postagem. Muito interessante como a postura das duas imagens correspondem. Interessante também como os atributos de São Expedito correspondem aos de Logun, funcionando como uma didática codificada no passado da escravidão negra que continua a ensinar sobre a identidade dos Deuses para seus fiéis até hoje.

Como Expedito ergue a cruz, Logun ergue a espada, como a palma é fé que vence o mal, a folha é remédio pra todos os males. Se Expedito resolve casos urgentes, não é Logun o dono do arco certeiro e da flecha veloz que abate até o pássaro mágico da feiticeira?
Pra todos Ancestrais Ilustres que resistiram às tentativas de aniquilação de suas Identidades mesmo em meio a imposição ferrenha do Cristianismo, eu digo "MUITO OBRIGADA, AXÉ!" como nesse delicioso Ijexá embalando as vozes de Bethania (amo) e Ivete: http://www.youtube.com/watch?v=S-bEwxtBFBw&feature=player_embedded

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Eu prefiro meninos gays (afe e efetivamente falando rs)



Daniel Carvalho: mais um bom motivo (já tinha postado o Dani Nakamura vencedr do concurso da terceira temporada de moda capricho Link) rs

lindo, gostoso, estiloso, ousado, senso de humor único

meu!!! ele lembra o Bruce primo da Tsu, outro que é meu número rs

Certeirice (Irosun-Ogunda)

Não é louvável o caçador por ter sido gentil
Tampouco o é por ter tido uma vida fácil
Mas ainda assim
Aqueles que louvam o caçador o fazem porque o caçador facilitou suas vidas

Não é famoso o caçador por ter sido misericordioso
Muito menos por promover paz
E assim mesmo
Quem quer que louve o caçador o faz pois ele os defendeu da fome e da guerra

Não era bom arquiteto o caçador
Nem mesmo morou num palácio
Mas é certo
Que os construtores e a realeza espalham sua fama pelo fato de que foi o caçador que abriu a clareira para construir o reino

Não veio do além com delicadeza o caçador
Nem sequer é sabido como ao além retornara
Entretanto é verdade
Se conforto temos é porque somos seus descendentes (Orunrun Kinawa)

~*~

Não era por sua polidez que reconheciamos sua luminosidade
Muito obscuro ele parecia, pra dizer com sinceridade
Mas iluminado ele era por sua inteligência e primazia

Não foi por se vestir como um malê que ele atestava sua divindade
Muito controverso ele parecia, pra dizer sem camuflar
Mas divino ele era por sua sabedoria e resolução

Não tem sido à toa que sua memória perdurará até o amanhã sempre por vir
Muitos se empenharam para que ele fosse esquecido, pra dizer a bem-realidade
Mas eterno ele é por sua própria corrente de força sem igual que somos

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Achado!!!

Não acreditooooo q achei a musica que eu adoroooo, sample em 30 Siècles de Sommeil do Ah-cama Sotz, e em Ethnosphere do Shiva em Exile, e que tmb já vi na novela O Clone!!!

Trata-se de uma música Turca: http://www.youtube.com/watch?v=Dmrdn8DUEbE

Num comentário do mesmo vídeo tem a letra:
Yar yarim, yar yarim Sen ağlama, ıslanır. ahhh... Ben ağlayım ki Belki gönül uslanır, uslanır... Yar gülüm ey eğlen, eğlen, eğlen Belki gönül uslanır oğlum sen bağ ol ki ,ben bahçende, Gül olim. Huma kuşu yüksek Ah layık mıdır yanıp, yanıp kül olim kül olim, Ben kapında kul olim, Koy desinler, Bu da bunun kuludur, kuludur Yar gülüm eğlen, eğlen, eğle..

Maas fica a dica dos sons citados acima que usam esse vocal e são mais legais (risos, minha opinião tá)!

Deleitem-se!

Ésé ati Itan Ódé - Ofun-Ogbe

Ti a ba wi fun ni
ti a ba gbo
Aye a ma a ye ni
Ti a ba wi fun ni
Ti a ba gba
Aye a ma a ye ni
Awi i gbo
Afo igba
Babalawo ode se Ifa fun ode
Ode nre gbo ije, eluju ije
Won ni k’o ru’bo
Ki o le r’ere mu bo
Ki o ma mu oti
Keke-l’oju omo ode Egba
Alabaja l’orun omo ode Esa
Porogun matuyeri omo odu oluweri
Onijaye nre’le ijaye
Orogun ile f’awo mi lo mi
Ase

Quando alguém é advertido sobre o perigo
E esse alguém escuta e aceita o aviso
A vida será fácil e confortável para ele
Negar-se a escutar
Negar-se a seguir o conselho
O babalawo do caçador consultou Ifa para ele
Foi prescrito ao caçador medicina
Quando ele estava indo à floresta rumo a sua costumeira expedição de caça de sete dias
O caçador foi aconselhado a fazer ebo
Para que ele tivesse sucesso em sua expedição
Foi-lhe proibido ingerir alcool
Marcas-tribais-na-face, cidadão de Egba
Marcas-tribais-no-pescoço, cidadão de Esa (Ijesa)
Porogun Matuyeri filha de Oluweri (deusa fluvial)
A cidadã de Ijaye está voltando a Ijaye
A esposa mais velha revelou o segredo de minha verdadeira identidade
Ase

Estava Ódé em ouutra de suas viagens de sete dias de caça, que sempre eram precedidas por uma visita ao seu babalawo. Mas desta vez ele estava apressado e por conta disso não fez o ebó par Eshu. Na floresta ele estava quietamente esperando por um animal para caçar quando avistou três veados (agbonrin/agbanli) de pé perto de uma árvore Irôko. Enquanto mirava-os para uma atirada certeira, ele viu os três veados transformarem-se em três belas mulheres. Perplexo, ele continou a observar. As três mulheres cujos nomes eram Keke-l'oju, Alaabaja-l'orun, e Porogun Matuyeri pegaram três peles de veado e bateram três vezes na árvore Irôko. A cada vez que batiam, pronunciavam, "Osilekun si'lekun" (Porteiro, abra a porta). A árvore abriu e as mulheres colocaram suas três peles em três diferentes compartimentos dentro da árvore e partiram rumo ao mercado.

Ódé aprooximou-se, disse as palavras e pegou as peles escondendo-as no esconderijo do qual ele viu a cena e então partiu rapidamente ao mercado. Encontrou as mulheres e as cumprimentou por seus respectivos nomes. Elas ficaram espantadas pois ninguém sabia seus nomes. Elas então deixaram o mercado e dirigiram-se até a árvore Irôko. Bateram na árvore e disseram as palavras mas desta vez a árvore não se abriu. Ódé as havia seguido e aproximou-se cumpprimentando-as novamente. Elas estavam muito cabreiras com ele, mas ele as acalmou puxando papo. Então ele revelou a elas que sabia de seu segredo. Ele contou a elas de forma diplomática que para ter suas peles de volta elas teriam que se casar com ele. Elas não se surpreenderam pois isso já havia sido divinado para elas.

Elas concordaram, mas tinham lá suas condições. Cada uma tinha um tabu que deveria ser respeitado. Se ele quebrasse o tabu elas o deixariam. Ódé prometeu respeitar seus tabus e também disse que não revelaria a ninguém suas identidades secretas. Keke-l'oju disse que seu tabu era o alimento okra. Alabaja-l'orun disse que o seu consistia em nunca ter um feixe de lenha derrubado na frente dela. O tabu de Peregun-susu era que a água de um pote nunca fosse derramada ou pingada no chão a sua frente. E assim eles partiram rumo ao local de morada da família de Ódé. Todos almejavam saber de onde eram as novas esposas, mas nem Ódé nem suas esposas jamais forneciam essas informações.

Passados alguns anos, as pessoas pararam de perguntar por isso, menos o irmão de Ódé, que tinha muita inveja da da boa fortuna dele e era obcecado para descobrir alguma coisa suspeita sobre as esposas do irmão. Ódé cumpria o mandato de Ifa que o proíbia de beber alcool, mas não tinha feito o ebó a Eshu. O irmão de Ódé havia bolado um novo plano para ajudá-lo a conseguir informações sobre as esposas. Ele convidou Ódé para jantar. Ele produzido uma bebida adocicada a qual Ódé não desconfiou ser alcoólica. Ódé ficou bêbado até desmaiar, mas até que ele chegasse a esse estado, seu irmão conseguira fazer com que Ódé falasse sobre suas esposas misteriosas. Seu grande irmão guardaria essas informações até o dia que viesse a calhar, mas sua esposa estava prestando atenção em tudo e ouvira tudo.

Ela pegou os trejeitos das mulheres de Ódé e começou a soltar piadinhas, que surpreenderam as três mulheres. Até um dia, quando ela decidiu trazer isso a luz, e entãoo começou a cortar okra na frente delas. Depois pegou um pouco de lenha e derrubou na frente delas, em seguida pegou um pote com agua e espargiu na frente delas. As esposas estavam horrorizadas. Então ela lhes disse, "Nem tentem negar o fato que vocês sãoanimais! Eu sei onde estão as peles de vocês!". Quando elas voltaram a sí, reuníram seus pertences e suas crianças e rumaram de volta para a floresta, do jeito que haviam dito a Ódé que fariam caso ele revelasse seu segredo. Elas estavam muito bravas, e Ódé sertamente iria pagar por isso!

Ódé correu até elas em seu caminho de volta à cidade. Perguntou-as o que estava havendo e elas o evitaram. Ele implorou pelo perdão delas e disse que não fazia idéia de como sua cunhada veio conhecer o segredo delas. Com o coração partido, Ódé veio até sua morada e sinceramente declarou-se surpreso ao seu irmão sobre como poderia a mulher deste saber tanto sobre suas esposas. Nesse instante Ódé teve uma visão da traição de seu irmão. Ele acusou seu irmão, mas este negou tudo, a discução evoluiu e Ódé, num ataque de fúria, matou seu próprio irmão.

(Extraído de Sixteen Mythological Stories of Ifa, Chief Fama)

Itan Ódé - Eji Ogbe

Certa vez havia um homem, um filho de Oshosi, que desejava caçar nas florestas de Onikorogbo, mas antes dele fazer isso ele foi até a caça de Oruunmila, que viu este Odu, Baba Ejiogbe, e Orunmila dise-lhe: "Você deve fazer ebó com todos ovos de galinha que tiver em sua casa, de modo que não encontre Iku em sua jornada". O caçador não realizou o ebó e partiu para a floresta, mas não encontrou animal algum para caçar. Após andar um bocado, ele encontrou Iku e eles começaram a caçar juntos. Ambos chegaram a casa de Alakaso e lá encontraram dois ovoos de galinha, e Iku disse ao caçador: "Você pode levar-los para casa". O caçador sugeriu que eles dividissem de forma que cada um fosse para casa com um, mas Iku recusou. Pouco tempo depois, o caçador chegou em sua casa e cozinhou os ovos de galinha e os deu de comer a seus filhos. Após issso, Iku apareceu na casa do caçador e disse-lhe: "Eu vim para tomar a minha parte dos ovos de galinha porque há escassez em Isalaye Orun e não há nada para comer lá". O caçador replicou desesperado: "Minhas crianças e eu já comemos os ovos". Então Iku matou o caçador e seus filhos.

(Extraído de Secrets of the Odus of Ifa - Translated for the Advancement of the Brotherhood of IfaCopyright © 2002 by Noir Publishing Inc.)

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Novo marcador só de hisórias de caçadores "itan ódé"

Emblemáticas II

O feiticeiro veste a pele que desejar.



Paó no Benin

Minuto 0:53: http://www.youtube.com/watch?v=Ed09iplLSQULink

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

História do Reino de Ketu PARTES I E II - Afroasia

O Rei-fundador de Ketu chama-se Edé, em ingles e frances (internet) a maior parte das grafias estão sem acentuação mas no The story of Ketu, an ancient Yoruba Kingdom, de Edward Geoffrey Parrinder encontra-se lá bem acentuado e pra minha surpresa, com os pontos embaixo do 'e', portanto com pronúncia identica como em... nem preciso completar né! risos

Quer exista relação ou não, conhecimento é sempre bom né^^

Enfim o que todos sabemos, wikipedia.fr: "as tradições de Ketu influenciaram fortemente as religiões africanas do Brasil... notadamente o Candomblé Ketu de Salvador, Bahia."

Links pros PDFs:
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/770/77013085008.pdf

http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/770/77015013008.pdf

Chefe (Oba?) de Ketu, Benin, 1900

Será esse tronco na foto o do famoso Irôko "axis mundi" de Ketu? =D~~~

Baba mi

A pelagem exuberante do cobo-untuoso fulgura sob o sol
Feito fogo

A natureza amante-do-frescor do cobo-untuoso o faz habitar próximo à água
Feito sempre-viva (peregun)

Meu pai tem pele de leopardo
Mas é homem

Meu pai tem pele de cobo (antílope)
Mas é caçador

Se meu Pai vê o antílope
Vai para a água como serpente

Se antílope avista meu Pai
Vem para perto como se Ele fosse a água

E na água meu Pai o abraça forte até adormecê-lo
Na profundeza ele o faz adormecer, profundamente

A cabeça de meu pai é bela (ewa)
Coroada de caráter (iwa)

É de dinheiro (eyo, búzios) a coroa que meu pai carrega em sua cabeça
É de felicidade (ayo)

A coroa de Édé possui contas em grande abundância
Numerosas como a prole do rato (eda)

As cabacinhas (ado) que meu pai traz a tiracolo têm misterio (awo)
Branco, vermelho, azul (funfun, pupa, aro)

Venham ver conosco (de ju awa)
Ele está no fundo da riqueza (nibu ola)

A Neutralidade do Equilíbrio e a Distinção do Mediador

A apreciação varia conforme a necessidade
Quem não conhece suas necessidades interiores sempre corre o risco de ter algo que lhe é essêncial transformado numa moeda de troca para suprir as necessidades do mundo exterior
A planta que não conhece raízes não alcançará a estação de seu amadurecimento
O homem que desconhece a seca por vir não estocará
E portanto não poderá esticar sua vida para que alcance a estação das chuvas
(-Laura)


A energia, dentro de sua própria natureza, é neutra. A maneira que é conduzida a torna especial, o resultado de um processo depende da ação dos envolvidos, a natureza da situação na qual o processo acontece não determina o resultado, etc.

Os resumos dos dois Omodus abaixo demonstram como elementos semelhantes produzem resultados semelhantes, não apenas pelo fato de estarem em situações parecidas, mas por serem manipulados de formas diferentes.


  • Em Irosun-Ogunda:
Dois caçadores iam matar os filhos de Oluweri mas graças ao sacrifício de três bodes feito por Oluweri impede os caçadores de destruir seu reino (o rio) e matar seus descendentes (peixes), reina a celebração

  • Em Ofun-Ogbe:
Um caçador mata seu irmão graças a uma briga ocasionada por eventos negativos subsequentes à falta de disciplina/sacrificio e quebra de tabu, reina a lamentação (aqui Oluweri gera, por meio de sua filha, calamidade)

Nas tabelas a seguir alguns elementos/personagens em comum às duas histórias nos Ómómodu supracitados bem como os diferentes nuances e resultados.

Irosun-Ogunda

Ofun-Ogbe

Oluweri ancestral das caças (peixes) de dois caçadores

Oluweri sacrifica Três bodes, impede que seus filhos morram alvo da caça, com a pele dos bodes faz tambores e festeja

Vida

Oluweri ancestral de uma das três mulheres-antílope que tem o nome (Porogun) semelhante ao título (Orogun) da esposa do irmão que morre

Caçador não sacrifica, vai caçar, desposa Três mulheres antílope, quebra o pacto revelando o segredo sobre as peles-mágicas delas e as perde, mata o irmão e lamenta

Morte



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ereju - Kohl

Reforçar a percepção extra-visual

Ipadedo - Confluência

Nigbo ti ko yeye mi
Mo ko nigbo Ógun Ódé
Kabo ti ko yeye mi
Akukó nla a bi(i) ti rodo
Onde torna a mostrar minha mãe
Eu volto a mostrar Ógun Ódé
Onde encontra minha mãe
O grande galo abre sua cauda (original sem interpretação: galo grande com cauda desdobrada)
(Orin Logunedé, Ouidah-República do Benin, Verger, Notas)


Agunala o mó (i)bi Óshun re
Erinlé conhece o lugar aonde vai Óshun
(Orikí Erinlé, Ilobu-Nigéria, Verger, Notas)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Orikí Óshun, Ilésha, Nigéria, Verger, Notas (trema = ponto embaixo; acentuação original)

Karë öba obu

Rei das profundezas

Örö nla mö wu

A grande riqueza agrada

O jó ro gba (a)de o jó kò bere

Ela dança e pega a coroa, ela dança sem pedir

Këkë këwë

Ela se cala ao mesmo tempo

Ölömö nreti igbe

Que aquele que tem filhos aguarde os gritos

Olu (i)dë gb(a) ömö jëjë

A dona do cobre apodera-se tranquilamente das crianças

A jë wön (i)la kò di gbese

Ela come quiabo caro sem pedir fiado

Lati ilu obinrin

Mulher da cidade

Obinrin gba (ö)na ökunrin nsa

Se a mulher está no caminho, o homem foge

O ró wanwan jó wá

Ela agita suas pulseiras para ir dançar

Olu (i)le odò afi (i)lu kasi

Dona do riacho, dança com o tambor e somente ao alvorecer

O jó lubu öla eregede

Ela dança nas profundezas da riqueza

O jó yangba nr(e) ode

Ela dança yangba e sai para fora

O sö (i)gba s(i) omi od(o) abi örun kan

Ela lança uma cabaça na água do riacho

O sö awo s(i) omi od(o) abi öshë rë öna olode

Ela lança um prato na água do riacho

Ömö Oruntö (o)lufë

Filha de Oruntó Olufé

Ömö Omilao (o)lufë

Filha de Omilao Olufé

Ömö Oboshiji (o)lufë

Filha de Oboshiji Olufé

K(i) o l(i) ëdun (i)de gbörö gbörö

Ela tem um machado de cobre muito comprido

Oruntö Olufë l(i) obi Lögunëdë

Oruntó Olufé gerou Logunedé

Emblemáticas





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mais Oriki Oloôgún =D~ (encontrei na net)

Ologun Ede o ...
Oh! Ologum Edé...

Orisun yin wá lati odo
Sua origem vem do rio,

o wá náà lati igbo dudu.
Vem também da floresta escura,

Ode Erinle
Caçador de Erinlé,

Ni ipade omi pèlú igbo dudu.
No encontro da água com a floresta escura.

Ologun Ede o
Oh! Ologum Edé,

Oun rin sinu omi lai se ariwo die,
Ele anda para dentro da água sem fazer barulho algum,

Bi oun rin láàrin awon òtá mi mu won.
Se ele anda entre meus inimigos para puni-los,

A peja lodo,
Que caça peixe no rio,

Aperan nigbo dudu,
Que caça animal na floresta escura,

Òòsa ti o ri ninu ale,
Orixá que vê durante a noite,

E ba han mi!
Guie-me!

Òfa ba igi, òfa ba eran.
A flecha acerta a árvore, a flecha acerta o animal,

Òfa ba eye,
A flecha acerta a ave,

Òfa ba awon òtá baba mi,
A flecha acerta os inimigos de meu Pai,

Má fi òfa yin mu mi.
Não use a vossa flecha para punir-me, oh! meu caçador,

Ode mi o,
Oh, meu Caçador

Olode,
Proprietário do lugar,

Olori ara ile,
Líder do povo da terra,

Elebí to gbe so Ori ile,
Dono da família que vive em cima da terra,

E ko ba lèru awon oso,
Não tem medo dos feiticeiros.

oun yoo si pa won,
Ele os matará.

E ka ire ipa oyinyin rè dá ase fun mi,
Consiga a sorte através de sua força, para criar axé para mim,

Omo de o,
Oh! O filho chegou,

Ologun Ede,
Ologum Edé,

Omo igbo to wà lodo,
Filho da floresta que existe no rio,

Baba o,
Oh, Pai,

Ase o.
Oh! Assim será...

Sacerdotisa/Iyalorishá de Eyinlé em Abeokuta - Entrevista feita por sacerdotes de Orunmila de Ijaiye

Achei no youtube junto com o outro vídeo que mostra a egbé toda cantando que já postei aqui.

Link pra entrevista: http://www.youtube.com/watch?v=jNst7aBQtms&feature=mfu_in_order&list=UL


Transcrevo as partes que consegui entender do inglês:

O símbolo do Orishá Erinlé é um bastão com uma terminação na parte inferior (uma "perna") e na parte superior se divide em dezesseis terminações circundando a principal, cada uma dessas terminações superiores é encimada por um pássaro, a central sobressaindo-se às demais e encimadapor um pássaro maior, símbolo da habilidade de voar.

O cordão umbilical é também tradicionalmente considerado símbolo de Eyinlé.

Ele é um caçador e um artífice metalúrgico.

Eyinlé possui sete caminhos, todos possuem Otin como esposa. São eles (os que tem interrogação não tenho certeza pois não compreendi a pronúncia perfeitamente): Abatãn; Elueri***; Abotô; ?Akeula?; ?Orolu?; Alamõ.

Suas oferendas são nóz de cola, cola amarga, feijões (seco e torrado), caracol, e gim. Ela parece afirmar que Eyinlé não aceita ejé vermelho, e não aceita animais de sangue quente em geral ("he cannot eat goats, he goats, she goats, hen", entendi isso). Não tenho certeza sobre essa parte se alguem entender comenta please.


***Elueri, Oluweri... Link: Irosun-geda


Link

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Particular-idades

Como um ser independente, por vezes arredio, assim percebo o Orixá. Nesse sentido Ele é parecido com um gato, o animal que por convivência eu melhor conheço.

Eu foco ou busco-o para preservar, despertar, recuperar, ou fortalecer algo que preciso e que ele, integralmente, é e dispõe.

A água não precisa do bebedor, mas quem é passível de sede dela precisa, e assim por diante. E conhecendo a água como um todo vivo, animal (animado, vivente) então eu cultivo um relacionamento com a mesma, proponho uma conversação, rendo elogios em reconhecimento a sua importância.

Com relação ao meu Orixá em si eu o percebo como um bicho-humano ou um homem-animalesco, um encantamento, algo natural e prodigioso, que é um elo de uma corrente da qual descendo. Ele é meu ídolo, meu herói, meu exemplo, nem sempre meu aconchego, mas sempre meu exemplo. Não importa quais expedições eu me disponha a percorrer, se certas ou incertas, sempre no resumo posso remeter o pensamento a Ele e tudo se esclarece.

Meu Orixá pra mim é o representante, o líder de uma coletividade de emanações do nosso tipo particular, em esfera humano-social, natural-orgânica, e além. Ele é a expressão metamorfoseante que exprime e representa um padrão na Natureza em escala infinita e crescente.

Ele me agracia com suas particularidades, tão surpreendentes, e mesmo assim tão familiares. Surpresas essas que quando eu tento compartilhar com outrem, me escapam.

Ele é a nuvem de comportamento ousado que contemplo, e que quanto chamo alguém pra ver, já não é mais a mesma.

Ele é a fração no bater das asas do colibri que por mais ínfimo durar na minha percepção de seu tempo, em cheio me arrebata.

Ele é um raio de sol serpenteando para dentro da janela, que ontem não estava aqui, que me ilumina e inspira, enaltece, e que não admira a mais ninguém.

Ele é o sonho onde a perspectiva é ou de anão ou de gigante, de árvore anciã ou duende infante.

Ele é a mascara de asas de borboleta, com lente de coruja no buraco dos olhos.

Ele é também “objetos”.

É espada com fecho, que libera ou obstrui o caminho.

É ramalhete de flecha, de feixe.

É também névoa, ventania, arara, tatu, tartaruga e peixe.

Mas, acima de tudo, Ele é despertar, estar bem ao despertar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Individuado

(continuação de O Procriado)

É dito que Logun é meio Inlé, meio Óshun, porque ele é filho de Orixá, mas é incomum reduzir outros Orixás às qualidades de seus pais. Por exemplo, ninguém fica dizendo que Shangô é meio Oshalá meio Yemojá, mesmo atribuindo a estes a paternidade do mesmo. Ou seja, no caso de Logun essa afirmação é, em partes, dada por causa da falta de informação. Talvez pelo fato de Logun ser parte do culto à Óshun e parte da Sociedade dos Caçadores (como Ogun, etc) o fator individual tenha sido um pouco menosprezado.

“Em Okukú... Há Lôôgun-Édé, que é descrito como o filho mais jovem de Óshun, mas que (de acordo com o mais velho devoto de Óshun na cidade) é também uma feroz versão masculina da própria Óshun: ‘Lôôgun-Édé? Óshun ni! (Lôôgun-Édé? Ele é Óshun!)”

(trecho de How Man Makes God in West Africa: Yoruba Attitudes Towards the Orisa, de Karin Barber)


O texto a seguir baseia-se no fato de que a famosa frase supracitada demanda uma interpretação diferente da tradução fornecida pelo autor, que é muito parecida com a resposta dada na diáspora (de que ele é metade-metade). Procurarei demonstrar que uma interpretação devidamente revisada faz a individualidade velada de Logun saltar aos olhos, naturalmente.

Primeiro vejamos o porque da revisão. Utilizando um raciocínio simples surge a questão elucidante: se Logun fosse uma cópia exata de Óshun, porque então mereceria menção diferenciada numa frase e/ou contexto onde figura Óshun?

Considerada a lógica resultante desse qustionamento partimos para uma abordagem sobre Logunedé de uma perspectiva que não seja redundante e reducionista.

Ao invés de "Ele é Óshun", diria "Ele é de Óshun". Pois Logun está em Óshun, mas é Logun! E então temos as seguintes definições, todas com respaldo em orin e oriki, etc: se Óshun é mãe é ele o filho, se Óshun é fertilidade ele é abundância, se Óshun é rainha ele é coroa, se Óshun é guerreira ele é espada, se Óshun é rio ele é afluente (Eyinlé).

Acima de tudo Óshun é água, e em seu culto água é remédio (oôgún), e seu filho é acima de tudo Oloôgún Édé (vide nota), Possuidor da medicina fruto da abundância. Em Oshetura, lá está, água é a medicina que garante a saúde do mundo, Axé!

Omi ni oloogun
Omi ni oloogun
Omode soogun
E juba omi
Omi ni Oloogun.
Água é medicinal
Água é medicinal
Se uma criança preparar medicina
Ela reverencia a água
A água é um Doutor .
(Orin Esin Oshun, THE CURRENT RELEVANCE OF THE YORUBA TRADITIONAL RELIGION ON THE LIVES OF THE YORUBA PEOPLE, Fr. Dr. Thomas Mákanjúọlá Ilésanmí Department of African Languages and Literatures, Obafemi Awolowo University, Ile-Ife; tradução minha)

Nota: É interessante ressaltar que a palavra ‘ede’, com os pontos embaixo do ‘e’ como ocorre em Logun-Édé, em Iorúba significa maduro, atraente, chamativo, como uma fruta madura que é atraente ao observador. A maturidade de Óshun é celebrada numa corrente versão da História da fundação da cidade onde situa-se a sede de seu culto, chamada Oshogbo (Oshun gbo, ou “Óshun encontra-se num estado de maturidade). Logun enquanto fruto de Óshun, também é símbolo dessa maturidade, e Se Óshun é mãe-rio, Logun é filho-peixe, como o peixe Iko, mensageiro de Óshun (como Logun) que inspirou Olarooye a dizer Oshun gbo, rendendo ao próprio Olarooye o título que viria a denominar os reis de Oshogbo dali em diante: Ataoja, contração de éni tô tewô gba éja - aquele que estica suas mãos para receber o peixe.

Canto lírico - Orin Óshun ati Oshalá

Quinteto Abanã performa louvor a Óshun e a Oshalá, lindíssimo:

http://www.youtube.com/watch?v=PEKq7jaurWA

http://www.youtube.com/watch?v=NQjhy-clnFI
Link

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Beleza Profunda Transbordante

PODER PODER PODER
ORGULHOSA EM SER FILHA DA TERRA!

Abaixo links para os belíssimos vídeos da Televisa em comemoração do bicentenário da Independência do México, celebram a beleza do país, expõe a integração Homem-meio, promovem a cultura nativa etc. Todos países deveriam produzir obras assim. Vale muito assistir. Mojuba Olómó! Eu reverencio aaquela que tem filhos(Terra)!

Fica a dica, tmb na mesma veia, das fotografias de Gregory Colbert (google it!^^)

Deliciem-se, pois:
Omu iya dún u mu
O leite do seio da mãe é doce
(Máxima Ogboni,
Teresa Washington, Our mothers, our powers, our texts)


http://www.youtube.com/watch?v=5Isfiygx6Ds&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=CJgvb5yvEgc

http://www.youtube.com/watch?v=1vPr_w97zE8&feature=mfu_in_order&list=UL

Linkhttp://www.youtube.com/watch?v=pFpGUnLH8a0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Y9DeilL6MyM&feature=related

Oluyare (Otunshiwaju II)

Bom é o sol
Uma boa fonte de luz e calor é aquela cujo fogo não alcança

Boa é a floresta
Uma boa fonte de limpeza e frescor é rodeada de vegetação

É graças ao fogo que o Homem tem o ferro
Uma pessoa graciosa é aquela cujo fogo é cercado pela água

Se um Deus veste-se com fibra
Aproximar-se a Ele com fogo é atentar contra sua integridade

Bom é o vento
Ele expõe o Deus sem provocar sua ira

Boa é a água
Ela permite ao Deus um estoque infinito de vestimentas

Se eu for à floresta de noite, se eu for com fogo
É certo que meu fogo estará rodeado de água, tão certo quanto o sol vem à terra rodeado de céu

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-