quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ore Yeye Oooo

A coletivização do feminino na cultura Yoruba (desde o culto aos ancestrais onde os femininos são referidos somente como Awon Iyami, e os masculinos por Baba Egungun individuais) até na história primordial do corpus literário de Ifa, no capítulo Oshe'Tura onde as divindades de natureza masculina são dezesseis e a feminina é uma só, mas diferentemente dos dezesseis genéricos, a mulher é identificada, é Oshun.
Esse tratamento parece sugerir uma visão simplificada das coisas. As... que repousam sob a égide das mulheres como sendo mais limitada que as que estão sob a dos homens. Exemplo, às mulheres atribui-se atividades domésticas como a criação dos filhos, a culinária e a responsabilidade pelo ambiente doméstico, controlado, estabelecido e mantido estável pelos homens que desempenham uma paleta maior de atividades especializadas como a construção de habitações, poder bélico/militar, agricultura, pecuária, caça, administração social e regência, etc.
Oshun representa a mulher (e a pessoa de modo geral, independente do sexo) que não se contenta em apenas manter o que os homens (ou uma maioria) constroem, e acatar o que eles decidem. Ela é aclamada em oriki "Obinrin bi okunrin" (mulher que é como um homem), "Alade obinrin showon" (é raro uma mulher coroada).
O tipo de Oshun é o da mulher corajosa, polivalente, sábia, aventureira, e autossuficiente, além das outras qualidades típicas do gênero feminino, como o cultivo da beleza e o cuidado com os filhos. Não é fragilidade, é beleza dotada de força!
Oshun é a pessoa que não aceita ser privada de nenhuma informação, não aceita ser excluída, que não concorda com algo só porque alguém disse, para que ela esteja de acordo é preciso que ela esteja a par da situação como um todo. É insubmissa. É o ser pleno de sua capacidade de execução, consciente de sua importância na composição do Todo. O mesmo se estende a todos os Orisha, são exemplos e fontes inesgotáveis de força, superação e realização do pleno potencial dos seres.
Oshun e Orisha eu vos amo.
(Imagem: Gregory Colbert)

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"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro". Nizami

A linguagem do Artista, que mente e revela, resguarda e presenteia, é assim, una, não dual, mas completa.

'Ihy Maut! Ankh-na-Maat.'

"Ele que é iluminado com a mais Brilhante Luz moldará a mais Escura Sombra; Ele que é iluminado com a mais Escura Sombra brilhará com a mais Brilhante Luz."
-A. D. Chumbley-